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12 novelas que comemoram aniversário em 2017 – 10, 20, 30 e 40 anos

Duh Secco 11:00 :: 17/02/2017
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Remake de “Anjo Mau” completa 20 anos em 2017

Ah, as novelas… Neste país movido por paixões, quando não estão discutindo futebol, política ou religião, estão falando sobre novelas! Algumas delas, inesquecíveis, são constantemente lembradas pelo público que as acompanhava – ou mesmo por quem não as acompanhava, mas ouviu falar entre família e amigos ou espiou um ou outro capítulo. Muitos destes folhetins estão comemorando aniversários “redondos”, de 40, 30, 20 e 10 anos. Na coluna de hoje, listo 12 deles, os de maior repercussão.

Direito de Amar
Glória Pires e Lauro Corona em “Direito de Amar”

“Direito de Amar” (30 anos, 16 de fevereiro)

Esta radionovela de Janete Clair seria adaptada por duas roteiristas iniciantes que se desentenderam durante a confecção da sinopse. Sobrou para Walther Negrão, conhecido “bombeiro” da teledramaturgia da Globo – nos anos 80, assumiu textos e corrigiu tramas de outros autores, com problemas de audiência. “Direito de Amar” marcou a volta das produções inéditas ao horário das 18h, após uma breve interrupção causada por uma greve do Sindicato dos Artistas do Rio de Janeiro. Trouxe, com uma produção de época esmerada que reproduzia o Brasil no primeiro ano do século XX, o calvário de Rosália (Glória Pires), que, em troca do perdão de uma dívida de seu pai, se casa com Sr. de Montserrat (Carlos Vereza) mesmo amando o filho do temido vilão, Adriano (Lauro Corona), médico sanitarista.

A Indomada
Eva Wilma e Cláudio Marzo em “A Indomada”

“A Indomada” (20 anos, 17 de fevereiro)

Nos anos 90, o horário nobre foi dominado por tramas regionalistas: o interior poético e político de Benedito Ruy Barbosa e as cidadezinhas vizinhas a Serro Azul, em algum recanto do nordeste brasileiro, por onde transitavam as figuras míticas criadas por Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares. Em “A Indomada”, escrita pela dupla em 1997, Helena (Adriana Esteves) voltava à Greenvile para casar-se com seu prometido, Teobaldo (José Mayer), recuperando a fortuna de sua família. O grande barato aqui era que Greenvile havia sido colonizada por ingleses (uma crítica à “americanização” pela qual o Brasil passava). Expressões como “Óxente, my God” eram proferidas por Maria Altiva, a vilã que fez Eva Wilma tomar a novela para si. Destaque também para o esquisito Cadeirudo, que atacava as mulheres da cidade em noite de lua cheia.

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Locomotivas
Dennis Carvalho e Myrian Pires em “Locomotivas”

“Locomotivas” (40 anos, 1º de março)

Maior sucesso da faixa das sete na década de 70, “Locomotivas” consagrou o estilo Cassiano Gabus Mendes: belíssimas atrizes, humor refinado e drama comedido. Aqui, os atributos do elenco feminino eram realçados num dos principais cenários da trama: um salão de beleza, de onde saíram costumes e modismos daquele 1977 (como a bolsa de plástico que Fernanda (Lucélia Santos) usava). O humor estava a cargo do português Machadinho (Tony Corrêa), seus tios aloprados e as mulheres que o disputavam. Drama apenas nos conflitos de Margarida (Myrian Pires), que nutria um ciúme doentio do filho; e Milena (Aracy Balabanian), apaixonada pelo homem que conquistou sua filha, Fernanda, criada como se fosse sua irmã. Na trilha, clássicos como ‘Enrosca’, de Guilherme Lamounier, e ‘Coleção’, de Cassiano.

Paraíso Tropical
Wagner Moura e Camila Pitanga em “Paraíso Tropical”

“Paraíso Tropical” (10 anos, 5 de março)

Uma das últimas grandes novelas das oito – não só pelo título, abolido em 2011, como pelo que representou, em termos de audiência e popularidade. É bem verdade que a trama das gêmeas Paula e Taís (Alessandra Negrini) começou morna, quase sem atrativos. Ganhou pontos com a virada promovida pelos autores Gilberto Braga e Ricardo Linhares, após o encontro das irmãs que não se conheciam: Taís se mostrou endiabrada, capaz de atrocidades contra Paula; Ana Luísa (Renée de Vielmond) descobre a traição do esposo e se deixa envolver por um homem mais jovem; e Bebel (Camila Pitanga) e Olavo (Wagner Moura) explodem em paixão, volúpia e maldades. Com uma personagem inicialmente pensada para Mariana Ximenes, Pitanga deitou e rolou, propagando memes como o “cueca maneira” e “catiguria!”.

