Camila Pitanga, Gloria Pires e Adriana Esteves protagonizam "Babilônia"
Camila Pitanga, Gloria Pires e Adriana Esteves protagonizam “Babilônia”

Se você é daquela turma reacionária, austera e repressora pare por aqui mesmo! Este artigo nada mais é do que uma profanação ao descaramento textual, uma libertinagem em forma de versos, um atentado à tradicional família brasileira instaurado parágrafo após parágrafo. Mas, no fundo, um amontoado de verdades. E elas doem, né?

Vinte capítulos depois, é possível sentir o pulso de “Babilônia” sem cometer injustiças ou exagerar na pujança. Ousada, a trama do trio Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga não tem pretensão de apenas colocar o dedo na ferida. Não mesmo! O enredo chacoalha a cabeça de seus telespectadores sem qualquer cerimônia.

Uma vilã viciada em sexo, o que denota um bom gosto ímpar. Outra não menos cretina fincada na inveja, com traços tão normais quanto de quem está em frente à TV. E uma mocinha tão mocinha que irrita. O triângulo de protagonistas do folhetim é defendido por Gloria Pires, Adriana Esteves e Camila Pitanga, as duas primeiras em posições arrebatadoras.

Há ainda um herói disposto a salvar a pátria de qualquer mazela. Típico do gilbertobraguismo. Fosse noutra província, seria levado a sério. E os aglomerados que permeiam esse quarteto. Têm Fernanda Montenegro, Nathalia Timberg, Cássio Gabus Mendes, Bruno Gagliasso, Sophie Charlotte, Marcos Palmeira, Arlete Salles, Chay Suede, Marcos Pasquim, Gabriel Braga Nunes, Maria Clara Gueiros e outros tantos.  São personagens ainda em formação, o que é compreensível dada a quantidade de capítulos exibidos.

Homofobia, racismo, divisão de classes, prostituição, violência, intolerância religiosa etc. O texto afiado faz da história uma lança apontada para o seu público. As provocações não são poucas. Os entrechos que ligam uma “Babilônia” à outra passam longe da suavidade. A trama entrou em cena com a disposição de discutir alguns temas, outrora superados pela sociedade puritana brasileira. Caiu em desgraça ao promover, mas que escracho!, um beijo entre duas senhoras – isso porque não se tocaram que elas ainda transam. Imaginem só! Afinal, o amor só dura dos 15 aos 50 anos, assim como o sexo. Teria errado também ao apostar numa ninfomaníaca e em cenas violentas. A plateia não curte isso. Abandonar uma criança no lixão ou um recém-nascido numa caçamba de lixo até vai.

E qual seria o caminho? A Globo bateu em retirada. Curvou-se diante de um naco conservador da sociedade, que condena o que chama de promiscuidade promovida pelo canal. Mudanças já são sentidas no som e na fotografia da produção, que suavizará temas e coibirá personagens e núcleos indigestos.

Uma pena. A emissora, em pleno ano do seu cinquentenário, perde uma grande oportunidade. Era o momento de peitar convicções e pensamentos mancos, comprar a briga, ainda que custasse uma novela com 25 pontos em plena faixa das 21h. De um lado, a tradicional família brasileira, que teme ser corrompida ao final de cada capítulo – sim, porque é bem provável que um pai de família saia na rua no dia seguinte e agarre o primeiro par de calças que atravessar o seu caminho. Do outro, estão aqueles, que torcem por uma sociedade menos sectária e cínica, que venha a optar por um abraço a um soco. Por um afago a um esporro. Por um beijo a uma cuspida. Por um aperto de mãos a um empurrão. Quem sabe daqui a alguns anos.

Como estas palavras não devem ter estremecido a sexualidade de ninguém, ficam aqui as minhas saudações, já que beijo e abraço não podem.

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