Coluna "PRIMEIRA PÁGINA" aborda "Fina Estampa", que chegou ao fim esta semana - Reprodução

Chegou ao fim na última sexta-feira a novela das nove da Globo, “Fina Estampa”, de Aguinaldo Silva. O folhetim que consagrou Marcelo Serrado e Christiane Torloni saiu de cena com os dois pés no absurdo, o que não descaracteriza a obra, visto os exageros cometidos pelo autor ao longo desses sete meses.

“Fina Estampa” mostrava desde o início que seria uma história extremamente popular. A protagonista honesta e batalhadora vivida por Lília Cabral que deu duro como “marido de aluguel” (o termo caiu na boca do povão) para criar os filhos e acima de tudo pregar uma filosofia de “o meio não interfere no ser humano” provava isso. Griselda, vulgo Pereirão, mesmo ganhando na loteria, manteve a postura de mulher de fibra. A mudança se deu apenas no visual.

A proposta da trama, “Ninguém é só o que parece ser”, foi bem trabalhada por Silva, embora, em alguns momentos, os fins não justificassem os meios. O que levaria uma mulher da conceituada alta classe carioca viver num jogo de “gato e rato” (a trama central, segundo o autor, foi inspirada no clássico “Tom & Jerry”) com uma simples “bigoduda” por longos sete meses? A ex-mulher de René Velmont (Dalton Vigh) atribuiu a brincadeira de criança a um simples vício, acometido por sua rival ter roubado sua família. O motivo soou falso, pois, em dado momento, a personagem demonstrou desdém com os filhos (ela disse que não desejava tê-los) e deixou subentendido que não amava o marido, apenas o tinha como um ponto de apoio para suas loucuras.

Griselda e Tereza Cristina saem no tapa - Divulgação / TV Globo

As citações à vilã Nazaré Tedesco (personagem de Renata Sorrah em “Senhora do Destino”, do mesmo autor), embora em alguns momentos fossem divertidas, demonstravam uma falta de construção do caráter daquela que prometia ser a megera da década. Tereza Cristina, que viveu a trama toda temendo a revelação de um segredo falso (a dondoca era irmã de Álvaro, filha do marido de Tia Íris), nada mais era do que uma rica fútil. Neste caso, seu “drama”, não arrebatou até mesmo os mais caidinhos por uma vilã sanguinária.

Enquanto o núcleo de Paulo (Dan Stulbach), Esther (Juliana Lemmertz), Danielle (Renata Sorrah) e Bia (Monique Alfradique) ganhou ares de uma novela dentro da outra (além de batido, pois “Barriga de Aluguel” já havia feito isso muito bem, destoava do restante da trama), outros personagens ficaram apenas como mero figurantes. O que dizer de Totia Meirelles, Milena Toscano, Arlete Salles, Eri Johnson, Joana Lerner, Sandro Pedroso (marido de Susana Vieira), entre outros? Qual, na prática, a importância desses personagens para o desenrolar da história? Eis o problema dos elencos numerosos.

Tereza Cristina, aprendiz de Nazaré Tedesco - Divulgação / TV Globo

No elenco, não sei se por limitações das personagens, teve quem roubasse a cena logo de cara. Caio Castro, Adriana Birolli, Malvino Salvador, Shopie Charlotte, Marco Pigossi e Dalton Vigh, no entanto, não conseguiram isso. O mesmo não se pode dizer de Christiane Torloni, que engoliu Lilia Cabral do meio pro fim, José Mayer, Marcelo Serrado, Alexandre Nero, Carolina Dieckmann, Eva Wilma (perfeita como Tia Íris), Thaís de Campos, Ângela Vieira, Dira Paes, Ana Rosa, Carlos Machado e Kátia Moraes (a empregada de T.C.), os grandes destaques de “Fina Estampa”.

O folhetim pecou pela falta de química entre Griselda e René. Não teve jeito, o portuga Guaracy (Paulo Rocha) acabou juntinho da heroína da vez. Foi a decisão mais sensata. Lília e Dalton não tinham química. E o que falar do final? A cena do barco afundando foi uma homenagem ao centenário do Titanic? De extremo mau gosto.

Marcelo Serrado, com todas as glórias que lhe cabem, merece um destaque em especial. Embora o amante de Crô não tenha sido revelado ao público, todas as situações envolvendo a personagem estavam perfeitas. É, sem sombra de dúvidas, o grande nome de toda a novela.

Crô ditou moda, emplacou bordões e roubou a cena - Divulgação / TV Globo

Apesar de tudo, “Fina Estampa” deixará saudades. A trama sai de cena com a sensação de missão cumprida, conseguindo alavancar a audiência da faixa. Novela não tem obrigação com a realidade, diria o autor. Ou até mais, apelaria para o discurso que a crítica o persegue. Não é bem assim. O Brasil passou a ter 200 milhões de especialistas em novelas, que cobram com muito mais veemência boas histórias e argumentos. Talvez tenhamos ficado mais especialistas no assunto. E mais exigentes.

EM TEMPO…

Reprodução

“Fina Estampa” chegou ao fim com média geral de 39 pontos na Grande São Paulo, superando “Passione” (35), “Insensato Coração” (36), “Viver a Vida” (36) e “Caminhos das Índias” (38). É o melhor resultado desde “A Favorita” (2008), que fechou com 40.

No PNT (Painel Nacional de Televisão), a chamada média nacional, o folhetim saiu de cena com 41 pontos, marca muito superior às suas antecessoras.

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