“Carrossel” e “Chiquititas” são dois grandes sucessos recentes do SBT

Após anos patinando no quesito dramaturgia, o SBT encontrou um público cativo com sua linha de novelas infantis, inaugurada em 2011 com o remake de “Carrossel” e atualmente representada por “Carinha de Anjo”, também adaptação de uma história latina.

Quem acompanha o canal há mais tempo, no entanto, sabe que esse apelo à audiência mirim não chega a ser novidade. Nos anos 90, por exemplo, Silvio Santos incomodou a concorrência com a exibição de diversos folhetins destinados a esta faixa etária, que incluíram da primeira versão de “Chiquititas” a incontáveis títulos importados da mexicana Televisa – e diferiam muito do tom leve e divertido das produções atuais.

O RD1 selecionou a seguir alguns trechos um tanto quantos inusitados – e pesados – de obras que cativaram os baixinhos de outrora, na tela do próprio SBT ou de outras emissoras. Por aí, dá para a gente ver que novela infantil, nem sempre, é coisa de criança.

Daniela (Daniela Luján) desmascarou o assassino da própria mãe

“O Diário de Daniela”

A protagonista desta história da Televisa, produzida no México em 1999 e exibida no Brasil no ano seguinte, é Daniela (Daniela Luján), garota de dez anos que sonha em ser cantora e passa pelo trauma de ter a mãe, Leonor (Leticia Calderón), morta em um estranho afogamento.

Próximo à reta final da trama, Daniela encontra uma joia que era da falecida entre os pertences de Joel (Odiseo Bichir), funcionário de sua família, e conclui que foi ele quem assassinou Leonor. Para piorar, a garotinha é flagrada com o objeto em mãos pelo assassino, que a persegue disposto a matá-la, num sequência de tirar o fôlego!

Regina (Cecilia Gabriela) matou o pai de Silvana (Belinda)

“Cúmplices de um Resgate”

Logo nos episódios iniciais da novelinha mexicana produzida em 2002, a vilã Regina (Cecilia Gabriela) chocou a audiência infantil ao causar propositalmente um infarto no próprio marido, Orlando (Manuel Saval), revelando-lhe que Silvana (Belinda) não era sua filha de verdade. O objetivo da vilã era “apressar” a morte de Orlando para apossar-se da herança do milionário, o qual sofria do coração.

Adaptadora da versão brasileira de “Cúmplices”, Íris Abravanel providenciou mudanças para adequar esse trecho da história original ao formato mais leve das tramas infantis atuais. Orlando (Alexandre Barros) morreu de forma natural nos braços da filha de criação, Isabela (Larissa Manoela), sem desconfiar que Regina (Maria Pinna) o havia enganado sobre seu laço de sangue com a garota.

Terminou de forma trágica a amizade entre Bela (Angélica) e Órion (Eri Johnson) em “Caça Talentos”

“Caça Talentos”

A Rede Globo também já cometeu seus excessos quando o assunto é dramaturgia infantil. Em 1996, a apresentadora Angélica fazia o maior sucesso nas manhãs da emissora na novelinha “Caça Talentos”, onde interpretava a divertida fada Bela.

Um dos destaques do elenco coadjuvante, o ator Eri Johnson decidiu desligar-se do programa ao fim da primeira temporada. A saída encontrada pela produção foi matar o duende Órion, personagem do ator e melhor amigo da protagonista. E isso aconteceu com requintes de tragédia grega: Órion foi morto pelas mãos da própria fada Bela, que se viu obrigada a pôr fim à vida do próprio amigo para impedir que ele, vítima de uma maldição, se transformasse em um monstro perverso. Que horror, não?

Carlota (Alejandra Meyer) era uma diretora sádica

“Amy, a Menina da Mochila Azul”

À época de sua exibição no SBT, em 2004, a novela infantil “Amy, a Menina da Mochila Azul” conseguiu um êxito relevante, dobrando a audiência da faixa em que ia ao ar e chegando a frear o crescimento de sua concorrente direta, o fenômeno global “Da Cor do Pecado”.

No entanto, o ímpeto da Televisa para atrair a audiência por vezes passou do ponto. Como, por exemplo, na sequência em que a megera Carlota (Alejandra Meyer), diretora do Orfanato São Felipe, eletrocuta os pequenos internos da instituição. Ou no capítulo em que o vilão Cláudio (Alejandro Tommassi) prensa o engenheiro Sebastião (David Ostrosky) contra um trem para impedir que este revele seus crimes à polícia.

Mosca (Pierre Bittencourt) quase tentou o suicídio em “Chiquititas”

“Chiquititas”

Quem assiste à reprise da segunda versão de “Chiquititas” atualmente no SBT talvez nem imagine que a emissora já exibiu a mesma história em uma roupagem, digamos, bem menos “infantil”.