Brega & Chique
Jorge Dória e Marília Pera em “Brega & Chique”

“Brega & Chique” (30 anos, 20 de abril)

Em 1987, Cassiano Gabus Mendes repete o feito de dez anos antes: sua “Brega & Chique” ultrapassa os índices de “O Outro”, novela das oito, tal e qual “Locomotivas” superou “Espelho Mágico”, conturbada trama de Lauro César Muniz que discutia os bastidores da vida artística. Aqui, a rica Rafaela Alvaray (Marília Pera, em estado de graça) empobrecia e a pobre Rosemere (Glória Menezes) enricava após a morte de Herbert Alvaray (Jorge Dória), esposo das duas. A vida as apresenta neste momento distinto – e as une de vez quando Herbert reaparece, de corpo e rosto modificados por plásticas, sob a identidade de Cláudio Serra (Raul Cortez). Destaque para a parceria de Marília e Marco Nanini (Montenegro, secretário de Herbert); e para Cássio Gabus Mendes, que levava o mulherio para “tomar água” – uma analogia ao sexo.

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Dona Xepa
Yara Cortes e Reynaldo Gonzaga em “Dona Xepa”

“Dona Xepa” (40 anos, 24 de maio)

Foi esta adaptação da obra de Pedro Bloch que Gilberto Braga carimbou seu passaporte para a faixa das oito – o autor almejava escrever às sete, mas o sucesso de “Dona Xepa” foi tamanho que o todo-poderoso Boni o promoveu direto para o horário mais nobre. Figura central da trama, Xepa (Yara Cortes), feirante sem instrução, almejava dar aos filhos tudo o que não pode ter. Converteu-os assim em pessoas acomodadas e arrivistas: Edson (Reynaldo Gonzaga) se dedicava aos estudos, sem buscar um meio de renda nem levar adiante o compromisso com Helena (Ísis Koschdoski); já Rosália (Nívea Maria, deixando de lado as mocinhas pueris que marcaram sua carreira nesta década) casava-se por interesse, dando com os burros n’água ao descobrir que a sogra, Glorita (ótima Ana Lúcia Torre), estava falida.

Éramos Seis
O elenco de “Éramos Seis”

“Éramos Seis” (40 anos, 6 de junho)

Um dos últimos sucessos da Tupi, “Éramos Seis” foi concebida aos 45 minutos do segundo tempo. Rubens Ewald Filho e Silvio de Abreu planejavam uma trama contada em três tempos: antes, durante e depois de um desastre aéreo que atingia os principais personagens. Com a queda do então diretor artístico, Roberto Talma, o projeto foi para a gaveta. Os substitutos Carlos Zara e Henrique Martins surgiram então à dupla de autores a adaptação do livro de Maria José Dupré, a senhora Leandro Dupré, estrelada por Nicette Bruno e Gianfrancesco Guarnieri. O folhetim, que acompanha a trajetória da família Lemos, do casamento até a velhice de Lola (Nicette) ganhou outra roupagem nos anos 90, no SBT – e uma versão anterior a da Tupi, com Cleyde Yáconis como protagonista, completa 50 anos neste 2017.

Chiquititas
Flávio Monteiro e o elenco infantil de “Chiquititas”

“Chiquititas” (20 anos, 28 de julho)

O remake desta trama infanto-juvenil está no ar, em reprise, no SBT. Diferente, contudo, da versão original, “Chiquititas” 2013 não se divide em temporadas; foi apenas por conta desta divisão que “Chiquititas” de vinte anos atrás não levou o título de novela mais longa da TV brasileira: foram 807 capítulos, exibidos entre 1997 e 2001. O maior mérito da trama sobre as órfãs do Raio de Luz que viviam sob os cuidados de Carolina (Flávia Monteiro) foi o de revelar talentos: Fernanda Souza, Débora Falabella, Bruno Gagliasso, Sthefany Brito, Carla Diaz; todos arrebanhados pela Globo tão longo encerraram suas participações no folhetim. “Chiquititas” foi produzida em parceria com a Telefé, emissora argentina que detinha os direitos do texto – a produção emplacou CDs e outros produtos entre os mais vendidos por aqui.

