10 momentos em que Silvio Santos investiu em “contra-programação” e se deu muito bem!

Silvio Santos, adepto da contra-programação, abandonou tática nos últimos tempos

Hoje, 14h45, tem estreia no SBT: o “Fofocalizando”, espécie de versão turbinada do “Fofocando”, arma de Silvio Santos na guerra contra a Record, que belisca a liderança e assegura a vice todo santo dia com a “Hora da Venenosa”, quadro do “Balanço Geral”. Não deverá haver confronto direto entre Fabíola Reipert e o time liderado por Leão Lobo e Mamma Bruschetta: já é sabido que a tentativa de combater o concorrente com um programa similar deu ruim. Desde agosto, o “Fofocando” vem passeando pela grade, buscando melhorar seus índices, sem êxito.

Agora, é de se estranhar que Silvio, grande adepto da “contra-programação”, tenha recorrido a este expediente, de tentar minar o inimigo usando da mesma tática. Grandes destaques de audiência de sua emissora vieram justamente do contraponto às atrações da concorrente. O RD1 listou 10 momentos em que Silvio Santos adotou tal estratégia e catapultou os índices do SBT.

Ivo Morganti e Christina Rocha no “Aqui Agora”

Em maio de 1991, no mesmo horário em que a Globo exibia as açucaradas novelas das seis e as engraçadinhas tramas das sete, o SBT lançou o telejornal popular “Aqui Agora”. No início, insucesso – era impossível concorrer com a reta final de “Barriga de Aluguel”, um dos folhetins de maior repercussão da década de 90. Mas com a estreia de “Salomé”, vieram os dois dígitos. A partir daí todas as novidades da Globo, às 18h e 19h, embora não fossem ultrapassadas, perdiam preciosos pontos – da aclamada “Vamp” à problemática “O Mapa da Mina”. Dizem que, como resposta, a emissora líder resolveu ambientar os primeiros capítulos de “Despedida de Solteiro” num presídio, trocando o gosto doce de seus folhetins pelo amargo cotidiano policial do noticiário…

Jandir Ferrari, Tarcísio Filho, Luciana Braga, Othon Bastos, Irene Ravache e Leonardo Brício em “Éramos Seis”

Quando reativou o núcleo de teledramaturgia do SBT, em 1994, Silvio Santos programou a trama de estreia, “Éramos Seis”, para exibição em dois horários, anunciados desta forma nas chamadas: “logo após “A Viagem” e reapresentação depois de “Fera Ferida””, novelas das sete e das oito da Globo. Surpreendentemente, o remake da novela de Rubens Ewald Filho e Silvio de Abreu registrava, em ambas as faixas, os mesmos índices – certamente, reflexo da concorrência com produtos avessos à dramaturgia, o “Jornal Nacional” e a linha de shows. “Éramos Seis” não chegou a liderar, mas cumpriu seu objetivo com louvor: indiscutivelmente, a novela do ano!

Carlos Massa, o Ratinho, em seu “Programa do Ratinho”.

Contratado a peso de ouro em 1998, Carlos Massa, o Ratinho, se tornou concorrente direto das novelas das oito. Seus índices sempre cresciam após o término da trama, mas é evidente que seu sucesso freou a guinada dos folhetins globais; principalmente, a de “Suave Veneno”, média mais baixa dos anos 90, que enfrentou casos como a suposta adoção da apresentadora Angélica e o sequestro de um dos irmãos de Zezé Di Camargo e Luciano – Ratinho chegou a propor que o público fizesse doações para auxiliar o pagamento do resgate via 0900. Com o tempo, o apresentador (para a sorte dele e a nossa) abandonou o “mundo cão”. Seu programa é hoje um dos mais rentáveis e de maior audiência da grade diária do SBT.

Silvio Santos à frente da “Casa dos Artistas”

Em 2000, a Globo estreou o “No Limite”, primeiro reality show produzido por uma emissora de TV aberta no Brasil. O êxito da empreitada levou à compra do “BBB”. Mas eis que, na surdina, Silvio Santos (que rejeitou a aquisição do formato) lançou sua “Casa dos Artistas”, num domingo, 28 de outubro de 2001. O “Fantástico” virou freguês – nos domingos, a “Casa” garantia seus melhores momentos com a interação do “patrão” e os confinados. Durante a semana, o barulho só não foi maior porque o público já havia embarcado na mistura kitsch de “O Clone”. O êxito rendeu processos da Globo, inúmeras matérias de jornal e a maior audiência da história do SBT: 47 pontos, com 55 de pico, na final que fez de Bárbara Paz a campeã do jogo.

