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Com trama eficiente, direção acertada e elenco de peso, “A Força do Querer” promete segurar público

Duh Secco 23:30 :: 03/04/2017

Vaidade de Joyce (Maria Fernanda Cândido) não a deixa notar conflitos a filha Ivana (Carol Duarte), em “A Força do Querer”.
Vaidade de Joyce (Maria Fernanda Cândido) não a deixa notar conflitos com a filha Ivana (Carol Duarte), em “A Força do Querer”

Há receita para o sucesso? Não. Gloria Perez é a prova disso. Com “América”, “Caminho das Índias” e “Salve Jorge”, a autora navegou por águas já conhecidas. Naufragou. Nenhuma das três produções chegou perto da excelência de “O Clone”, máximo e mais perfeito expoente da tríade “cultura exótica”, “tema polêmico” e “campanha social” que norteia suas produções. Longe da repetição, Gloria se saiu bem. “A Força do Querer”, estreia desta segunda, representa a volta dos “novelões” ao horário das nove – torço para que represente também a volta da audiência.

O primeiro capítulo – de quase 80 minutos que passaram voando – teve início com um prólogo curto. E, talvez por isso, bastante eficiente, algo que a arrastada primeira fase de “A Lei do Amor” não conseguiu ser. Pelos créditos da abertura e pelas primeiras cenas, logo se vê que embora praticamente toda a divulgação tenha dando ênfase aos oito protagonistas jovens, a ação tende a se desenvolver a partir dos conflitos dos irmãos Eugênio (Dan Stulbach) e Eurico (Humberto Martins) e de suas respectivas esposas, Joyce (Maria Fernanda Cândido) e Silvana (Lilia Cabral, sempre bem).

Bem lá no íntimo, o entrecho remete à conturbada família Cadore, de “Caminho das Índias”: o empresário insatisfeito com a vida profissional e pessoal, a mãe vaidosa que enxerga apenas o exterior dos filhos, a filha que não se enquadra no padrão exigido pela genitora. Boa estreia de Carol Duarte, a transgênero Ivana, que em uma única cena já demonstrou toda a angústia necessária para que o telespectador entenda que ela não se vê dentro do corpo que o espelho reflete.

Voltando ao prólogo, direção bastante eficiente de Rogério Gomes. Impressionante a fotografia na cena em que os ainda meninos Ruy (João Gabriel Cardoso) e Zeca (Xande Valois) são encontrados à beira do rio por um índio Ashaninka (Benki Piyãko); também a sequência da tempestade em que Ruy acaba se perdendo no rio.

Ainda, destaque para a relação de Caio (Rodrigo Lombardi) e Bibi (Juliana Paes). Ele, afeito ao trabalho; ela, doida para amar e ser amada. Os dois rompem, aparentemente, por esse desajuste. Eis que Caio a segue e descobre que há uma terceira pessoa entre os dois: Rubinho (Emílio Dantas). A traição de Bibi humaniza Caio, um homem dedicado a fazer a fama para dar cama à esposa; a vida que a moça leva, anos depois, em dificuldades financeiras, mas realizada como mulher, a faz coerente. O reencontro dos dois promete. Muito!

Cabe ressaltar ainda as presenças de Tonico Pereira (Abel) e Elizangela (Aurora). Com um elenco de coadjuvantes tão competente quanto os titulares, “A Força do Querer” promete dar fôlego ao texto de Gloria Perez, tão prejudicado em produções anteriores por conta de direção frouxa, elenco pouco crível e pelos próprios deslizes da autora – em especial no que tange ao trecho policial de “Salve Jorge”.

Não se sabe como será a recepção do público à novela; nem mesmo se a excelência do primeiro capítulo será mantida ao longo dos cento e tanto que virão pela frente. Mas é fato que estamos diante de uma promessa de retomada da faixa, combalida nos últimos anos por folhetins sofríveis (e nisso se inclui a já citada “Salve Jorge”, da própria Gloria). “A Força do Querer” iniciou sua caminhada com o pé direito. Vamos torcer para que não tropece. Não merecemos outro “tombo”.


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