Chapecoense: a dor da tragédia e a comoção da imprensa

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Encerramento do “JN” foi emocionante. Salva de palmas reverenciou a memória das vítimas

Se, no campo do futebol, clubes brasileiros já planejam maneiras de homenagear a Chapecoense – além de disponibilizar meios para que o time reconstrua sua base de atletas, através da cessão gratuita de jogadores -, outro setor também foi especialmente impactado pela tragédia que abalou o país.

Ao longo de toda a terça-feira (29), vários jornalistas externaram sua comoção pela perda dos colegas de imprensa que estavam a bordo da aeronave que caiu na Colômbia. Os sinais de que esta não seria uma cobertura fácil foram dados logo pela manhã por Luís Ernesto Lacombe, que participava ao vivo do “Bom Dia Brasil”.

“Pra mim está sendo muito difícil. Eu estava ao vivo nos atentados de 11 de setembro dos Estados Unidos, mas essa cobertura envolvendo meu mundo, meu universo, pessoas que eu conheço. Morei em Santa Catarina por cinco anos, conheço a região”, admitiu o jornalista que, em determinado momento, entregou-se ao choro nos braços de Chico Pinheiro.

Menor vontade de narrar

Ainda na Globo, Galvão Bueno foi outro que abandonou o protocolo. Com a voz embargada, o narrador deixou transparecer toda a sua emoção. “Não dormi, estou chocado. Quantas vezes estivemos juntos falando sobre futebol, alimentando esperanças com a nossa seleção. Eu diria que é um dos momentos mais difíceis desses meus 42 anos de carreira. Lembro imediatamente do acidente de Ayrton Senna”, disse o locutor à Fátima Bernardes.

Contudo, o trecho mais contundente de seu depoimento ficou para o final. “Eu confesso uma coisa à você, Fátima. Eu não tenho a menor vontade de fazer um jogo de futebol neste ano”, disse, emocionado.

O clima de consternação também tomou conta do Fox Sports. Além do Grupo Globo, da RBS e imprensa local, havia uma equipe do canal no trágico voo. “Nós estamos aqui extremamente emocionados nesse trabalhado de cobertura, mas mas claramente muito tristes também pela perda dos nossos amigos daqui dos canais Fox Sports, que estavam junto com o time da Chapecoense para a cobertura”, contou o narrador Nivaldo Prieto.

Admiração ao técnico Caio Júnior

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Mauro Naves reviu Caio Júnior no último domingo, quando cobriu o jogo do Palmeiras

Técnico da Chapecoense, Caio Júnior foi lembrado com carinho por, pelo menos, dois profissionais. Mauro César Pereira, comentarista da ESPN Brasil, desabafou. “‘Conheci Caio Júnior. Choramos por ele, jogadores, funcionários, dirigentes da Chapecoense, companheiros da imprensa e todos que se foram no voo. Paulo Júlio (Clemant), amigo há 25 anos, duro saber que nunca mais lerei aquela sua mensagem: ‘Saudades de nossos papos naqueles almoços com o amigo'”, escreveu em suas redes.

Quem também fez questão de enaltecer o treinador foi o repórter Mauro Naves, da Globo. “No domingo, eu estava louco para dar um abraço no Caio Júnior, porque gosto muito dele e ainda não tinha o encontrado nesta campanha. Cheguei no estádio pensando nisso. Mas daí com o Palmeiras sendo campeão, aquela coisa toda, acabei não vendo o Caio. Daí uma hora e meia depois do jogo, estava sentado e ele chegou com aquela voz e disse ‘há quanto tempo Mauro’. Dei um abraço e desejei bom trabalho. Dei uma abração”, relembrou.

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André Rizek se emocionou no SporTV

Inúmeras manifestações mereceriam registros aqui, mas, por uma questão de espaço, vamos mencionar só mais uma, talvez a mais forte, porque é a prova cabal de que, em momentos como este, o caminho é a união. Qualquer rivalidade deve ficar em segundo plano; como demonstrou o apresentador do SporTV, André Rizek. Mesmo abalado, ele foi profundamente sensível ao atender a sugestão de um internauta.

“Com lágrimas nos olhos, eu quero dizer o seguinte: um rapaz que tuíta como ”SPFC Mais” sugere que a gente mostre a defesa do Danilo que deu vaga pra final, narrada pelo Deva Pascovicci na Fox [um dos jornalistas mortos na tragédia], com imagem da Fox, transmissão da Fox. Vou pedir licença aos amigos da Fox. Eu sei que num dia normal eu teria que pedir autorização do jurídico da Fox pra fazer isso, vai ter o logo da Fox, narrador contratado da Fox, mas eu sei que hoje somos todos, juntos nessa tragédia e…deixo vocês com Deva Pascovicci, da Fox, narrando a classificação da Chape”.

Se me pedissem para resumir toda a consternação em poucas palavras, não hesitaria em pegar emprestada uma frase do repórter Eric Faria, para o “Jornal Nacional”: “Desta vez, doeu ser a notícia”.

Por conta da cobertura, as TVs fizeram alterações em sua grade: a Globo, por exemplo, cancelou as os jornais locais matinais, além de “Mais Você” e “Bem Estar”. “Jornal Hoje” e “Jornal Nacional” também tiveram edições mais longas que o habitual. O principal telejornal do país, aliás, teve um encerramento histórico: toda a redação, de pé, em uma salva de palmas em homenagem à memória daqueles que nos deixaram tão precocemente. Lindo e emocionante!

#SomosTodosChape

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