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20 anos do fim da “TV Colosso”: 10 curiosidades do infantil que marcou a década de 90

Duh Secco 10:00 :: 10/02/2017
A sheepdog Priscila, estrela da “TV Colosso”

Lá se foi janeiro e, com ele, a lembrança dos 20 anos do término da “TV Colosso”. O infantil que dominou a programação matinal da TV Globo na década de 90 chegou ao fim no dia 3 de janeiro de 1997. Tardiamente, listo aqui na coluna algumas curiosidades da atração – dos bastidores aos desenhos – eternamente lembrada pela sheepdog Priscila, a estrela canina da emissora de JF.

Angélica
Angélica preferiu manter programa infantil “tradicional” e recusou interação com bonecos

A “TV Colosso” nasceu da necessidade de substituir o “Xou da Xuxa”. O formato apresentado por Xuxa Meneghel, exaustivamente copiado por todas as emissoras, já estava desgastado. A Globo pensou, a princípio, em reeditar a “Vila Sésamo”, um de seus primeiros programas infantis, ainda na década de 70 – anos depois, a Cultura lançaria uma nova versão do educativo. Uma atração com bonecos, ambientada num bar galáctico, também chegou a ser cogitada; a mesma seria produzida em Londres e comandada pelo criador da “Família Dinossauros”, Jimmy Henson. Por último, a ideia de colocar Angélica, de saída da Manchete, para contracenar com bonecos confeccionados pelo grupo gaúcho Cem Modos. Angélica, no entanto, queria manter a fórmula do “Clube da Criança” e acabou se transferindo para o SBT.

Clip Clip
Os bonecos do “Clip Clip”, também desenvolvidos pelo Cem Modos

Luiz Ferré e Roberto Dornelles, do Cem Modos, foram incumbidos por Boninho, diretor responsável pela faixa infantil, de tocar os trabalhos de uma atração com cachorros, a “Mundo Cão” – depois intitulada “TV Colosso”. A equipe já possuía familiaridade com a TV: participaram do musical infantil “Plunct Plact Zuuum” e do programa de clipes “Clip-Clip”, ambos da Globo. Ao todo, foram confeccionados 28 fantoches, sendo 25 cachorros e três pulgas. Com este “elenco”, a “TV Colosso” chegou a 50 personagens, desenvolvidos, a princípio, pelos roteiristas Valério Campos e Toninho Neves – um boneco canino vivia mais de um tipo.

Família Dinossauros
O esquema de manipulação da “Família Dinossauros” era o mesmo utilizado pelos cachorros

A manipulação dos “catioros” usava um sistema semelhante aos dinossauros da “Família Dinossauros” – que, de tanto sucesso, era exibida entre o “Domingão do Faustão” e o “Fantástico” nesta época. Parte da movimentação era feita de forma manual, com dois bailarinos metidos nas fantasias de quase 2 m de altura, como a de Priscila. Outra parte da manipulação era eletrônica, com movimentos programados com a ajuda de um computador, como os faciais. Os bonecos eram higienizados numa banheira, com xampu e condicionador, a cada dois meses. Entre os dubladores, nomes como Garcia Júnior, que já emprestou sua voz a astros internacionais como Arnold Schwarzenegger. Os cenários da atração variavam de tamanho, de maquetes a grandes estruturas. E muitos dos objetos de cena eram confeccionados com sucata.

Laerte Coutinho
O cartunista Laerte Coutinho foi um dos redatores do programa

Cartunistas e redatores de revistas em quadrinhos integravam a equipe de criação; nomes como Laerte, Angeli e Glauco, por exemplo. Os quadros remetiam a programas de TV: o seriado “As aventuras do Super-Cão”, o musical “Clip-Cão”, comandado por Thunderdog; o noticiário “Jornal Colossal”, com direto a cadelinha do tempo; e a novela mexicana “Os Filhos da Cadela”. Outras novelas ocuparam a grade como “A Princesa Pirata”.

“Power Rangers”, uma das séries de maior sucesso da “TV Colosso”

Ao longo de sua estadia na tela da Globo, a “TV Colosso” exibiu diversos desenhos; alguns, sucesso até hoje. Na estreia, os então inéditos no Brasil “Taz-Mania” e, pasmem, “Chuck Norris”, versão animada de um dos mais habilidosos cowboys sanguinários do cinema. Em 94, a estreia do “X-Men”; Steven Spielberg também marcou presença com o divertido “Animaniacs”. Os grandes méritos dos cachorrinhos, contudo, foram o de lançar o nipo-americano “Power Rangers” (cuja trilha sonora, em duas semanas, ganhou o disco de ouro) e de reprisar episódios do “Sítio do Pica-Pau Amarelo”, exibidos entre 1977 e 1986.

