María Solares (Lizete) com seu irmão na ficção, Sergio Guerrero (Carlinhos)

Sempre que “A Usurpadora” entra mais uma vez no ar pelo SBT, uma presença sutil, porém marcante, rouba a cena dos conflitos entre as gêmeas Paola (Gabriela Spanic) e Paulina (Gabriela Spanic) diante dos espectadores. Estamos falando de Lizete, a filha caçula do galã Carlos Daniel Bracho (Fernando Colunga), que vivia às turras com o irmão Carlinhos (Sergio Miguel) e sempre cativava os personagens adultos com sua candura infantil.

A atriz mexicana María Solares tinha apenas quatro anos quando participou do folhetim da Televisa. Hoje, aos 23, ela estuda Ciências da Comunicação, acaba de completar dois anos de namoro e dá os primeiros passos nas carreiras de cineasta e escritora. “Minha carreira de atriz de TV começou e terminou com ‘A Usurpadora’. Sinto saudade da vida artística e adoraria regressar”, admite.

Em um bate-papo exclusivo com o RD1, María relembrou detalhes dos bastidores da novela, a forma inusitada como conseguiu o papel de Lizete, a relação paternal com o galã Fernando Colunga dentro e fora dos sets e – o mais importante – revelou se ganhou ou não a fantasia de Mulher Maravilha, tão sonhada por sua personagem.

Confira a íntegra da entrevista:

RD1 – “A Usurpadora” foi seu primeiro trabalho na TV, ou você já tinha alguma experiência anterior como atriz infantil? Como você fez para conseguir o papel de Lizete?

María Solares – Sim, foi o meu trabalho, o qual consegui praticamente por obra do destino. Minha irmã mais velha, Daniela Solares, já estava fazendo trabalhos como atriz-mirim, em novelas como “Luz Clarita” e “Dos Mujeres, Un Camino”. Certa vez, fui com minha mãe buscá-la nos estúdios da Televisa e uma produtora nos abordou, dizendo que iria haver um casting para uma nova novela e que eu me encaixava no perfil. Minha mãe não se animou muito – ela queria que tivéssemos uma infância comum, longe dos holofotes –, mas no fim das contas acabou me levando à audição. Lá chegando, lembro-me que havia um garotinho chorando porque não queria entrar no estúdio para gravar o teste; eu então me sentei ao lado dele e comecei a cantar uma canção para acalmá-lo. Casualmente estavam por ali o escritor [Carlos Romero], o produtor [Salvador Mejía] e a diretora de cena [Beatriz Sheridán] de “A Usurpadora”, que exigiram que eu fosse levada diretamente para a prova de câmera com o Fernando Colunga. Meses depois, minha mãe recebeu um telefonema avisando que eu havia sido escolhida para o papel de Lizete Bracho.

María Solares e seu “pai” na novela, Fernando Colunga

RD1 – Que lembranças você tem da sua rotina nos bastidores de “A Usurpadora”? Como era sua relação com o elenco adulto, em especial com Gabriela Spanic e Fernando Colunga, que viviam seus pais na ficção?

María Solares – Minhas lembranças são as melhores! Gabriela Spanic é uma excelente pessoa e me tratava com muito carinho. Lembro-me que brincávamos muito juntas e que ela lia histórias para mim entre uma gravação e outra. Tinha também uma relação muito especial com Chantal Andere [Estephanie Bracho] e com Fernando Colunga. Ele era extremamente atencioso comigo, me mimava muito em cena e fora de cena. Nos dias livres, me levava para passear, para assistir espetáculos musicais e até para tomar sorvete! Realmente me tratava como se fosse sua filha.

RD1 – Carlinhos e Lizete viviam brigando nos capítulos da novela. Na vida real, como era sua relação com o ator Sergio Guerrero nos bastidores? Você ainda mantém contato com ele?

María Solares – Sergio e eu éramos grandes companheiros, inclusive brigávamos como verdadeiros irmãos! Mas minha relação com ele terminou junto com a última cena de “A Usurpadora”. Depois do fim das gravações, eu me mudei da capital para outra cidade, e nós acabamos perdendo o contato.

María Solares hoje estuda Comunicação

RD1 – As pessoas ainda te reconhecem nas ruas – ou nas redes sociais – como Lizete?

María Solares – Nas ruas já não me reconhecem, mas eu ainda recebo muitas solicitações de amizade nas redes sociais por fãs de todo o mundo, em especial dos brasileiros, que ainda conservam em seus corações a vívida imagem da pequena Lizete. Me parece incrível que depois de 19 anos as pessoas ainda tenham tanto carinho pela personagem. Isso me agrada muito, e me deixa orgulhosa de ter participado de um projeto tão importante como foi “A Usurpadora”.

RD1 – Lizete passou a maior parte da novela pedindo aos pais uma fantasia de Mulher Maravilha. Quase duas décadas depois, a pergunta que não quer calar é: afinal de contas, você ganhou ou não a bendita fantasia?

María Solares – (risos) Sim, eu ganhei! Foi Libertad Lamarque [atriz argentina que interpretou vovó Piedade, falecida em 2001] quem me presenteou com a fantasia. Eu a usava com tanta frequência que minha mãe quase não conseguia me colocar outra roupa! Lembro-me de como a Lizete insistia em ganhar esse presente, tanto com a Paola como com a Paulina, e por isso me pareceu muito atencioso da parte da Libertad ter me dado esse presente.

RD1 – Vamos falar agora da sua vida atual. Que profissão você exerce atualmente? Conte um pouco sobre o que foi da sua vida nas últimas duas décadas.

María Solares – Minha carreira na TV começou e terminou em “A Usurpadora”. Porém, a atração pelo universo artístico segue latente em meu caminho. No ano passado, ganhei o segundo lugar nacional do 11º Concurso de Transparência em Curtas-Metragens com meu curta “Pequeñas Miradas” (Pequenos Olhares), onde atuei como roteirista, diretora e produtora. Sou fascinada pelo teatro, e durante vários anos participei de espetáculos teatrais, embora nada da magnitude de “A Usurpadora”. Também amo a literatura e recentemente escrevi uma história para crianças, a qual espero conseguir publicar este ano. Ainda não me casei, mas estou namorando há dois anos e muito feliz. Quero encontrar um bom trabalho, publicar meu livro, viajar pelo mundo – conhecer o Brasil, inclusive – e, quem sabe, ter filhos em um futuro mais distante.

RD1 – Tem saudade da carreira de atriz? Pensa em voltar a interpretar?

María Solares – Para ser sincera, sim. Sinto falta do meio artístico e adoraria regressar a ele – seja como atriz, roteirista ou até mesmo diretora. Não existe nenhum projeto em vista, mas, se surgir alguma oportunidade, eu a abraçarei com gosto.

María Solares sonha em viajar pelo mundo