"Esperança" (2002) foi a última novela de época da faixa das 20h
“Esperança” (2002) foi a última novela de época da faixa das 20h

Das últimas sessenta novelas produzidas pela Globo em suas faixas tradicionais, apenas onze eram de época. Destas, nove foram exibidas na faixa das 18h, uma às 19h e a outra no horário das 20h.

Nos últimos anos, a emissora diminuiu consideravelmente o espaço dado aos folhetins que retratam tempos antigos e sucessos como “Terra Nostra” (1999) e “Chocolate com Pimenta” (2003) parecem cada vez mais longínquos.

Além disso, muitas das últimas novelas de época exibidas pela Casa figuraram entre as menores audiências da história de suas respectivas faixas e algumas delas, embora tenham sido laureadas pela crítica, passaram quase despercebidas pelo público.

Atentas à tendência, os canais têm apostado em folhetins de época cada vez mais ‘jovens’, como “Pecado Mortal” (2013) e “Boogie Oogie” (2014), ambas ambientadas nos anos 70.

Por que, no entanto, tramas do gênero estão perdendo prestígio e espaço? Numa reportagem especial, o RD1 explica o que os telespectadores, o departamento financeiro das emissoras e até mesmo o mercado publicitário têm a ver com esta realidade.

Confira:

"Terra Nostra" (1999) foi um dos maiores sucessos do gênero de época
“Terra Nostra” (1999) foi um dos maiores sucessos do gênero de época

1) A lentidão dos acontecimentos

Na ‘Era do Instagram’, novelistas têm encontrado dificuldade para prender a atenção dos telespectadores através de conflitos que aconteçam de forma lenta e gradual.

Como, por exemplo, retratar uma troca de farpas através de uma carta numa época em que as indiretas são enviadas via WhatsApp? Limitações dramatúrgicas como esta são o cerne da ameaça à sobrevivência das novelas de época.

A imensurável diferença entre nosso atual estilo de vida e o de outrora tem afetado o interesse do público, ávido por tramas ágeis que possuam cenas de ação e efeitos de computação gráfica.

Por geralmente prezarem por enredos cujo foco são os relacionamentos interpessoais, os folhetins de época foram rotulados como “lentos” e, na avaliação de muitos, já não se enquadram ao perfil da audiência do horário nobre.

Novelas que se passam em tempos antigos também restringem o uso de temas espinhosos da atualidade, o que pode causar um excesso de ‘água com açúcar’ que, em outros tempos, garantia o sucesso, mas que na geração dos apressados pode ser sinônimo de fracasso.

"Lado a Lado" (2012) foi aclamada pela crítica, mas rejeitada pelo público
“Lado a Lado” (2012) foi aclamada pela crítica, mas rejeitada pelo público

2) O alto custo de produção

Se uma novela comum chega a custar cerca de R$ 500 mil por capítulo, uma trama de época pode ser ainda mais cara. “Joia Rara” (2013), por exemplo, gastava R$ 800 mil a cada dia de exibição.

Exemplos como este são frequentes, já que o cuidado exigido com cenários e figurinos se converte em cifras bilionárias que elevam o custo de produção de folhetins do gênero e, consequentemente, desanimam as emissoras.

Quando produzidas com excelência, novelas de época demandam externas, figurantes e caracterizações que diminuem o ritmo das gravações, tornando-as mais lentas e trabalhosas, fator que costuma desagradar elenco e direção.

Tais dificuldades fazem com que uma sinopse de época já ‘nasça comprometida’ por problemas que não são captados pelo público, mas nunca passam despercebidos pelos cofres dos canais de TV.

"Joia Rara" (2013) optou por uma época mais recente, mas ainda assim enfrentou adversidades
“Joia Rara” (2013) optou por uma época mais recente, mas ainda assim enfrentou adversidades

3) A ausência de merchandising

Cenas rápidas como aquela na qual a mocinha da trama aparece indicando shampoo para a sua melhor amiga são as maiores fontes de renda de uma novela.

Ações de merchandising inseridas no cotidiano dos personagens são vendidas pelas emissoras a preços exorbitantes, mas acabam sendo excluídas, por motivos óbvios, dos folhetins de época.

Sem esta importante fonte de faturamento, as novelas que se passam em tempos antigos acabam seduzindo menos o mercado publicitário, que volta suas atenções para outros produtos nos quais suas marcas possam ter maior visibilidade.

Ciente deste problema incontornável, os departamentos comerciais das emissoras de TV precisam intensificar o seu trabalho para conseguir fazer com que as tramas de época lucrem na margem esperada pela Casa.

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