“Amor e Morte” passa a ser uma novela de Alcides Nogueira; entenda

Alcides-Nogueira
Alcides Nogueira passa a ser o autor titular de “Amor e Morte”

As primeiras notas a respeito de “Amor e Morte” atribuíam a autoria da trama à Bia Corrêa do Lago, desenvolvendo argumento de seu pai, o escritor Rubem Fonseca.

Pouco depois, surgiram informações a respeito de uma possível coautoria com Alcides Nogueira, tarimbado em matéria de novela, encarregado de auxiliar a novata na feitura da sinopse. No entanto, informações divulgadas pela jornalista Cristina Padiglione atestam: Alcides Nogueira é o autor de “Amor e Morte”, que acaba de entrar na fila de produção do horário das seis. Colaborando, Bia Corrêa do Lago e Tarcísio Lara Puiati.

Teria ocorrido com “Amor e Morte” o mesmo que ocorreu com “Liberdade, Liberdade”, inicialmente nas mãos de Márcia Prates, depois entregue a Mário Teixeira? Pode ser que sim.

Fato é que “Amor e Morte” está prevista para março de 2018, após a atual “Sol Nascente”, “Novo Mundo” e “Em Nome do Amor”, de Alessandra Poggi e Ângela Chaves – o título de uma, ou de ambas, provavelmente será alterado para evitar o excesso de “amor” na grade. Alcides Nogueira já trabalha nos trinta primeiros capítulos – depois destes, passará a contar com o auxílio de Bia e Tarcísio. A direção artística caberá a Jayme Monjardim, que já procura locações para a trama.

Já há sondagens para o elenco. Até setembro de 2017, Alcides deverá ter entregue todos os capítulos de “Amor e Morte”, ambientada aqui e em Portugal, entre 1886 e 1888. No enredo, figuras reais, como a Princesa Isabel e José do Patrocínio, que ajudam a contextualizar a abordagem da abolição da escravidão, numa trama encabeçada pelo casal lusitano Inácio e Maria Clara, que se desencontram quando desembarcam no Brasil e enfrentam uma série de provações até se reencontrarem.

A complexidade da produção exige tal adiantamento. Por ser de época, “Amor e Morte” não corre o risco de ficar datada. Mas também não poderá sofrer alterações caso a audiência degringole – o que é extremamente positivo, convém ressaltar, já que mudanças em prol dos números podem criar novelas-Frankenstein, como “Babilônia”.

Gravar todos os capítulos de uma novela foi por muito tempo procedimento padrão no SBT. Neste ano, a Record passou por uma experiência do tipo, com a bem-sucedida “Escrava Mãe”. Para a Globo, não é uma experiência nova. Em 1989, “Pacto de Sangue” estreou com quase todos os seus capítulos escritos, gravados e editados. Teria ido ao ar prontinha se o cronograma inicial fosse mantido – e “Top Model” estivesse estreado às 18h, em maio daquele ano, como pretendido inicialmente. “Salomé”, trama erroneamente atribuída à lista de novelas que estrearam prontas, foi lançada em 1991 em estágio avançado de gravações. Não deu muito certo – tanto que a Globo demorou quase nove anos para retornar às produções de época.

O fato de “Amor e Morte” estrear com todos os capítulos escritos, e possivelmente, gravados, indica um novo tempo na teledramaturgia da Globo. Silvio de Abreu, à frente deste departamento, implantou um cronograma bastante eficiente: novelas que devem estrear até 2018 – ou depois – já se encontram em análise. A medida certamente visa evitar roteiros falhos, cujo mote se esgote antes do capítulo 100; também, claro, nos custos de produção, já que com uma fila pré-estabelecida, podem otimizar o aproveitamento de cenários, figurinos e até elenco (embora a repetição, como vemos com Mariana Ximenes e Cléo Pires, em “Haja Coração” e “Supermax”, seja um risco destes novos tempos). Até agora, Silvio foi muito feliz no exercício de sua função.

Se “Velho Chico” não registrou índices satisfatórios, ao menos oxigenou o horário das nove; “Totalmente Demais” e “Haja Coração” bateram números que não eram vistos na faixa das sete desde 2012; “Eta Mundo Bom!” foi o maior fenômeno das seis dos últimos anos; e até “Malhação” tem atingido bons índices.

É óbvio que para outras medidas tomadas pelo departamento de dramaturgia, com Silvio à frente, não poderão ser avalizadas pelo público: o cancelamento da novela das nove de Duca Rachid e Thelma Guedes, a sinopse engavetada de Rui Vilhena ou mesmo a titularidade de Bia Corrêa do Lago em “Amor e Morte”, caso as primeiras notas da novela estivessem realmente certas. Mas há de se confiar no faro de Silvio de Abreu. Assim como há de se confiar na habilidade de Alcides Nogueira. E de torcer para o êxito de “Amor e Morte”.

Duh Secco é “telemaníaco” desde criancinha. Em 2014, criou o blog “Vivo no Viva”, repercutindo novelas e demais atrações do Canal Viva. Foi contratado pela Globosat no ano seguinte. Integra o time do RD1 desde 2016, nas funções de repórter e colunista. Também está nas redes sociais e no YouTube (@DuhSecco), sempre reverenciando a história da TV e comentando as produções atuais.

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