Conheça a história da TV e da santa eleita pelo Papa como sua padroeira

Família em frente à TV: a tradição é antiga...
Família em frente à TV: a tradição é antiga…

Esta pode parecer uma segunda-feira qualquer, mas, na verdade, é o dia de celebrar a existência do membro honorário de milhões de famílias: a televisão.

Nos últimos anos, o mundo testemunhou o surgimento dos tablets, o boom dos aparelhos celulares e o crescente fascínio humano pela internet. A informação se tornou mais rápida, as distâncias se encurtaram e a comunicação sofre revoluções diárias.

Nenhum desses fatores, porém, impediu a TV de manter cativo o seu espaço, que, graças à tecnologia, deixou de ser a estante e passou a ser a parede. Mais “magra” e cada vez mais repleta de recursos, a televisão vê sua audiência minguar, mas parece ainda ter fôlego para muitos outros aniversários.

O RD1 preparou uma matéria especial sobre o surgimento da TV, sua disseminação no Brasil e a revelação de um fato curioso: você sabia que um antigo Papa outorgou a uma Santa o posto de “padroeira” da TV devido a um milagre? Confira:

A Criação

A primeira transmissão de TV da qual se tem notícia ocorreu no dia 26 de fevereiro de 1926 num evento realizado no interior da Academia de Ciências Britânicas, sem que o grande público tivesse acesso ao momento histórico.

Na década seguinte, a televisão recebeu investimentos da Alemanha, na época governada por Hitler, que disponibilizou vinte e dois aparelhos em salas públicas. Estas TV’s já traziam uma grande inovação: a imagem possuía poucos borrões e qualidade infinitamente superior à anterior.

Após o fim da Segunda Guerra e seus desdobramentos na economia mundial, a TV se popularizou ainda mais na Europa, deixando de ser um artigo exclusivo para milionários.

Nos anos seguintes, o crescimento não mais foi interrompido e a tecnologia da área avançou rapidamente, permitindo que a TV a cores fosse criada nos EUA em 1954.

Um dos antigos programas da TV Tupi
Um dos antigos programas da TV Tupi

Os primeiros passos no Brasil

No Brasil, a televisão estreou no dia 18 de setembro de 1950 através de uma histórica transmissão da TV Tupi, o canal 3 da época, que contou com a presença da atriz Lolita Rodrigues.

Em seus primeiros anos por aqui, porém, o aparelho era um privilégio para pouquíssimos e tê-lo em casa era um atestado de riqueza.

A nova mídia encontrou grandes dificuldades para conquistar a preferência do público, já habituado com o rádio. Para que o gênero bilionário que existe atualmente viesse a existir, foi necessário criar um novo mercado que desafiou os profissionais de comunicação da época.

Acostumados a produzir conteúdo para o rádio, diretores, produtores e redatores precisaram entender que era necessário criar uma nova linguagem, completamente diferente da antiga, para evitar que a nova mídia fosse apenas “o rádio na TV”.

Com o tempo, grandes invenções como os programas de auditório e as novelas (ambos inspirados no rádio) começaram a se tornar peças-chave do cotidiano do público brasileiro, que, com alguns anos de atraso em relação à Europa, começou a se reunir no sofá.

Santa Clara, a Patrona da Televisão
Santa Clara, a Patrona da Televisão

A Padroeira

O Dia Nacional da Televisão é comemorado hoje devido à Santa Clara, “proprietária” original da data, que passou a ser dividida desde que a santa foi aclamada como a padroeira da TV.

Este fato inusitado ocorreu em 1958, quando Santa Clara foi declarada patrona da televisão pelo Papa Pio XII, que decidiu homenagear o dia em que Clara não pôde ir à Missa de Natal por estar doente, mas a assistiu de forma milagrosa de dentro do quarto, como se uma “televisão” oriunda do céu tivesse surgido em sua parede.

Felipe Aquino, teólogo e palestrante, comentou o relacionamento da Santa com o veículo em entrevista à Canção Nova, emissora de TV católica. “Embora ela tenha vivido naquele mosteiro, ela irradiou pelo mundo um amor à Igreja e à oração, por isso os papas modernos acharam que a televisão deveria fazer o mesmo, irradiar esta luz que Santa Clara difundiu, como a verdade, o bem e aquilo que constrói a pessoa”.

Dinâmica, antenada e até abençoada, a TV comemora um novo dia com grandes chances de, tal qual a memória de sua padroeira, jamais ser esquecida e se manter intacta, não obstante as mudanças ao seu redor.

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Arthur Vivaqua é um apaixonado pela TV, e por Cultura em geral. Ele acredita que pequenas coisas podem gerar grandes reflexões. Arthur já foi editor-chefe e repórter especial do RD1, para onde volta como colunista. Fale com ele através do @ArthurVivaqua no Twitter ou no arthurvivaqua@rd1.com.br.