Jornalista sofre ameaça de morte após criticar protesto de Pedro Cardoso em artigo
Pedro Cardoso abandonou o “Sem Censura” ao vivo e foi criticado pela colunista Malu Fontes

Pense num absurdo: Malu Fontes foi ameaçada de morte por escrever uma análise do protesto de Pedro Cardoso, que abandonou o “Sem Censura” ao vivo, na TV Brasil. No artigo, a colunista baiana e professora da UFBA diz que “fica muito mais possível fazer isso quando não se tem nenhum contrato com nenhuma emissora de TV no Brasil, quando se resolve que vai brigar com a indústria cultural do país e, principalmente, quando se está morando fora do Brasil há algum tempo e não se quer voltar”. O texto foi publicado no próprio Facebook de Malu e no jornal “Correio*”, de Salvador (BA).

“Levantar do Sem Censura, de uma TV pública hoje com uma gestão desmoralizada, convenhamos, é fácil. Muita gente nem lá vai para levantar ao vivo. Difícil é levantar da cadeira de Fatinha no meio do encontro, da poltrona quentinha da madrugada de Bial e do sofá estiloso do Saia Justa. Havia, há, todo um contexto que acolhia o ato, no caso de Pedro, que há cerca de 3 anos decidiu decidir que tudo o que se faz na indústria cultural brasileira é pornográfico, tudo, tudo mesmo, nos termos dele, exceto o que ele faz, claro, e agora faz em Portugal”, escreveu.

Um dia após publicar o artigo, Malu recebeu comentários divergentes sobre a polêmica. Em um deles, a baiana chegou a ser ameaça de morte. “Escrotona! Na favela, cagoeta assim morre com um tiro na testa e ninguém vê nada, viu, língua ferina? Baixaria de última”, postou o internauta no Facebook.

Reprodução / Facebook

A mensagem foi compartilhada pela própria jornalista com um comentário. “Como, nesses tempos, até respirar rende ameaça de morte, fiquei na dúvida: devo entender a doçura desse rapaz que deseja um tiro em minha testa como uma ameaça por ter escrito um mísero texto ou é só mais um rosnar bobinho de rede social?”, ironizou ela.

Malu Fontes, uma das colunistas mais respeitadas de Salvador, também é professora de jornalismo da Faculdade de Comunicação da UFBA.

Leia a íntegra do artigo de Malu:

“PEDRO CARDOSO E NOSSO ARREPIO ALHEIO – Vamos combinar: fica muito mais possível fazer isso quando não se tem nenhum contrato com nenhuma emissora de TV no Brasil, quando se resolve que vai brigar com a indústria cultural do país e, principalmente, quando se está morando fora do Brasil há algum tempo e não se quer voltar, como é o caso dele, que se mudou para Portugal após o fim de A Grande Família saiu super ressentido porque a Globo não bancou a ideia de um programa dele. Fica muito difícil é quando se tem um contrato com uma emissora no Brasil, precisar fazer publicidade em TV e fazer algo assim. Acho – e não é certeza nem sentença, é só opinião pessoal, que não tem a ver só com coragem. É militância e senso de oportunidade que a vida dele hoje permite. Um monte de colegas – e de nós, que adoramos nos “arrepiar” e adotar para arrepios de segunda mão em rede social – com trabalhinho, contrato televisivo e todas as contas para pagar no futuro – talvez morra de vontade de fazer isso, mas não vai fazer porque não pode e a sensatez pisa no freio. E levantar do Sem Censura, de uma TV pública hoje com uma gestão desmoralizada, convenhamos, é fácil. Muita gente nem lá vai para levantar ao vivo. Difícil é levantar da cadeira de Fatinha no meio do encontro, da poltrona quentinha da madrugada de Bial e do sofá estiloso do Saia Justa. Havia, há, todo um contexto que acolhia o ato, no caso de Pedro, que há cerca de 3 anos decidiu decidir que tudo o que se faz na indústria cultural brasileira é pornográfico, tudo, tudo mesmo, nos termos dele, exceto o que ele faz, claro, e agora faz em Portugal. E diante de algumas atitudes parece que todo mundo fica meio infantilizado nesses tempos sombrios: “olha, vamo pular, vamo pular, vamo pular, temos mais um herói para chamar de nosso! Nossa, ele cuspiu na cara do sistemão que eu também cuspo”. Cospe nada! A gente adora e tem talento grande mesmo é para ser claquete do cuspe alheio e mais ainda para cuspir em gente do nosso tamanho e de preferência em rede social, pois na rua a gente é limpinho, do bem e triste por esse mundo tão desumano. Ah, sei. Ah, tá. O gesto de Pedro é o alimento da nossa emoção de segunda mão de cada dia. É nossa ração das últimas 24 horas. Cada um faz o que pode e tem vontade e, principalmente, o que a nossa vida permite. Vejo gente que conheço de perto, escrota para caralho, aliada ao que há de pior no mercado, postando aqui que tá arrepiada. Eu também estou, mas é de frio mesmo. Sobre Pedro, ok, aplausos, mas ele estava apenas sendo Pedro, o Pedro que arrepia os pêlos dos militantes de sofá das redes sociais desde que saiu do Brasil brigando com Deus e o mundo porque não lhe deram um programa para chamar de seu. Pronto, por hoje já contrariei o meu manual em rascunho, o “como sobreviver às tretas das redes sociais”. Fiquei cansadinha de tanto arrepio e mordi a isca sabendo que estava mordendo. Ativei o ímã logo cedo, eu sei.”

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Henrique Brinco é formado em jornalismo pelo Centro Universitário Jorge Amado (Unijorge), de Salvador. Escreve sobre mídia e cultura pop há nove anos em grandes veículos de comunicação, com passagens pela Rede Record de Televisão e Rede Bahia (afiliada na Rede Globo na capital baiana). É repórter do jornal Tribuna da Bahia e apresentador da TV Salvador. No RD1, é o responsável pela editoria de Famosos.

Envie ideias, críticas e sugestões de pauta para o e-mail brinco@rd1audiencia.com
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