Jared Padalecki e Jensen Ackles em “Sobrenatural”

No último trimestre de 2009, a direção artística do SBT remanejou o “SBT Brasil” para às 19h30 e programou as séries “Harper’s Island – O Mistério da Ilha”, e em seguida “Sobrenatural”, contra as novelas da Globo e os folhetins da Record. A audiência, em torno dos 4 pontos, saltou para 10! E “Bela, a Feia”, cartaz da emissora de Edir Macedo, virou freguês. A solução “nível Record”: programar a segunda edição de “A Fazenda” contra os caçadores de fantasmas e empurrar a novela para mais tarde. Deu errado! O SBT seguiu na vice-liderança. Após quatro temporadas de “Sobrenatural”, veio “Gossip Girl” – e a Record contra-atacou com “CSI”. A franquia policial inverteu o jogo e o SBT só resolveu seu horário nobre anos depois, com as novelas infantis.

“Bom Dia e Cia”, dos últimos remanescentes dos infantis na TV aberta

Falando em infantil… Em 2012, a Globo abriu mão de sua única atração neste segmento. A “TV Globinho” saiu do ar para dar espaço ao “Encontro com Fátima Bernardes” e o SBT passou reinar sozinho entre o público infantil que não possuía acesso à TV fechada. O “Bom Dia e Cia” foi, durante um bom tempo, pedra no sapato tanto da Globo quanto da Record, que alterou o “Hoje em Dia” no início de 2015, buscando recuperar a vice-liderança perdida. Na mesma época, “Carrossel” explodiu no horário nobre! Desta forma, Silvio Santos mantém uma plateia cativa desde cedo – é evidente que os telespectadores mirins de hoje lembrarão, no futuro, do tempo que passaram em frente à telinha do SBT…

Hermano Henning, à frente do “Jornal do SBT”

Exaustivamente reprisado durante toda a madrugada, o “Jornal do SBT” foi fundamental para o canal 4 manter uma média-dia que se equiparasse à da Record. Constantemente líder, o repeteco de notícias apressou a decisão da Globo de entrar no ar, ao vivo, a partir das 5h da manhã. Foi quando surgiu o “Hora Um da Notícia”, ancorado por Monalisa Perrone, substituindo as aulas do “Telecurso”, tradição matutina do canal desde o final dos anos 70. O canal ainda não se atentado para o hábito do telespectador, de ligar a TV cada vez mais cedo, algo que Silvio Santos já havia descoberto anos antes – e investido, ainda que com reapresentações.

Maite Perroni, estrela de “A Gata”

Para frear o crescimento do “Cidade Alerta”, comandado por Marcelo Rezende, o SBT tentou de tudo: de um telejornal com Neila Medeiros, “a única capaz de derrotar Datena e Rezende”, até uma precoce reprise de “Carrossel” e desenhos apresentadores pelo elenco de pequenos da novela. Nada funcionou. Até que resolveram recorrer aos sempre infalíveis folhetins mexicanos… Se não foram capazes de derrotar o policialesco de ponta-a-ponta, ao menos conseguiram diminuir consideravelmente a distância entre os dois canais. O êxito de “A Dona”, “Meu Coração é Teu” e “A Gata” determinaram a continuidade da faixa, que em breve terá “O Que a Vida me Roubou”, com Angelique Boyer.

Eliana no comando de seu dominical

O grande acontecimento político de 2016 não foi grande o suficiente para convencer Silvio Santos a derrubar sua grade dominical. Enquanto os deputados votavam a permanência ou não de Dilma Rousseff na cadeira da presidência da República, o programa “Eliana” exibia uma homenagem a Amado Batista. Foi a primeira vez no ano que Eliana conseguiu vencer a Record, com picos de até 14 pontos, com 11 de média. A Record minguou na terceira posição, com 7 pontos – a Globo chegou aos 33 no momento do último voto. Com a decisão, Silvio reforçou sua opção pelo entretenimento. E provar estar certíssimo “no que se refere”, como costumava dizer Dilma, à contra-programação.

“Clube do Chaves”, a arma contra o “Balanço Geral”

A última investida do “Homem do Baú” no gênero foi o lançamento – ou relançamento, como queiram, do “Clube do Chaves”, em faixa antes ocupada pelo “Fofocando”. Logo na primeira semana, o humorístico de Roberto Bolaños tornou-se a quinta maior audiência da casa. Deu tão certo – embora a tão sonhada vice ainda não tenha vindo – que o público reagiu negativamente à decisão de Silvio Santos de tirar Chaves e os seus do ar para dar um telejornal vespertino ao seu “queridinho” Dudu Camargo. Caberá ao “Clube do Chaves” continuar competindo com o “Balanço Geral” e entregar o horário em alta para o novo “Fofocando”. “Fofocalizando”, melhor dizendo…

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Duh Secco é “telemaníaco” desde criancinha. Em 2014, criou o blog “Vivo no Viva”, repercutindo novelas e demais atrações do Canal Viva. Foi contratado pela Globosat no ano seguinte. Integra o time do RD1 desde 2016, nas funções de repórter e colunista. Também está nas redes sociais e no YouTube (@DuhSecco), sempre reverenciando a história da TV e comentando as produções atuais.

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