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Caminhos do Coração
Leonardo Vieira e Bianca Rinaldi em “Caminhos do Coração”

“Caminhos do Coração” (10 anos, 28 de agosto)

Tiago Santiago foi um dos principais nomes da teledramaturgia da Record, por ocasião de sua retomada, em 2004. Escreveu “A Escrava Isaura”, hoje em reprise, e “Prova de Amor” antes de ser promovido ao horário mais nobre, o das 22h, então nas mãos dos tarimbados Lauro César Muniz e Marcílio Moraes. Num misto de romance, suspense e ficção científica, Tiago criou “Caminhos do Coração”, a novela dos mutantes! Apesar da audiência nas alturas, a novela causou muitos risos, atribuídos ao humor involuntário do roteiro – fosse nas cenas em que repetiam exaustivamente a definição de mutante (“seres geneticamente modificados”), nas sequências de “defeitos” especiais ou com pérolas como o Homem-Cobra (Théo Becker) dizendo que a cobra dele queria comer a aranha da Mulher-Aranha (Natália Guimarães).

Anjo Mau
Glória Pires e Cláudio Corrêa e Castro em “Anjo Mau”

“Anjo Mau” (20 anos, 8 de setembro)

Reprisada três vezes desde sua exibição original (duas na Globo e uma no Viva), “Anjo Mau” viu seu sucesso crescer com o passar do tempo. Porque embora a novela tenha elevado a média de suas antecessoras no horário das seis em 1997, o folhetim não “causou” como parece, hoje, ter causado. Foi a partir do primeiro repeteco em “Vale a Pena Ver de Novo” – a maior média da faixa na última década – que a saga da babá Nice (Glória Pires) ganhou outro status. O grande mérito deste remake: ter lançado Maria Adelaide Amaral como titular. Sem medo de ousar – e já com a assessoria valorosa de Vincent Villari – a autora modificou substancialmente o roteiro de Cassiano Gabus Mendes, fazendo brilhar os vilões Rui Novaes (Mauro Mendonça) e Paula (Alessandra Negrini) e tocando em assuntos pertinentes, como o racismo.

Por Amor
Regina Duarte em “Por Amor”

“Por Amor” (20 anos, 13 de outubro)

Aqui, um caso semelhante ao anterior: “Por Amor” se tornou queridinha dos noveleiros após o sucesso de sua reprise, em 2002. Em 2010, foi escolhida para inaugurar o Canal Viva – numa época em que a base de assinantes era pequena, o que impossibilitou boa parcela do público de acompanhá-la pela terceira vez. Já em 1997, o enredo de Manoel Carlos foi considerado “mexicano”. Embora bem escrita, a história da mãe (Helena, Regina Duarte) que entrega o filho vivo à filha (Eduarda, Gabriela Duarte), que acaba de perder o seu. Uma das últimas grandes personagens de Susana Vieira: a vilã ferina Branca Letícia de Barros Mota. Também o melhor momento de Carolina Ferraz e Eduardo Moscovis, como Milena e Nando, embalados por ‘Palpite’, canção-coqueluche da hoje pouco lembrada Vanessa Rangel…

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O Astro
Francisco Cuoco em “O Astro”

“O Astro” (40 anos, 6 de dezembro)

“Quem matou Salomão Hayala (Dionísio Azevedo)?”, pergunta que ecoou nos lares brasileiros durante todo 1978. O personagem faleceu logo em janeiro, no capítulo 42 de “O Astro”, um dos trabalhos mais festejados de Janete Clair – foi com esta novela que a autora ganhou a alcunha de “usineira dos sonhos”, atribuída por Carlos Drummond de Andrade. O projeto era antigo, mas a Censura do regime militar impediu a escritora de leva-lo adiante em 1973. Enfim no ar, “O Astro” registrou índices superiores ao da Copa do Mundo de 78, fez Maria Bethânia atrasar o horário de seus shows e causou curiosidade até mesmo no então presidente Ernesto Geisel, que tentou arrancar de Daniel Filho, o diretor, a identidade do assassino de Salomão – o desfecho do crime foi inspirado na morte real da jovem Cláudia Lessin.

Também comemoram este ano: “Corpo Santo” (30 anos, 30 de março), “Cinderela 77” (40 anos, 9 de maio), “Carmem” (30 anos, 5 de outubro), “Mandala” (30 anos, 12 de outubro), “O Profeta” (40 anos, 24 de outubro) e “Sassaricando” (30 anos, 9 de novembro).