“Não quero que ele palpite na minha novela”, dispara Benedito Ruy Barbosa sobre Silvio de Abreu

Benedito Ruy Barbosa detonou Silvio de Abreu em entrevista

Responsável pela criação e supervisão de texto de “Velho Chico”, trama que foi escrita até o capítulo 20 por sua filha, Edmara Barbosa, e depois pelo neto, Bruno Luperi, Benedito Ruy Barbosa revelou ao jornalista Maurício Stycer, do portal “UOL”, algumas exigências que fez para levar o enredo ao ar.

O novelista disse que pediu a Carlos Henrique Schroder, diretor-geral da Globo, que Silvio de Abreu, diretor de Teledramaturgia do canal, não tivesse qualquer ingerência sobre a produção.

“Eu faria a novela das 21h com a minha filha, Edmara, e o meu neto, Bruno, porque não estou mais em condições de ficar 12 horas, 14 horas no computador em função do AVC que tive. Já estou recuperado, mas ainda preciso me cuidar. O acordo foi: quem vai palpitar na novela serei eu, na qualidade de supervisor, o Luiz Fernando (Carvalho), na qualidade de diretor, o Bruno e a Edmara. E isso foi respeitado totalmente”, afirmou.

Benedito falou ainda que acha que Silvio não possui condições para dizer se uma sinopse deve ou não ser aprovada.

“Minha encrenca com ele [Silvio] começou com uma novela chamada ‘E Se Ele Voltar’. É uma história que escrevi para as 18h, sobre dois estudantes de medicina, que têm sonhos. Um deles fala, brincando, em pegar o Santo Sudário, que tem o sangue de Cristo, e fazer o exame do DNA. A novela começa com esta brincadeira, e também cheia de amor e romance. Mas, de repente, eles já médicos, cirurgiões, encontram uma caixinha numa praia. Eu mostro o (médico nazista Josef) Mengele morrendo (em Bertioga) e mostro uma caiçara na praia, que encontra a caixa bem fechada, devolvida pelo mar. Quando estes médicos conseguem abrir esta caixa, eles encontram um pequeno pedaço do Santo Sudário. Ele consegue o DNA, acha que conseguiu o DNA de Cristo”, explicou.

“O Schroder aprovou a sinopse, mas o Silvio de Abreu vetou. Eu quis saber por quê? ‘Ah, porque você mexe com nazismo’. Li uma nota no ‘Estado de S. Paulo’ dizendo que ele falou isso. Aí eu falei: ‘Ele não leu a sinopse’. Não falo em nazismo, não levanto em momento algum questões sobre o nazismo, apenas falo do Mengele, digo que ele é um cientista que se utilizou dos campos de concentração para fazer experiências com seres humanos e veio morrer no Brasil. Eu posso tirar o Mengele da história. O importante é achar a caixa, com o Santo Sudário lá dentro. Aí eu falei: esse cara não pode ler sinopses. Não entendeu a sinopse”, opinou Barbosa.

“Na sequência, veio ‘Velho Chico’ e eu falei para o Schroder: ‘Lamento muito. Não tenho nada contra o Silvio de Abreu, é um autor reconhecido na Globo, mas eu não quero que ele leia sinopse minha. E não quero que ele palpite na minha novela. Não quero que ele leia e que ele ponha a mão na novela’. E o Schroder, que já conhecia a história todinha, concordou plenamente. E avisou o Silvio de Abreu: ‘Na novela do Benedito não mexa. Nem música, nem texto, nem nada’. O Schroder foi muito leal comigo”, concluiu o autor, que também entregou que só falta escrever o último capítulo de “Velho Chico” e arrumar alguns detalhes dos outros já roteirizados.

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