elke com vestido roxo
Elke Maravilha esbanja alegria e é uma das figuras mais emblemáticas da TV

Filha de um russo e de uma alemã, Elke Maravilha chegou ao Brasil em 1951, aos seis anos. Seus pais fugiam da guerra e, por muitos anos, moraram no interior de Minas Gerais. Começou a trabalhar cedo como professora, secretária trilíngue, bibliotecária e bancária. Fala oito idiomas, entre eles russo, alemão, italiano, espanhol, francês, inglês, grego e latim. Elke se casou oito vezes e nunca teve filhos. Em entrevistas, afirmou ter feito três abortos.

Aos 24 anos, se torna modelo de um dos mais importantes estilistas brasileiros, Guilherme Guimarães, e desfilou também para Zuzu Angel – símbolo da luta contra a ditadura nos anos 70. Foi presa e torturada ao se revoltar contra as ações do Regime, como na morte de Stuart Edgart Angel Jones, filho da estilista.

Desde os anos 70 está no imaginário de milhões de brasileiros ao integrar, como jurada, dois dos mais importantes programas de auditório da televisão brasileira, o “Cassino do Chacrinha” e o “Programa Silvio Santos”. Em 1993, apresentou o talk-show “Elke”, pelo SBT. Já em 1997, um quadro no “Programa Amauri Jr”, pela Band.

Como atriz, integrou o elenco de “A Volta de Beto Rockefeller” (1973), pela TV Tupi; em 2004 “Da Cor do Pecado”, pela Globo; “Luz do Sol” (2007), pela Record; “Morando Sozinho” (2011), Multishow, e “As Canalhas” (2014), pelo GNT> Tudo isso dentre outras dezenas de trabalhos na TV e no cinema, como “Xica da Silva” (1976), obra que lhe rendeu prêmio de melhor atriz coadjuvante. Em 1999, fez “Xuxa – Requebra” e, em 2006, “Zuzu Angel” – interpretada por Luana Piovani. No teatro, foram mais de dez espetáculos, e, atualmente, segue turnê com “Elke – Do Sagrado ao Profano”.

Confira entrevista exclusiva com Elke :

RD1 – Você é uma artista que fala o que pensa. Outros artistas, como o Clodovil, também eram assim, mas ganhavam inimizades…

Elke – Eu consegui que ele me respeitasse. Se você não fosse verdadeiro, amor… Ele te pisava, não te respeitava! Ele era muito perspicaz, pegava pesado. E ele percebeu que eu não estava aqui para mentir. Entende?

RD1 – Por que não contamos com o seu talento na televisão?

Elke – Eles não gostam de gente que pensa. Incomoda! Eu incomodo um ‘bocadinho’… Mas tudo bem, amor. Eu tenho trabalho, graças a Deus. Eu gostei muito de fazer o “Morando Sozinho”, do Multishow. Genial! Eu já fiz papéis pequenos e adorei. Não é problema, mas não há uma contribuição…

RD1 – Você foi presa durante a ditadura. Perdeu a sua nacionalidade brasileira, ficou apátrida. Sofreu muito durante os anos de chumbo?

Elke – Sofri nada! Meu pai ficou seis anos na Sibéria. Eu fiquei seis dias no DOPS. Não foi só o tempo. É diferente Médici de Stalin. Ali era campo de extermínio.

RD1 – Comparando o ativismo dos artistas na época da ditadura e os movimentos que vemos hoje… Tem muita diferença?

Elke – Ganharam muito dinheiro com isso (risos). Combinar uma manifestação é normal, ninguém sai sem ser combinado. Naquela época, era combinado também. Entende?

RD1 – Mas, no cenário artístico atual, não falta uma ligação mais forte em relação ao trabalho, a contribuição cultural, uma ligação com a sociedade que consome esse trabalho?

Elke – Se não está me atingindo… Ótimo! Eu estou bem. O outro que se exploda! Quantas vezes eu não ouvi ‘ainda bem que meus filhos não passaram por isso’. Ué, o filho do outro não é meu filho também? Todos estão no mesmo barco. Que mentalidade nojenta é essa. Tudo para os meus e nada para os teus? Ah, meu amor, estou fora…

RD1 – Mesmo longe da televisão, você consegue se manter viva na memória de milhares de pessoas…

Elke – Eu sei que as pessoas não esquecem. Eu ouço ‘Nossa, há tanto tempo que você não está na mídia direto’. Também como é quem vão esquecer [faz uma referência ao figurino]?

RD1 – O que Elke Maravilha agregou à cultura, à sociedade brasileira?

Elke – Nada. Não tenho essa pretensão, não meu filho. Quem agregou foi Alexandre, o Grande, Nelson Mandela! Inclusive, querem que eu faça uma biografia. Biografia é pra gente que modificou o mundo.

RD1 – Assiste à televisão? O que mais gosta de ver?

Elke – Eu assisto. Depois que entrei para a TV, eu passei a assistir. Fico bordando. Na TV aberta, quase nada! Eu gosto de ver a Gabi no GNT. O Groisman… [Serginho, do “Altas Horas”]. A última novela que assisti foi “Caminho das índias”.

RD1 – “Babilônia” mostrou no primeiro capítulo um beijo entre as atrizes Fernanda Montenegro e Nathália Timberg, que formam um casal. O quanto os folhetins podem contribuir para a reivindicação de direitos civis entre pessoas do mesmo sexo?

Elke – Amor é o que agrega. Uma das frases de Sófocles [dramaturgo Grego 495 A.c e 406 A.c] dizia: ‘Eros Anicate Mahan’, que em grego quer dizer ‘O amor é invencível nas batalhas’. Vai crucificar alguém porque a mãe natureza o fez diferente? Tem que respeitar a mãe natureza! O Deus que fez o gay. Nasceram assim, a mãe natureza não erra! Chegaram ao ponto de querer curar gay… Foi a única vez que senti vontade de sair do país!

Confira uma galeria de fotos com diversos momentos da carreira de Elke: