Olga não descarta a possibilidade de voltar para São Paulo
Olga não descarta a possibilidade de voltar para São Paulo

Depois de 14 anos em São Paulo, Olga Bongiovanni resolveu voltar para Cascavel, no Paraná. Em entrevista exclusiva ao RD1, a apresentadora contou que “não foi uma decisão fácil, mas era o momento para voltar”. Além disso, Olga lembra de fases importantes que passou ao longo de seus quase 40 anos de carreira e afirma que possui fãs de todas as idades.

A comunicadora também conta que a busca desenfreada pela audiência sempre a incomodou. “Sofri muito, cheguei a me sentir violentada em muitos momentos. A partir disso, comecei a questionar tudo”, revela.

Em uma conversa sincera, Olga mostra tranquilidade com a vida e pronta para os próximos desafios.

Confira a entrevista:

Você começou a sua carreira na Rádio Coroado, em Curitibanos, Santa Catarina, em 1974. No ano que vem, fará 40 anos de carreira. Qual é o balanço que faz desse tempo? Conseguiu atingir mais do que esperava?

Com certeza. Depois de quase 40 anos no jornalismo, no rádio e na TV, dando todo tipo de notícia, ter feito e continuar fazendo tantas entrevistas, o balanço é altamente positivo, por vários motivos e porque a tecnologia chegou, nos aproximando incrivelmente. Se no passado precisávamos colocar palha de aço na antena da TV para que a imagem tivesse menos chuvisco e desligar o rádio para esfriar as válvulas, aguardando o programa preferido, hoje não há dificuldades nem fronteiras.

Sou desse tempo, com muito orgulho, mas lamento a falta de criatividade, ingrediente indispensável naquela época. Telefone era um luxo, mas pelo Telex, que muitos poderão achar estranho, recebíamos as informações mais importantes, e assim com muito esforço e criatividade fazíamos rádio e TV. Os transmissores das emissoras precisavam ser potentes para chegarmos um pouco mais longe e isso demandava muito investimento financeiro e dinheiro sempre foi difícil de ganhar.

Hoje, a internet nos leva para o mundo, isso é maravilhoso porque é uma mistura de emoções. Emoção que chega através de uma carta, ainda, um telefonema, uma curtida, um Whatsapp, Instagram, Twitter, e-mail. Ao clicar um link, sei que estão me ouvindo, me assistindo e interagindo comigo de qualquer lugar do mundo.

Através do Facebook por exemplo, estão comigo fãs do Brasil inteiro e mais 22 países. Inimaginável tudo isso quando iniciei minha caminhada. Ao aproveitar toda essa tecnologia fico me indagando pois, o volume e rapidez da informação, me parece que não prende as pessoas. Há uma necessidade sempre por mais e nisso,  vejo alguns profissionais, saídos da Universidade, por exemplo, não sabendo muito bem o que fazer com tudo isso. Eu continuo não dispensando meus jornais e meus livros.

Neste ano, você voltou para Cascavel, no Paraná, e apresenta o “Atualidades”, na TV Tarobá, e o “Programa Olga Bongiovanni”, na Rádio Colméia. Como é voltar para a cidade onde trabalhou tanto tempo e construiu boa parte da sua carreira?

Minha carreira se consolidou aqui, portanto minha identidade com a cidade e região é muito forte. Conheço meus fãs pelo nome e sei o bairro ou a região em que moram. Nessa volta, surpresas agradáveis. Além de ter o fã que me acompanha há muitos anos, tenho seus filhos e seus netos. Isso é meu maior patrimônio. Cascavel me recebeu como uma mãe recebe seu filho de volta pra casa.

Você disse em uma entrevista que decidiu sair de São Paulo para buscar mais tranquilidade e poder aproveitar a família e os amigos. Quanto tempo demorou para tomar essa decisão? Alguém a criticou por deixar a cidade?

Não foi uma decisão fácil. Foi algo muito ponderado em todos os sentidos, alguns meses de negociação também. De um lado, amigos de São Paulo querendo me demover da ideia, de outro, uma cidade inteira querendo minha volta. Deixei por conta do coração, da intuição e da razão, naturalmente. Era o momento para voltar. 

Há a possibilidade de voltar a trabalhar em uma emissora em nível nacional?

Gosto de desafios e voltei também por isso. Do futuro nunca sabemos e nada me impede de mudar tudo outra vez. 

A busca desenfreada pela audiência na TV irrita diversos profissionais. Como você lidou com isso ao longo do tempo?

