Vitória de Emilly representou mais força de fã-clube do que “vontade soberana” do público.
Vitória de Emilly representou mais força de fã-clube do que “vontade soberana” do público.

Morreu o menino BBB. Prestes a atingir a “maioridade” – ano que vem, teremos o 18 – o reality-show mais assistido do país chegou ao fim da 17ª temporada ontem (13) fazendo de Emilly, uma das mais questionáveis  participantes de toda a história do programa, a grande campeã. E quando digo “fazendo” é no sentido de fabricar, sim. Afinal, o resultado da atração este ano é proveniente de uma edição tendenciosa, da frouxidão da direção e de um sistema de votação derrotado por fã-clubes.

Até o apresentador Tiago Leifert, estreando na função, deixou isso bastante claro quando citou as “torcidas organizadas” no discurso de eliminação de Ilmar: “Polarização é uma coisa muito grave porque ela nunca está certa. Por que um lado só enxerga as qualidades, o outro lado só os defeitos”. De fato, a torcida de Emilly ignorou todos os (muitos) defeitos da sister. Faltou, no entanto, a mea-culpa da produção, representada por Leifert: para levar adiante a “novelinha” BBB, muitos deslizes de Emilly e de seu companheiro, Marcos, também foram relevados. E poucos pecados dos demais participantes elevados à potência máxima.

Diante da necessidade de fazer audiência, o BBB17 jogou fora sua principal missão: reinventar um formato já desgastado, a começar pela substituição de Pedro Bial, dando um viés de “game” intrínseco ao perfil do novo apresentador e apostando em figuras díspares entre os confinados. Terminou por apostar no óbvio, na relação “casal x casa”. E acabou “traído” pelo comportamento explosivo do par. A realidade do Mr. Edição não condizia com a da “vida real”, mola propulsora do reality de confinamento. A conferir:

Gabriela Flor, primeira eliminada do BBB17; participação da sister nada acrescentou ao programa.
Gabriela Flor, primeira eliminada do BBB17; participação da sister nada acrescentou ao programa.

Lá na primeira semana, a ineficiência de Gabriela Flor como competidora deu o tom do programa. Um prenúncio de marasmo? Nada disso… Indicada pela casa, Gabriela deu adeus ao jogo ao enfrentar Marcos, cirurgião plástico metido a galã, alvo das líderes Mayara e Vivian, que logo nas primeiras conversas notaram o machismo do “Doctor”. Um desentendimento entre Mayara e Emilly mandou a primeira para casa no paredão seguinte. E os desdobramentos desta votação pareciam indicar um BBB diferente…

Como Mayara, a turma mais jovenzinha de idade – e de conteúdo limitado – parecia ter vida curta dentro da casa mais vigiada do país. Luiz Felipe se meteu a intimidar uma senhora de 70 anos, Ieda; foi severamente castigado pela casa e pelo público. Manoel, gêmeo de temperamento agressivo e bastante dependente da “namorada” Vivian, também perdeu força. Mas conforme as figuras controversas (os mais novos) caíam fora e  os mais centrados (experientes) se mantinham, o conteúdo minguava. Foi quando a edição passou a dar aquela “mãozinha”. E o país passou a ver um programa; a direção assitia outro e o fã-clube se encarregava dos votos.

Roberta mentiu descaradamente e comprometeu a divertidíssima Elis Nair (com a pós-eliminação mais incrível do jogo); como estratégia de defesa, Elis se meteu a conchavos e fofoquinhas e foi tachada pela edição de “agente do caos”, como se fosse a única a articular votos – Roberta foi eliminada após se indispor com Emilly, a queridinha. Já esta contribuiu para a indicação de Marcos ao paredão na terceira semana e, assim como a edição, “esqueceu” deste fato dias depois, quando seu relacionamento com o médico tornou-se vital para sua permanência na atração. Passaram a adular as “crianças” e a fazer dos “maduros” vilões.

A divertida Elis Nair: jogo solitário tratado como mero “veneno” pela edição.
A divertida Elis Nair: jogo solitário tratado como mero “veneno” pela edição.

A convivência com Emilly e Marcos, juntos ou sozinhos, se tornou nociva para os demais participantes. Os dois não se entendiam – dificilmente se entenderão –, mas o apetite sexual e o jogo de casal os mantiveram lado a lado, praticamente até o fim. Quem se opunha a eles virava alvo fácil do roteiro tendencioso. Frases isoladas de Rômulo eram jogadas ao vento com uma sonoplastia que remetia às vilãs de novelas mexicanas. E, embora coerente, o diplomata acabou defenestrado num paredão que contou com um discurso de um melindrado Tiago Leifert, incomodado por suas palavras na eliminação de Roberta terem sido questionadas pelo confinado – foi muito bom ter a “novelinha” exibida ao público vista com clareza pelos participantes.

Apenas Ilmar abençoou a união – e, tarde demais, percebeu que jogar sozinho talvez fosse mais eficaz do que enaltecer os pretensos campeões. Enfrentando Marcos na berlinda, padeceu com a fúria do ex-amigo, numa clara tentativa de desestabilizar o adversário. Marcos mentiu deslavadamente, expondo um pré-adolescente de treze anos e os bastidores do BBB17. O comportamento desafiador do brother, que já havia intimidado a produção outra vezes, implicou num imbróglio que levou Leifert a desmenti-lo no “ao vivo”. Apenas uma amostra do que ainda estava por vir…

Tarde demais para se arrepender: incentivador do casal, Ilmar acabou defenestrado por Marcos.
Tarde demais para se arrepender: incentivador do casal, Ilmar acabou defenestrado por Marcos.

No dia seguinte, Marcos se “desculpou” com a casa, após horas no confessionário em contato com a equipe do programa e após ter guardado papeis higiênicos sujos para atirar no rival – “isso a Globo não mostra”, convém ressaltar. Uma investida do cirurgião plástico para se “reaproximar” de Ilmar foi apresentada por Leifert como “cruzada pelo perdão”. O texto e os VTs falavam de um Marcos; nós aqui fora continuávamos vendo outro. E assim o programa seguiu até que ele partisse com virulência para cima de Emilly. A realidade, representada por autoridades policiais, destruiu a fantasia.

E o BBB17 virou caso de polícia. E de Procon. Prometeu a diferença, entregou mais do mesmo. Mudou de novo o esquema de votação, mas foi, assim como em anos anteriores, vencido por um fã-clube (que antes premiava os “coitadinhos”, hoje adula os egocêntricos). Se viu acuado por um participante – e pelo que fez deste, “passando a mão na cabeça” a cada novo episódio contraditório, fosse nos VTs complacentes ou nos “espirituosos” comentários de Tiago Leifert. E fez da favorita das “torcidas organizadas” a campeã. Podem até dizer que Emilly foi a protagonista desta edição. Convém lembrar que nem sempre a protagonista é a melhor personagem… Pois é, alguém traz o desfibrilador porque essa primeira tentativa de reanimar o “Big Brother Brasil” fracassou.


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