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Anúncio de “A Padroeira” na TV Aparecida publicado em revista

Esta semana, a TV Aparecida deu início à divulgação de “A Padroeira”, produção da TV Globo que o canal católico (de programação laica) exibirá a partir de 17 de abril, em dois horários (às 19h e 22h30). Com um anúncio de página inteira na revista “Meio e Mensagem”, a emissora celebra a estreia da trama de Walcyr Carrasco, apresenta os principais nomes do elenco e sugere a continuidade da parceria inédita com a Globo ou o início de produções próprias em teledramaturgia, ao falar em “a primeira novela na TV Aparecida”.

Pensando numa eventual sequência de tramas globais na sétima emissora aberta mais vista do país, listei dez folhetins que falam de compaixão, devoção, empoderamento e superação, dialogando com a ideologia da TV Aparecida – e que dificilmente serão reprisados na Globo; apenas um dos listados já ganhou repeteco por lá. Fico na torcida para que esse acordo entre as duas emissoras continue, firme e forte, e para que estes títulos tenham chance!

Flávia (Letícia Spiller) e Frederico (Floriano Peixoto) em “Esplendor”

Ana Maria Moretzsohn concebeu “Esplendor” dentro do projeto “novela de verão”, que não passou da primeira experiência. Com o êxito da trama, abortou-se a ideia de ter um folhetim curto a cada verão, período em que a audiência, tradicionalmente, desaba – principalmente a do horário das seis. “Esplendor” contava a história de Flávia (Letícia Spiller), que, acusada de um crime que não cometeu, assume a identidade de uma amiga e se emprega como governanta na mansão Berger. Flávia se torna um feixe de luz dentro da casa, marcada pela escuridão desde a morte da matriarca, a controversa Elisa (Ângela Figueiredo). Apaixonado pela empregada, o viúvo Frederico (Floriano Peixoto) “volta à vida”, para alegria de seus filhos e de Adelaide (Cássia Kis), sua irmã.

João (Tarcísio Meira) e Rafael (Caio Blat) em “Um Anjo Caiu do Céu”

Em “Um Anjo Caiu do Céu” – favor não remeter ao trecho bíblico que trata por anjo decaído a figura do demônio –, João Medeiros (Tarcísio Meira) tem a oportunidade de se reaproximar da família e reparar os erros do passado, após sofrer um atentado, do qual é salvo pelo atrapalhado anjo Rafael (Caio Blat). Esta “segunda chance” permite que o fotógrafo ajude a primogênita Duda (Patrícia Pillar) a encontrar seu filho desaparecido, incentive a filha Virgínia (Deborah Evelyn) a retomar suas aulas de balé e conquiste a caçula Cuca (Débora Falabella), fruto de um relacionamento extraconjugal do qual João se arrepende amargamente. Uma fábula cômica que divaga sobre arrependimento, perdão e afeição à família, escrita por Antônio Calmon.

Tony (Guilherme Fontes) e Cristal (Sandy) em Estrela-Guia

O catolicismo não está presente na trama de “Estrela-Guia”, mas os preceitos que regem a sociedade de Jagatah, uma comunidade hippie, se equiparam aos difundidos pela Igreja Católica: a busca da paz, a celebração da amizade, a preservação da vida, a prática da fraternidade. Sandy esteve à frente deste enredo como Cristal, moça criada na pacata Arco da Aliança, que ao perder os pais se vê obrigada a mudar para o Rio de Janeiro. Na Cidade Maravilhosa, contrapõe seus valores aos de Tony (Guilherme Fontes), seu tutor e par romântico, ao mesmo tempo em que luta contra Daphne (Lília Cabral), gananciosa fazendeira que deseja tomar a área de Jagatah da jovem herdeira para explorar o veio de diamantes que existe ali.

Alexandre (Luigi Baricelli) e Diana (Letícia Spiller) em “Sabor da Paixão”

Tão em voga atualmente, o empoderamento feminino deu a tônica de “Sabor da Paixão”, onde Diana (Letícia Spiller) assumia o restaurante Flor d’Ouro, com o auxílio das outras cinco mulheres de sua família, após a morte do patriarca e responsável pelo estabelecimento, Miguel Maria (Lima Duarte). A estiva, no entanto, não fez de Diana menos “mulher”: seus ideais românticos ganharam forma quando conheceu Alexandre (Luigi Baricelli, galã de “A Padroeira”), filho de sua maior inimiga, Zenilda Paixão (Arlete Salles) – que tomou as terras que pertenciam a Miguel, lá em Portugal. “Sabor da Paixão” ainda tratava da importância de um lar estruturado para crianças adotadas, através do casal Luís Felipe (Cláudio Lins) e Branca (Vanessa Lóes).

