Grupo Globo alega “modernização” para fazer demissões a “conta-gotas”

Grupo Globo alega "modernização" para fazer demissões a "conta-gotas"
Editora Globo promoveu diversas demissões em 2017

Não é de hoje que o Grupo Globo vem tentando disfarçar que está enfrentando uma grave crise econômica. Há algum tempo, a empresa vem demitindo a “conta-gotas” alguns dos principais profissionais das empresas alegando “modernização” das operações. E as vagas de trabalhadores que saem por conta própria acabam não sendo reabertas.

A semana começou com o anúncio do encerramento de um dos veículos mais conhecidos do grupo: a revista Quem Acontece, dedicada ao lifestyle de famosos, anunciou que não vai mais circular na edição impressa a partir de agosto após 17 anos – focando apenas em plataformas digitais. Vários profissionais deixaram a Editora Globo e apenas a Quem Online foi mantida. Dizem que esse será o mesmo destino das outras revistas do grupo em breve.

No último dia 10 de julho, o portal Gshow, braço do entretenimento da TV Globo na internet, demitiu 21 jornalistas em São Paulo e no Rio de Janeiro. E os profissionais que permaneceram receberam novas funções. Agora, nem todos os programas contarão com pessoas exclusivas dedicadas a atualizar os sites oficiais e parte da produção ficará a cargo dos produtores, assistentes de direção e até do elenco. Para não ter problemas judiciais, a ordem é não creditar fotos tiradas pelas equipes dos próprios programas para não caracterizar dupla função.

A emissora justificou as demissões da seguinte forma: “Os estúdios Globo cumpriram mais uma etapa na modernização de seus processos de produção, com vistas à ampliação da produção de conteúdo para todas as plataformas”. A palavra “modernização”, aliás, já virou motivo de piada entre os profissionais já que também foi usada pelo Governo Federal para justificar a aprovação da Reforma Trabalhista.

O famoso portal de notícias Ego, também voltado para o mundo das celebridades,  com uma das maiores audiências do grupo e independência editoral invejável na casa, também foi descontinuado em maio. A decisão de encerrar as atividades do site teria sido resultado, segundo a Globo, de uma “reflexão sobre a evolução do mercado de notícias de celebridades no Brasil e no mundo”. Desde então, a home principal do portal Globo.com tem destacado links da Quem Online e do GShow (que tem fama de ser um site “chapa-branca”).

A jornada dupla também tem sido uma rotina entre os profissionais da televisão. A direção-geral de jornalismo da TV Globo determinou em abril que repórteres e correspondentes deverão produzir conteúdo para a Globo News e vice-versa. Os trabalhadores estão ficando mais tempo no ar e precisam produzir duas versões de uma mesma matéria para as duas empresas. A desculpa dessa vez foi a “integração de redações”.

Até o setor de dramaturgia, historicamente conhecido por receber os maiores investimentos da casa, foi duramente atingido. A maioria dos atores agora é contratada por obra e apenas um seleto grupo estrelas mantém contrato de exclusividade. Uma antiga prática conhecida como “descanso de imagem”, que dava aos artistas a possibilidade de ficar fora do ar durante um longo período, foi abolida. Outros integrantes da equipe técnica também são contratados temporariamente. Algumas produções passaram a ser terceirizadas para reduzir custos.

O burburinho que circula por aí é que essas medidas estão sendo tomadas para evitar demissões em massa.

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Henrique Brinco é formado em jornalismo pelo Centro Universitário Jorge Amado (Unijorge), de Salvador. Escreve sobre mídia e cultura pop há oito anos em grandes veículos de comunicação, com passagens pela Rede Record de Televisão e Rede Bahia (afiliada na Rede Globo na capital baiana). No RD1, assina o blog Por Trás da Mídia e é o responsável pela editoria de Famosos.

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Henrique Brinco é baiano, formado em Comunicação Social pela Unijorge, de Salvador. Atua no jornalismo desde 2008, passando pelas editorias de política, cidades, cultura e entretenimento em diversos portais de notícias, locais e nacionais. Foi por cerca de dois anos editor-chefe do site Varela Notícias, de Raimundo Varela, apresentador da Record Itapoan. Já foi colunista do RD1 anteriormente, por seis anos. Atualmente é repórter de política do jornal Tribuna da Bahia e do site BNews.

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