Domingos Montagner me tirou o rumo, o prumo e a lógica!
Domingos Montagner (1962-2016)

Parecia uma quinta-feira normal. Parecia.

Entre um power point e outro, o primeiro choque: Leo Dias compartilhava a seguinte notícia em seu perfil no Twitter: “Santo da novela “Velho Chico” desaparece durante mergulho em Canindé de São Francisco (SE)”. Eram 15h22.

Tenso, logo procurei os colegas Gilvan Marques e Leonardo Azzali atrás de mais informações. Nada sabiam. Eram 15h29.

Perplexo com as primeiras notícias desencontradas, Breno Cunha me chamava inbox. Eram 15h37.

Inquieto, fui atrás de outro amigo, Jeferson Cardoso, que, assim como eu, oscilava entre a apreensão e o desespero. Eram 15h49.

O inbox voltava a alertar: novas mensagens. Duas amigas assessoras me questionavam sobre o assunto e criticavam a posição de um site, que, logo no início, cravou a morte do Domingos Montagner. Eram 15h58.

A pressão oscilava. Pico de 15. Ligo a TV na Sonia Abrão. A consternação tomava conta da jornalista e de dois convidados, Márcia Piovesan e Guilherme Beraldo. Eram 16h02.

Sou convocado para uma reunião sobre as novidades do RD1. Entreguei a árdua tarefa de checar novas informações a Leonardo. Entre um questionamento e outro de Renato Moreira, fixava o olhar na TV. Eram 16h19.

Com o coração cada vez mais apertado, fui para o search do Twitter. Atualizava o UOL, o G1, o email e o Facebook a cada 30 segundos. Eram 16h40.

Sonia Abrão começava a colher as primeiras informações consistentes: Domingos teria sido arrastado pela correnteza do Velho Chico, tal qual na ficção. Mas agora não havia dublê. Eram 16h46.

As rádios e sites locais começavam a reproduzir as primeiras notícias. Fotos e mais fotos chegavam. Um silêncio tomou conta da Comunicação da Globo após o primeiro (e breve) comunicado. Eram 16h52.

José Luiz Datena trazia mais informações sobre o assunto. Um coronel, entrevistado, alertava para as poucas chances de sobrevivência. Eram 17h01.

Na Record, Luiz Bacci atualizava as últimas notícias no “Cidade Alerta”. No Twitter, a âncora da Globo News, Leilane Neubarth, avisava que as informações sobre Domingos não eram boas. Eram 17h16.

Sem qualquer capacidade de raciocínio, procurei Rangel Querino e Arthur Vivaqua, colegas de RD1. Precisava de um suporte para ir em frente. Eram 17h32.

No Facebook, Duh Secco, Milena Murno e Henrique Brinco me davam força para seguir confiante, afinal esperança é tudo. Mas o misticismo das águas do Velho Chico me atordoava. Temo-as. Eram 17h47.

A revista Quem noticiava que o ator havia sido resgatado com vida e estava a caminho do hospital. Pelo horário, a fé balançava. Eram 17h52.

Vou à Globo News. Lava Jato. Lula. Power Point. PT. Dilma. Fernando Pimentel. Primeiramente… Volto ao “Brasil Urgente”, de Datena. Um corpo foi encontrado. Eram 18h02.

Sem o cérebro a funcionar, acionei o automático. Piscava. Tremia. Atualizava o UOL. Checava o email, o Twitter e o Face. A tristeza se fazia presente. Eram 18h09.

Volto a procurar Leonardo Azzali, que, assim como eu, estava em choque. Ligo na Globo. “Malhação” no ar. Telefone toca. Uma amiga aos prantos com a notícia que deu na rádio local. Deborah Secco alimentava os filhos em uma cena da novelinha. Corta. Música do Plantão da Globo. Paralisei. Renata Vasconcellos, abatida, anunciava: “nós lamentamos informar que acaba de ser confirmada oficialmente a morte do ator Domingos Montagner”. Música toca novamente. Só então você pisca. Eram 18h19.

Travei. Perdi o rumo, o prumo e a lógica. Por que? Logo o Domingos, aos 54 anos? Tantos projetos pela frente. Filmes em cartaz. Gravação da novela na reta final. Escalação para uma série e um folhetim. Recordei o café da manhã tomado com Ana Maria Braga no último dia 7. Que porra é essa? Eram 18h22.

Destravo. Leonardo sobe a nota confirmando a informação. Rangel corre à procura de declarações dos companheiros nas redes sociais. Eram 18h24.

Lembro que tenho um site para editar. Atrasei toda a pauta do dia. Piero Vergílio me chama. Ainda em transe, o respondo com o silêncio. Preciso escrever algo. Preciso desabafar. Eram 19h03.

Atordoado, escrevi este texto. Não sei descrever esta quinta-feira. Hebe Camargo, José Wilker, Ariano Suassuna, Roberto Gomez Bolaños e Marília Pêra provocaram algo parecido. A ficha caiu. Nossos ídolos são humanos, morrem, desparecem.

Domingos veio do circo, que trajetória! Tanto a nos oferecer. Que galã! Não se vá, Santo! Não adianta. Foi-se! É dilacerante. À família, colegas, amigos e à Camila Pitanga, que tudo acompanhou, aquele abraço. Podemos chorar!

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