A baixa audiência de “Máscaras” é culpa da Veja?

Giselle Itié, Petrônio Gontijo, Paloma Duarte, Miriam Freeland e Fernando Pavão; estrelas de "Máscaras"

Encontraram um “culpado” para a baixa audiência da novela “Máscaras”: a revista Veja. Por mais absurda que esta afirmação possa ser, há quem a alimente. É muito mais fácil culpar a Veja, o Ibope e o escambau do que se admitir um fracasso. A natureza humana não permite.

Este colunista que vos escreve viu tal “constatação” permear dia desses durante um debate que se formou em torno da audiência da trama no Twitter. Paloma Duarte, a Nameless, comentava sobre o texto de Lauro César Muniz no mesmo momento em que reportava comentários de fãs da trama. Alguns seguidores da atriz atribuíam à revista a baixa audiência da novela. Duarte ocupou-se a divulgar as explicações dos seguidores. Tudo, segundo estas pessoas, “porque a Record revelou as ligações entre Carlinhos Cachoeira e a Veja”. Seria engraçado se não fosse ingênuo.

O mesmo grupo de telespectadores/fãs mencionou o PIG (Partido da Imprensa Golpista), que “vem trabalhando para derrubar a Record, pois a audiência da emissora não pode desabar do dia pra noite”. Seria, segundo esse grupo, uma ação dos “barões da mídia” (Organizações Globo, Grupo Folha e Editora Abril) para “inibir o crescimento da Record”. Quando um simples debate chega a esta proporção, é passada a hora de uma reflexão sobre o assunto. Será a Record vítima de um complô do PIG? E “Máscaras”, a grande vítima da Revista Veja? Ó dúvidas cruéis.

No mesmo balaio adicionaram “Carrossel”, nova trama do SBT que vem obtendo médias entre 13 e 15 pontos na Grande São Paulo. A mais nova dor de cabeça dos bispos. Para o sucesso da novelinha, acharam um responsável: a imprensa, “que quando Carrossel estreou vivia cuspindo no folhetim e hoje se ocupa a elogiá-lo”.

Nesta semana, presenciamos também mais duas atrizes de “Máscaras” roubando a cena no microblog. Primeiro Luiza Tomé, a Geraldine da trama, pedindo para que a tirassem do elenco.  Depois, Giselle Itié, que dá vida a Manuela, questionando a seus seguidores o horário de exibição do folhetim.

Enquanto muitos se ocupam a criticar a imprensa, ou parte dela, o grande problema sequer é colocado em pauta. “Máscaras” tem um bom diretor, um ótimo elenco e um excelente autor, mas um texto dantesco. Muniz, que antes mesmo de sua trama estrear questionou se o público queria “ver lixão na TV”, em clara alfinetada ao colega João Emanuel Carneiro, autor de “Avenida Brasil”, da Globo, escreve um história que foge dos padrões dramatúrgicos do telespectador brasileiro. Por mais que o elenco e alguns “intelectuais” falem que o texto é uma obra-prima, ele não foi feito para o público que está em casa, sentando em frente à TV. Público esse que gera consumo, que se transforma em receita publicitária para emissora, que acaba pagando todos os profissionais envolvidos. O problema não está no PIG (não deixa de ser uma bela nomenclatura) e nem nos “barões na mídia”. A Record simplesmente está colhendo o que plantou: o desrespeito ao telespectador.

João Paulo Dell SantoJoão Paulo Dell Santo
João Paulo Dell Santo consome TV e a leva a sério desde que se entende por gente. Em 2009 transformou esse prazer em ofício e o exerceu em alguns sites. No RD1, já foi colunista, editor-chefe, diretor de redação e desde 2015 voltou a chefiar a equipe. Pode ser encontrado nas redes sociais através do @jpdellsanto ou pelo email jpdellsanto@rd1.com.br.
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