10:55 :: 21/08/2017
Publicidade

Exclusivo: Glória Perez fala sobre Silvio de Abreu, críticas a Fiuk e sucesso de “A Força do Querer”

Divulgação
A autora Glória Perez

Maior audiência da televisão brasileira nos últimos 4 anos, “A Força do Querer” coloca Glória Perez em uma posição invejável na Globo: graças ao sucesso da trama, a autora tem total autonomia para definir o rumo de suas histórias. Sorte que outros colegas de profissão, como Maria Adelaide Amaral e Gilberto Braga, não tiveram em seus últimos trabalhos na faixa.

Apesar de não ter precisado da supervisão de Silvio de Abreu, que atualmente comanda o Núcleo de Dramaturgia da emissora, a novelista, em entrevista exclusiva ao RD1, defende o trabalho do diretor e critica a “demonização” que é feita sobre ele. “Como autor, Silvio conhece nossas dificuldades e é bom demais você ter um interlocutor que conhece o ofício, que tem a experiência que ele tem”, reconhece.

A autora também falou pela primeira vez sobre as criticas que Fiuk vem recebendo por causa de sua interpretação como Ruy, um dos protagonistas da história, e respondeu se há recomendações da Globo quando um autor propõe abordar um tema tão espinhoso como a transexualidade.

Confira:

RD1: Geralmente, para o entendimento do público, os personagens de novelas são muito bem definidos. No caso de Ritinha (Ísis Valverde), você não teve medo de criar uma personagem tão ambígua?

Glória Perez: Não. Ritinha não é uma vilã, como eu disse desde o começo: é uma pessoa inconsequente, que nem se dá conta dos estragos que faz à sua volta. A inspiração de Ritinha é a figura mítica da sereia, aquela que atrai os navegadores com seu canto e eles acabam se afogando, na ânsia de alcançá-las.

Público de “A Força do Querer” está dividido, diz Glória Perez

RD1: A Globo fez um grupo de discussão para avaliar como está a aceitação do público aos romances envolvendo os personagens de Ísis Valverde, Paolla Oliveira, Marco Pigossi e Fiuk. Você já obteve os resultados?

Glória Perez: As torcidas estão acirradas, como se vê nas ruas. As pessoas se dividem nas identificações, e isso é ótimo!

RD1: Em 2014, você estava preparando uma série inspirada no livro “Perigosa”, sobre a história de Bibi Perigosa, ex-primeira-dama do tráfico, mas a personagem acabou fazendo parte de “A Força do Querer”. Houve alguma mudança no roteiro para adaptar-se ao horário ou à linguagem?

Glória Perez: Não cheguei a fazer a série. E, claro, quando resolvi inclui-la na novela, isso exigiu uma adaptação ao horário e à linguagem, ainda que a mensagem se mantenha a mesma.

RD1: Você não teme rejeição ao colocar uma personagem querida pelo público, como a Bibi (Juliana Paes), no mundo do crime?

Glória Perez: Não. Até porque é uma história da vida real.

Glória Perez comentou sobre o desempenho de Fiuk na trama

RD1: A atuação do Fiuk foi criticada pela imprensa especializada. O jornal “O Globo”, por exemplo, afirmou que foi um erro a escalação do ator para um papel tão importante na história. Como você avalia essas críticas?

Glória Perez: Essa não é uma opinião generalizada. A personagem, como está na sinopse, é um garoto rico, mimado, que vai ocupar um cargo acima de suas possibilidades e de seu preparo emocional. Ele amadurece ao longo da novela, em virtude das situações a que será exposto.

RD1: “A Força do Querer” já supera 7 antecessoras do horário, incluindo “Salve Jorge”, sua última novela na faixa, e trouxe de volta o grande público para o horário nobre. Quais são os pontos fortes da trama?

Glória Perez: Divertir, emocionar, fazer pensar. Essa foi a proposta de ‘A Força do Querer’, que todos nós -direção, elenco e produção – abraçamos com paixão.

Divulgação
Longe da supervisão de Silvio de Abreu, Glória Perez defende trabalho do colega

RD1: Alguns autores não aceitam muito bem as imposições de Silvio de Abreu. Vocês chegaram a debater sobre como uma determinada história seria contada ou você teve total autonomia?

Glória Perez: Tive completa autonomia e acho muito injusta essa “demonização” do Silvio que tenho visto nas redes sociais. É muito bom para nós, autores, estarmos representados no organograma da empresa. Como autor, Silvio conhece nossas dificuldades e é bom demais você ter um interlocutor que conhece o ofício, que tem a experiência que ele tem.

RD1: Quando você toca em temas tão espinhosos, como a transexualidade, há alguma recomendação da Globo?

Glória Perez: Nenhuma. Sempre tivemos total autonomia. Mas, evidentemente, a Casa espera que a gente tenha bom senso: estamos numa TV aberta e nosso público inclui pessoas de todas as idades.

RD1: Em 2005, a Globo vetou um beijo gay no último capítulo de “América” por temer uma rejeição por parte do público. 12 anos depois, você resolve abordar um aspecto ainda mais complexo da sexualidade, a identidade de gênero. Você acredita que o sucesso da história representa uma evolução dos brasileiros?

Glória Perez: Sob esse aspecto, as mentes estão mais abertas, sim.

RD1: Você foi pioneira em abordar temas como a inseminação artificial, clonagem humana, esquizofrenia, tráfico humano, entre outros. Como escolhe os temas de suas novelas?

Glória Perez: Escrevo sobre o que me interessa, o que me desperta curiosidade. Escrever sobre um tema é uma maneira de refletir sobre ele.

Divulgação / TV Globo
Ivana (Carol Duarte) em um momento de crise de identidade em “A Força do Querer”



Publicidade
WordPress Lightbox