Além de irritar, é desumano. Audiência a qualquer custo, dane-se a qualidade daquilo que se despeja na casa das pessoas. Sofri muito, cheguei a me sentir violentada em muitos momentos. A partir disso, comecei a questionar tudo. Eu não tinha me dedicado tanto à profissão para oferecer aquele resultado. Eu sabia fazer melhor e não queria mais tudo aquilo para a minha vida. Foi então que resolvi dar um basta e mudar. Eu queria me olhar no espelho e não sentir vergonha, mas sim, orgulho. 

Você já afirmou que o “rádio ainda não está prostituído”. Essa opinião mudou ou o rádio ainda é um espaço que preza mais pela qualidade do que a TV?

Apesar de também ter mudado, o rádio ainda é um território mais decente. Eu, atualmente, estou absolutamente em paz com o que faço. Tanto na TV quanto no rádio. 

Hoje, é muito comum as igrejas comprarem horários em emissoras de rádio e TV. O que você pensa sobre isso? 

Ouço e assisto verdadeiros absurdos diariamente, lamentável. O dinheiro continua falando mais alto. Se não concordo, respeito o espaço e a opinião de todos.

Quais foram as grandes coberturas jornalísticas que mais te marcaram ao longo da carreira? Qual foi a importância do rádio para o seu trabalho na televisão?

O rádio me deu a base de tudo. O improviso, principalmente, e eu sabia que precisava ler de tudo um pouco, estar preparada para uma visita inesperada de um ministro, secretário de Estado, presidente da República, por exemplo. E isso aconteceu muitas vezes.

A pergunta me fez lembrar de muitos momentos. O ministro Jarbas Passarinho visitava a cidade, em 1983, e fui chamada para  salvar o apresentador do horário,  que não sabia o que fazer com o ministro no estúdio.

Quando Brizola voltou do exílio, esteve em nossa região. Só consegui chegar perto dele quando saía do banheiro no aeroporto. Ainda fechando o zíper da calça, ele me respondeu o que perguntei e me chamou de atrevida, mas eu consegui um furo nesse dia. 

O Movimento Sem Terra (MST) nasceu aqui. Eu estava lá e jamais esquecerei aquelas pessoas, fazendo de palanque a carroceria de um caminhão, com bandeiras, foices e enxadas, gritando palavras de ordem. Estive nas entranhas do movimento. Eu sabia antecipadamente tudo que iria acontecer. Isso me custou noites em claro, mas valeu. Quando chegava na rádio às 6h da manhã a informação estava comigo e era a verdade. 

O período da Ditadura foi terrível. Uma manhã, eu me vi cercada por dois militares com metralhadoras em punho. Por aqui passaram Tancredo Neves, Ulisses Guimarães, Lula, Fernando Henrique, Ciro Gomes, Collor. Todos os presidenciáveis. Difícil foi conversar com Maluf, ele não respondia nada,  só queria perguntar [risos].

Outro grande momento foi quando foram acionadas as turbinas da Usina de Itaipu, muito emocionante. A queda das Torres em Nova York, nos Estados Unidos. Fiquei no ar por cinco horas direto, sem direito a intervalo. E é gratificante quando, ainda semana passada, um fã me fala dos detalhes daquele dia. Ele estava me assistindo quando ao vivo o segundo avião se chocou contra a Torre.

O sequestro da filha [Patrícia Abravanel] do Silvio Santos. Fiquei na cobertura das 7:40h daquela manhã até ao meio-dia. Peguei o início e o final de tudo, pois tinha nessa época também meu programa na Rádio Capital em São Paulo. Saí do ar na Band, almocei dentro do táxi e no meio da tarde tudo chegava ao fim. Agora você me fez voltar na história.

Como foi trabalhar na TV Aparecida? É muito diferente por ser uma emissora religiosa?

Foi uma experiência muito boa. Conheci pessoas interessantes. Não sabia do potencial técnico da emissora, foi surpreendente, posso dizer. Fiz bons amigos até hoje.

Em 2011, você saiu da TV Gazeta após um ano apresentando o “Manhã Gazeta”. Na época, saiu na imprensa que você tinha brigado com a Claudete Troiano e que houve problemas com a direção da emissora. Foi mais um boato ou realmente existiu um desgaste?

Contrato tem início e fim. Essa é a verdade, somente isso. E com a Claudete jamais tive problemas. Foi uma excelente colega de trabalho. 

Apesar de ter estreado dois novos programas, há outros projetos para a TV ou até para outras mídias, como a internet?

Eu nunca paro de prospectar novos projetos. Sem dúvida a internet se torna a cada dia não uma ferramenta, mas uma necessidade de conexão entre as várias mídias. Não é o futuro, é o agora. Quem não estiver enxergando isso, estará fora. 

 

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