Seis apresentadores dividem o comando do "É de Casa".
Seis apresentadores dividem o comando do “É de Casa”.

A gente sempre vai se posicionar a favor de produções nacionais e contra a exibição de enlatados estrangeiros para tapar buraco de programação. Dito isto, consideramos louvável a iniciativa da Globo de produzir matinais ao vivo e deixar de lado as reprises de filmes e desenhos animados ultrapassados. Deixa isso para o Netflix. O “É de Casa”, que estreou na manhã deste sábado (8), teve problemas na estreia, mas é sim uma boa ideia. Usando uma expressão da saudosa Hebe Camargo, é “gostosinho” de ver numa manhã de sábado.

O público-alvo é o mesmo de canais como o GNT, por exemplo. É programa para a nossa mãe assistir. Durante a estreia, acompanhamos nas redes sociais as críticas feitas pelos internautas sobre o formato da revista eletrônica, classificada por muitos como “chata” e “confusa”. Gosto não se discute, mas se colocássemos toda a grade do GNT na TV aberta, também não daria certo.

O “É de Casa” tem problemas estruturais, sim. Seis apresentadores é um excesso, sendo que muitos deles nada têm a acrescentar ao produto. A impressão que dá é que juntaram todos os grandes artistas sem função na emissora em único projeto, sem nenhum critério de escolha. De todos, aliás, Cissa Guimarães é a única que realmente tem alguma identificação com as donas de casa (e foi mal explorada na estreia). Ana Furtado é bem articulada e é perceptível que se esforça para fazer um bom trabalho, mas não combina muito com matérias sobre compras no brechó… Já Patrícia Poeta é bonita, carismática e fala bem. E só.

mesa é de casa
“Mesão” do “É de Casa” foi construído apenas para quatro apresentadores em estúdio. Na estreia, Cissa Guimarães e André Marques ficaram de fora.

Na ala masculina, o destaque positivo fica para a divertida dupla formada por Tiago Leifert e André Marques. Ainda assim, os dois precisam ajustar os ponteiros. O quadro de games de Leifert é dispensável e ficou meio perdido no meio da atração. Já André Marques é engraçado e popular, mas ainda precisa encontrar o seu espaço. E Zeca Camargo, bem… esse nunca deveria ter saído do departamento de jornalismo (se sairia muito melhor fazendo reportagens sobre viagens no “Globo Repórter”).

De qualquer forma, vamos torcer para que o “É de Casa” dê certo. É preciso lembrar que os programas “da Namaria” e “da Fatinha” também tiveram problemas no início. É normal e compreensível. Esse formato matinal só funciona forçando mesmo, acostumando o telespectador, e fazendo adaptações ao sabor das gravações. Portanto, é prematuro fazer qualquer crítica. É preciso dar tempo para conhecer o público do horário e para que o público conheça o projeto.

As TVs abertas viciaram os telespectadores com atrações popularescas criadas exclusivamente para alavancar o Ibope. Por isso todo mundo estranha quando algo mais light vai ao ar. Então, vamos torcer também para que o “É de Casa” não entre em um ciclo desesperado por audiência apostando em pautas manjadas, como vida de celebridades, crimes do cotidiano e dicas para perder peso, entre outros assuntos explorados em revistas eletrônicas bem conhecidas de outros canais.

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Henrique Brinco é formado em jornalismo pelo Centro Universitário Jorge Amado (Unijorge), de Salvador. Escreve sobre mídia e cultura pop há oito anos em grandes veículos de comunicação, com passagens pela Rede Record de Televisão e Rede Bahia (afiliada na Rede Globo na capital baiana). Também foi colaborador de diversas publicações voltadas ao turismo local.

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