Em 1998, as crianças da época se comoveram com o drama do órfão Mosca (Pierre Bittencourt), vítima de uma grave doença nos ossos. Em dado momento, assustado com os prognósticos pessimistas de saúde, Mosca sobe em uma ponte e pensa abertamente em cometer suicídio – desiste, porém, ao encontrar uma garotinha, Rosa (Jéssica Nigro), afogando-se e resolver ajudá-la.

Outro momento chocante das “Chiquititas” originais se deu quando Miguel (Mateus Carrieri), o pai da protagonista Mili (Fernanda Souza), revelou ao amigo Fernando (Nelson Freitas Jr.) que seu rosto havia ficado desfigurado, por conta de um grave acidente aéreo. O rapaz usava máscara para cobrir sua verdadeira aparência – a qual, para total arrepio da garotada, chegava a se assemelhar à face de Freddy Krueger, monstro da série de cinema “A Hora do Pesadelo”.

Cassandra (Mariana Ávila) apavorou a doce “Carinha de Anjo”

“Carinha de Anjo”

A versão mexicana da atual novela do SBT, datada de 2001, ganhava toques de thriller com a chegada de Cassandra (Mariana Ávila), adolescente perturbada que acabava se tornando enteada da querida Tia Perucas (Nora Salinas). A garota disputava a atenção do pai, Noel (Juan Pablo Gamboa), com a madrasta e ficava especialmente enfurecida ao descobrir que esta lhe daria um irmãozinho.

Insandecida, Cassandra foi capaz de atirar Tia Perucas, grávida, escada abaixo e, não satisfeita, invadiu o hospital disfarçada de enfermeira para tentar dar cabo da inimiga. Ao final da trama, a jovem é submetida a um tratamento psiquiátrico e depois retorna, recuperada, aos braços da família.

O protagonista de “Serafim” era um anjo atrapalhado

“Serafim” 

Exibida pelo SBT com pouca repercussão, no ano de 2001, “Serafim” narrava a história de um anjo da guarda que, como castigo por suas travessuras, era enviado à Terra para cuidar do pequeno Zezinho (Jordi Landeta), um garoto com sérios problemas familiares. Por outro lado, a novela possuía um outro aspecto nada “angelical” no que dizia respeito ao núcleo vilanesco.

O principal antagonista era Lúcio Fernandes (Enrique Rocha), um homem misterioso que pretendia acabar com todos os anjos e escondia uma ligação com as “forças do mal” – seu próprio nome era uma alusão ao anjo caído. Um de seus cúmplices era Henrique (Rafael Rojas), a quem ele seduzia prometendo mundos e fundos e o qual acabava a trama na prisão, tendo os olhos literalmente arrancados por seu mentor – a quem, ainda assim, continuava jurando lealdade. Sinistro é pouco!

Salvador (Nicolás Pauls) cometeu suicídio para se livrar de João Cruz (Mariano Torre)

“Quase Anjos”

Exibida nas manhãs da Band, dentro de um bloco de desenhos animados, “Quase Anjos” foi produzida na Argentina e levava a assinatura de Cris Morena, a mesma criadora de “Chiquititas”, “Rebelde” e “Floribella”. A trama girava em torno de um grupo de crianças e adolescentes que se descobriam guardiões de um portal para outra dimensão, denominada Eudamon, e sofriam com a perseguição de uma corporação maligna, disposta a tudo para se apoderar daquele enigmático universo paralelo.

Ao final da história, descobria-se que o chefe da tal organização era João Cruz (Mariano Torre), espírito maligno que se apoderava do corpo de um dos protagonistas da saga, o bondoso Salvador (Nicolás Pauls), sem que este se desse conta. O último capítulo mostra Salvador cometendo suicídio, na tentativa de salvar a si e aos demais daquele perigoso inimigo invisível.

Antes desse desenlace trágico, porém, a “alma penada” da novela aprontou maldades bem pesadas, como manipular Thiago (Juan Pedro Lanzani), um dos guardiões, e fazê-lo assassinar o próprio pai, Bartolomeu (Alejo García Pintos). Filme de terror perde…

Maria Belém (Danna Paola) passou por maus bocados

“Maria Belém”

Nesta novelinha, que fez relativo sucesso nas noites do SBT em 2002, a personagem-título (Danna Paola) é uma garota órfã de apenas seis anos, cujo pai biológico, o jornalista Pablo (René Lavan), está à sua procura, ao mesmo tempo em que luta contra os crimes do mafioso Adolfo Serrano (Xavier Marc).

Ao longo da história, Serrano ordena o assassinato de vários de seus adversários, em cenas de violência completamente destoantes do tom lúdico proposto, e enterra suas vítimas no jardim da própria casa – embora nada explícito tenha sido mostrado nesse sentido. O mais chocante, porém, ficou mesmo por conta das maldades sádicas da vilã Úrsula (Maya Mishalska) contra Maria Belém, a quem chegava ao cúmulo de deixar amarrada a céu aberto durante uma tempestade.

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