Helena Ranaldi e Dan Stulbach, como Raquel e Marcos, em “Mulheres Apaixonadas” (2003) (Imagem: Renato Rocha Miranda / Globo)

Há sempre grande expectativa por parte dos noveleiros a respeito das novelas escolhidas para o “Vale a Pena Ver de Novo”. Agora, imagine uma trama anunciada apenas cinco dias antes de seu retorno? Parece impossível, mas já aconteceu. Exatos 10 anos atrás, 1º de setembro de 2008, a Globo estreava a reapresentação de “Mulheres Apaixonadas” (2003), anunciada para público e imprensa na quarta-feira anterior, 27 de agosto.

A demora para o anúncio veio dos pormenores da Classificação Indicativa, que havia problematizado a reprise de “Laços de Família” (2000), em 2005, e impedido a reexibição de “Torre de Babel” (1998) e “Porto dos Milagres” (2001) em 2006 – todas das 20h, tal qual o bem-sucedido texto de Manoel Carlos. Pesava contra “Mulheres Apaixonadas” o fato de ter sido reclassificada, em sua exibição original, como “inadequada para menores de 14 anos”, por conta das cenas de erotismo e violência.

Naquele tempo, uma recomendação do Ministério Público Federal ao Ministério da Justiça pregava a liberação de folhetins reclassificados somente após a análise dos capítulos já reeditados. Porém, uma portaria da Classificação Indicativa, de 2007, possibilitou a reclassificação pelo MJ, por meio de um termo de compromisso assinado pela Globo, no qual a emissora se comprometia a adequar o produto para as tardes.

A medida, contudo, se referia apenas às produções classificadas por sinopse – e não por inadequações constatadas durante a veiculação do produto, caso de “Mulheres Apaixonadas”. Ainda assim, a novela passou a ser “inadequada para menores de 10 anos”. E a emissora se cercou de cuidados para evitar problemas com a Justiça.

Para se ter ideia da complexidade da Classificação Indicativa, uma cena de nudez – vetada pelo manual do MJ, ainda que “velada”, para exibição antes das 20h – passou incólume pela edição. O contexto justificava o conteúdo: Raquel (Helena Ranaldi) tomava banho (despida, óbvio) após sofrer mais uma agressão (que incluía a temida raquete) do ex-marido, Marcos (Dan Stulbach).

Temeroso, Manoel Carlos não consentiu com a reprise. Em matéria de Keila Jimenez para o jornal O Estado de São Paulo, publicada em 10 de setembro de 2008, fontes ligadas ao autor afirmavam o receio de Maneco com relação à edição – e consequente comprometimento de abordagens polêmicas, como os maus-tratos a idosos, de Dóris (Regiane Alves) para com os avós, Flora (Carmem Silva) e Leopoldo (Oswaldo Louzada).

A novela, contudo, não sofreu “retaliação” por parte do canal, como visto recentemente em “Celebridade” (2003), aplacada pelos índices aquém das expectativas – e reprisada graças à queda da vinculação horária à Classificação Indicativa, em 2016. “Mulheres Apaixonadas” chegou ao fim em fevereiro de 2009, após 130 capítulos. A trama apresentou curva ascendente de audiência: estreou com 15,7 pontos e terminou com 26, seu recorde – média geral, por critérios de arredondamento, de 18 pontos.

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O RD1 resgata na seção “Deu o Que Falar” histórias da TV brasileira que, de certa forma, impactaram os espectadores, partindo da ótica de apaixonados pela telinha: nossos repórteres. Bastidores de humorísticos, infantis, novelas, programas de auditórios e telejornais, dentre outros tantos gêneros, serão relembrados aqui.

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