Malu Mader como Cláudia, a protagonista vingativa de “Fera Radical”.
Malu Mader como Cláudia, a protagonista vingativa de “Fera Radical”.

Os noveleiros estão em polvorosa! Daqui a pouco, 14h30, o Viva estreia “Fera Radical”, originalmente exibida em 1988. Na trama de Walther Negrão, Malu Mader (em sua primeira protagonista em novelas) vive Cláudia, analista de sistemas que volta à pacata Rio Novo, empregada na fazenda de Altino Flores (Paulo Goulart), para vingar a morte de seus pais e irmãos.

Seu plano de vingança consiste em desestabilizar o clã, envolvendo-se com os herdeiros dos Flores, Fernando (José Mayer) e Heitor (Thales Pan Chacon), tornando-se alvo da ira da mãe deles, Joana (Yara Amaral, em seu último trabalho). Cláudia também enfrenta Marília Orsini (Carla Camuratti), outra que se divide entre o peão Fernando e o workaholic Heitor.

Lembrada com saudade pelo público que a viu na Globo em duas ocasiões – em 1991, foi reapresentada em “Vale a Pena Ver de Novo” – e ansiosamente aguardada por aqueles que ainda não haviam tido a oportunidade de vê-la, “Fera Radical” traz muitas “lendas urbanas” no que diz respeito aos seus bastidores; inclusive, uma relacionada às mortes precoces de alguns atores de seu elenco.

Dentre tantas curiosidades, destaco a que envolve a implantação do folhetim. Assim como aconteceu com “Despedida de Solteiro” (1992), desenvolvida após o cancelamento da produção de “Mulheres de Areia” (1993), Walther Negrão foi recrutado para assumir o horário das 18h diante da suspensão de “Amor Perfeito”, trama de Alcides Nogueira prevista para a faixa.

“Amor Perfeito” já estava como seus primeiros nomes escolhidos, quando Boni, à época vice-presidente de operações da emissora, determinou o “engavetamento” da obra, por conta dos custos elevados – estavam previstas reconstituições da guerra do Paraguai, em 1865 – e pela exibição de três folhetins de época às 18h em sequência: “Sinhá Moça” (1986), “Direito de Amar” (1987) e “Bambolê” (1987).

A princípio, trocou-se o diretor executivo: de Maurício Sherman, retornando à Globo após uma passagem pela Manchete, para Paulo Ubiratan. Cláudia Abreu e Thales Pan Chacon, então convocados para a novela cancelada, vieram a integrar o elenco de “Fera Radical”, realizada a toque de caixa. Malu Mader, destaque em “O Outro” no ano anterior, foi convocada para o posto de protagonista em fevereiro; a novela estreou em 28 de março.

Para desenvolver a sinopse, Negrão recorreu a um projeto engavetado, intitulado “O Centauro”, uma espécie de Capitão Rodrigo (herói de “O Tempo e o Vento”, de Érico Veríssimo) moderno que serviu de base para o personagem de José Mayer. Já a protagonista nasceu a partir da escalação de Malu – usando elementos de outra obra do autor, “Cavalo de Aço”, exibida às 20h em 1973.

O curioso é que, anos mais tarde, “Amor Perfeito”, saiu do papel, tendo Mader como protagonista. Trata-se de “Força de um Desejo” (1999), desenvolvida então pelo autor da sinopse original, Alcides Nogueira, e por Gilberto Braga. Na versão de 1988, o papel de Mader (a cortesã Ester Dellamare) estava reservado à Maria Zilda Bethlem; Pan Chacon respondia pelo personagem equivalente ao de Fábio Assunção (Inácio) e Castro Gonzaga, o de Reginaldo Faria (Barão Henrique Sobral).

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