Xuxa
A cadelinha Priscila foi inspirada na apresentadora Xuxa

A cadelinha Priscila era a preferida da garotada! Uma pesquisa de 1994 mostrou que a preferência dos telespectadores do “TV Colosso” beirava os 91%, seguida pelo chefão JF e pelo câmera-man Gilmar. Evidente que a temporada seguinte ampliou o destaque dado à sheepdog, que chegou a gravar um disco só dela. Priscila ganhou um “programa” só dela, o “Superstar”, dominando 1h30 do tempo de arte do infantil. Na atração, Priscila falava sobre outros bichanos e sorteava brindes. A inspiração era sua antecessora, Xuxa Meneghel, conforme informado pelo diretor-geral do programa, Boninho.

Zé Carioca
Zé Carioca, uma dos personagens de Walt Disney, também apareceu na “TV Colosso”

O personagem Paulo Paulada causou polêmica. Apesar de fazer sucesso com a criançada, o tipo canino mau encarado que desferia golpes de pau nos coleguinhas de emissora acabou causando reações adversas da imprensa e de entidades especializadas. Depois de um período fora do ar, Paulo voltou, mais leve, apresentando uma espécie de talk show, inspirado em Jô Soares – no qual batia nos músicos de sua banda, que não paravam de tocar quando ele pedia. Quem também teve um talk-show na “TV Colosso” foi o papagaio Zé Carioca. O “Disney Club” (título que depois seria utilizado pelo SBT) continha de dicas de cultura a horóscopo, além, claro, de entrevistas.

TV Colosso
No Natal da “TV Colosso”, a cachorrada se reuniu na casa do chefe JF

É evidente que o sucesso nas manhãs determinou a criação de programas especiais veiculadas às noites, como o episódio de dia das crianças no ar na “Terça Nobre”, em 1995. O primeiro especial de Natal da “TV Colosso” foi ao ar em 1993, na noite de 24 de dezembro. Nele, o chefe JF abria os cofres da empresa, bancando uma ceia em sua casa para todos os funcionários; o destaque ficou por conta de um cachorro Noel, que surgiu no último bloco. No especial de 1994, a cachorrada perseguia o abominável Monstro das Neves, nas paisagens geladas do Polo Norte, na intenção de salvar Papai Noel, sequestrado pelo bandido.

TV Colosso
O primeiro LP da “TV Colosso”, sucesso de vendas!

A “TV Colosso” foi um sucesso comercial! Dentre os produtos licenciados, bolas, kits de praia, cadernos, álbum de figurinhas, brinquedos (incluindo eletrônicos), meias, tênis, chinelo, roupas, bonés, discos (o primeiro chegou a vender 250 mil cópias, em sete meses de divulgação), itens para festas, biscoitos, artigos para higiene e um livro acompanhando de um moderníssimo disquete. Também a revista em quadrinhos, curiosamente editada pela Abril e não pela Editora Globo – que produzia até os álbuns de figurinhas do “Chaves”, do SBT. Em 1995, após dois anos com um show em teatros, a “TV Colosso” chega aos cinemas com “Super Colosso”. No filme, os caninos contracenavam com atores como Camila Pitanga, Marcelo Serrado e Luana Piovani.

TV Colosso BBB
O quarto da “TV Colosso” no “BBB 7”

É claro que nada disso teria acontecido não fosse os índices registrados pela “TV Colosso” nas manhãs da Globo. Os números das primeiras horas da manhã giravam em torno dos oito pontos; lá pelo fim do programa, quando o chef de cozinha convidava a todos para matar a fome, a atração chegava à casa dos 20, um feito e tanto! O acordo previsto entre a Globo e o grupo responsável pela idealização e manipulação dos bonecos determinou que os peludos não seriam transferidos para outra emissora; Priscila e companhia, no entanto, estão liberados para shows. Vira e mexe, a “TV Colosso” é reverenciada na TV – já chegou a ganhar um quarto em sua homenagem no “Big Brother Brasil”, mais precisamente no “BBB7”.


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