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Com Silvio Santos à frente, SBT deveria ser considerado um parque de diversões, não uma emissora

João Paulo Dell Santo 21:00 :: 09/01/2017
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Silvio Santos faz do SBT seu brinquedinho

Aos 86 anos, Silvio Santos voltou a apitar com tudo na programação do SBT. A famigerada grade voadora mais uma vez se faz presente no dia a dia da emissora.

Como boa parte dos empresários, Silvio tem problemas em lidar com seus próprios erros. É mais fácil culpar fatores externos ou executar planos mirabolantes para amenizar o malfeito cometido. E tem sido assim desde a criação do malsucedido “Fofocando” – a movimentação lembra o surgimento da primeira versão do “SBT Notícias”, à época apresentado por Neila Medeiros, “a única jornalista capaz de enfrentar Datena e Marcelo Rezende”.

Narcisista, Silvio faz questão de escrever até mesmo o texto das chamadas de suas criações. Quem não se lembra do memorável aviso “Depois de A Favorita, troque de canal e veja Pantanal”?.

Chaves, por exemplo, já saiu e retornou ao ar na mesma proporção que o comunicador atirou aviõezinhos para o seu auditório. Aliás, o seriado mexicano é a bola da vez. Exibido desde o último dia 2 na faixa das 13h45 às 14h45, o programa criado por Roberto Bolaños elevou a faixa de 5 para 8 pontos. Mas, aos olhos de SS, isso pouco importa, daí a notícia da volta do “Primeiro Impacto” com Dudu Camargo.

Silvio faz do SBT seu parquinho de diversões. Troca apresentadores de telejornais, muda horários de atrações, encurta novelas, escala filmes, espicha reprises… Tudo sem levar em conta o comitê artístico formado por profissionais gabaritados e sua própria filha. Aliás, é de corar as bochechas o constrangimento ao qual esses executivos e os artistas são submetidos diariamente.

SS age conforme seu humor. Adriane Galisteu, um dos maiores alvos da instabilidade emocional do patrão, teve o horário do seu programa, o “Charme”, trocado mais de uma dúzia de vezes. O mesmo se deu com o “Programa do Ratinho”, que chegou a desfrutar de “férias prolongadas” entre 2006 e 2009.

Ao insistir no nome de Dudu, um dos melhores dançarinos do canal, Silvio joga contra o jornalismo da própria emissora. Primeiro porque ao mesmo tempo que cede espaço ao pupilo, envia uma grife do tamanho de Hermano Henning para a geladeira. E segundo porque não demonstra qualquer preocupação com o segmento e o mantém por pura obrigação.

O SBT é um caso único de TV. É a mais admirada e querida por telespectadores, publicitários e funcionários, muito em razão da associação que se faz entre criador e criatura. Mas Silvio, doa a quem doer, é um mal que assola o SBT. Como diretor de programação informal, SS faz a festa da concorrência. Globo e, principalmente, Record deveriam cultuá-lo devido à “gentileza”.

A troca de “Chaves” pelo “Primeiro Impacto”, além das alterações previstas para os sábados e domingos, a partir de março, são apenas o começo deste ano movimentado na Anhanguera. A sorte do SBT é que a Band enfrenta uma crise sem precedentes, e a RedeTV! ocupa-se em contar vantagens sobre Cultura e Gazeta. Ainda assim, até a terceira colocação é indigna. Não dá para levar a sério!


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