Léo (Débora Falabella) em “Agora é Que São Elas”

“Agora é Que São Elas” também debatia o empoderamento feminino; porém, com mais humor, um pé no realismo fantástico e outro na crítica política. Ideia original do ator Paulo José, a trama de Ricardo Linhares era ambientada em São Francisco das Formigas, um distrito mais desenvolvido do que a cidade que o abrigava, Bocaiúvas, devastada pela administração corrupta de Juca Tigre (Miguel Falabella), grande amor do passado de Antônia (Vera Fischer). Ao lado da filha Léo (Débora Falabella), Antônia coordenava uma cooperativa só de mulheres que produzia artigos de couro. “Agora é Que São Elas” discutia assim o empreendedorismo, em voga nos programas da TV Aparecida, como o “Vida com Arte”, apresentado por Cláudia Pacheco.

Tião (Murilo Benício) em “América”

Novela de Glória Perez, “América” não discutia propriamente nenhum tema relacionado aos preceitos que regem a programação da TV Aparecida. Mas a crença de seu protagonista, Tião Higino (Murilo Benício), em Nossa Senhora ganhou destaque no terço final do folhetim. O peão se acidenta ao montar o touro Bandido e passa por uma experiência de quase-morte – uma “travessia” entre momentos de sua vida, o encontro com o pai já falecido, as passagens pelo inferno, purgatório e paraíso e a benção de Nossa Senhora (Taís Araújo). “América” ainda trazia o sonho americano de Sol (Deborah Secco, protagonista de “A Padroeira”), que se arrisca na fronteira entre México e Estados Unidos, onde planeja construir seu futuro.

Miguel (Murilo Rosa) em “Desejo Proibido”

A imagem da Virgem de Pedra, esculpida pela natureza dentro de uma gruta, é a responsável pela celeuma que divide os personagens de “Desejo Proibido”. Implodir a gruta representa o progresso da cidade, que instalará ali uma ferrovia, e a salvação financeira de Dona Cândida (Eva Wilma); Passaperto, contudo, cresceu em torno da devoção da santa, cultuada por Ana (Letícia Sabatella) e sua filha, Laura (Fernanda Vasconcellos), salva da morte pela Virgem de Pedra. Para investigar este milagre, chega à cidade o padre Miguel (Murilo Rosa). O problema é que o jovem não tem a vocação religiosa de seu padrinho, o pároco Inácio (Marcos Caruso) – lutar então contra o amor que nutre por Laura representa um esforço inútil para Miguel.

Zeca (Eriberto Leão) e Maria Santa (Nathalia Dill) em “Paraíso”

Em “Paraíso”, Mariana (Cássia Kis) incitava a população local a venerar sua filha, Maria Santa (Nathalia Dill). Acontece que o milagre atribuído à moça era atestado apenas por sua genitora. E Santinha, que temia pela clausura de um convento, acabou se apaixonando por Zeca (Eriberto Leão), perseguido pela alcunha de “filho do diabo”, por conta de uma lenda em torno de seu pai, Zé Eleutério (Reginaldo Faria), que havia prendido um filhotinho do “coisa ruim” numa garrafa. O romance se torna ainda mais impossível – se é que isso era possível – quando Maria Santa “cura” Zeca, preso a uma cadeira de rodas após montar (e cair) num rodeio. “Paraíso” é sertaneja como os programas de maior audiência da TV Aparecida; dentre eles, o “Terra da Padroeira”.

Rose (Camila Pitanga) e Verônica (Paolla Oliveira) em “Cama de Gato”

“Cama de Gato”, assim como “Um Anjo Caiu do Céu”, era centrada na redenção de seu protagonista, Gustavo Brandão (Marcos Palmeira), arraigado ao dinheiro e ao poder. Em um plano audacioso, Altino (Carmo Dalla Vecchia), seu sócio, o abandona em um deserto. Aproveitando-se da situação desesperadora em que o marido está, Verônica (Paolla Oliveira), articula sua morte; entretanto, o empresário escapa ileso e volta para o Rio de Janeiro, onde redescobre os valores humanos graças a Rose (Camila Pitanga), faxineira de sua empresa, outrora humilhada pelo agora ex-patrão. Primeiro texto autoral de Duca Rachid e Thelma Guedes, “Cama de Gato” é “mais forte” do que as demais tramas citadas aqui, devido às ações violentas de Verônica.

Pepe (Elias Gleiser) e seus netos (Luiza Curvo, Alexandre Lemos, Pedro Agum e Alessandra Aguiar) em “Era Uma Vez”

Reservei este último parágrafo para “Era Uma Vez…”, que já “valeu a pena ver de novo” na Globo e que, provavelmente, pintará no Viva um dia – caso a TV Aparecida não entre neste circuito. Dois destaques positivos do enredo de Walther Negrão: Frei Chicão (Diogo Vilela), padre franciscano que prega a humildade para os moradores de Nova Esperança e para sua família, capitaneada pela hilária Dona Santa (Nair Bello); e a relação de Pepe (Elias Gleiser), seu filho Álvaro (Herson Capri) e seus quatro netos, todos encantados pela babá Madalena (Drica Moraes) – Álvaro, especialmente. Com esta singela trama das seis, a Globo buscou agradar o público infantil; já Negrão comprovou, com três gerações de tempos diferentes no enredo, que sempre é hora de ser feliz.

 

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