Mariana Ferrão faz desabafo sobre amamentação e volta ao trabalho após licença: "Chorei várias vezes no banheiro da Globo"
Mariana Ferrão fez vários desabafos em rede social para falar sobre desafios que teve nas gestações

Mariana Ferrão usou as redes sociais para fazer um desabafo sobre suas duas gestações, amamentação e o trabalho após a licença-maternidade. Em cinco publicações feitas no Instagram, a global relembrou os desafios com seus dois filhos, Miguel e João.

“Este é o texto que não tive coragem de escrever para o Miguel”, começou Mariana, falando sobre o filho mais velho. “Eu estava de luto. Perdi as contas de quantas vezes chorei ao deixá-lo na escola. De uma hora para a outra — o dia vazio. Tudo cabia naquelas horinhas vagas. Mas vontade mesmo de fazer alguma coisa, eu não tinha. Estava me preparando para a volta ao trabalho. Era um ajuste da rotina, mas mais do que isso, parecia um treino para uma maratona emocional”, escreveu apresentadora.

“Como seria voltar ao trabalho com um coração dividido? Como seria voltar ao trabalho com os seios doloridos de leite, e os mamilos me avisando a horinha que ele estava com fome? O Miguel já pegava mamadeira. Algumas amigas tinham me falado que isso facilitaria muito o meu retorno à rotina. Mas ninguém me disse que a saudade doía no corpo”, acrescentou.

Em outro desabafo, a apresentadora do “Bem Estar”, da Globo, falou sobre as dificuldades de voltar ao trabalho: “Chorei várias vezes no banheiro da Globo. Medo de não ser mais necessária ali. Medo de não conseguir fazer tão bem o meu trabalho. Medo de estar sendo negligente como mãe. Medo. Medo. Medo”, narrou.

“Eu chegava em casa e o que mais queria era por o Miguel no peito. Sentir aquela conexão inabalável e a certeza de que ali eu estava no lugar onde tinha que estar. Sentir que alguém realmente precisava de mim. Mas o estresse estava secando meu leite. Os peitos murcharam e o Miguel, sempre glutão, começou a não querer mais mamar. Enquanto ele virava o rosto, eu inclinava meu queixo pra cima na tentativa de conter as lágrimas”, desabafou a jornalista.

Veja os desabafos de Mariana:

(Parte I) Este é o texto que não tive coragem de escrever para o Miguel. Eu estava de luto. Perdi as contas de quantas vezes chorei ao deixa-lo na escola. De uma hora para a outra – o dia vazio. Tudo cabia naquelas horinhas vagas. Mas vontade mesmo de fazer alguma coisa, eu não tinha. Estava me preparando para a volta ao trabalho. Era um ajuste da rotina, mas mais do que isso, parecia um treino para uma maratona emocional. Como seria voltar ao trabalho com um coração dividido? Como seria voltar ao trabalho com os seios doloridos de leite, e os mamilos me avisando a horinha que ele estava com fome? O Miguel já pegava mamadeira. Algumas amigas tinham me falado que isso facilitaria muito o meu retorno à rotina. Mas ninguém me disse que a saudade doía no corpo. Uma semana antes de voltar peguei dengue pela segunda vez. Foi a pior dor que já senti. A sensação de um ferro de passar roupa pressionando punhos e tornozelos. Febre de quase 40 graus por dias. E não queria ficar na cama. Queria aproveitar os últimos dias com ele. Meu maior medo era ter de parar de amamentar por causa da doença. Mas meu clínico geral disse que eu poderia continuar. O desgaste físico aumentava com a amamentação, mas eu sentia que era o que eu tinha que fazer. Afinal, que culpa aquela criaturinha tinha de eu não estar me sentindo bem? Já eu, tinha todas as culpas do mundo.

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(Parte 2) Tive de adiar em uma semana a volta ao trabalho e isso só aumentou ainda mais a minha insegurança. Os planos feitos durante a licença aterrados por algo que me deixava imóvel de tanta dor, presa à cama. Chorei várias vezes no banheiro da Globo. Medo de não ser mais necessária ali. Medo de não conseguir fazer tão bem o meu trabalho. Medo de estar sendo negligente como mãe. Medo. Medo. Medo. Eu chegava em casa e o que mais queria era por o Miguel no peito. Sentir aquela conexão inabalável e a certeza de que ali eu estava no lugar onde tinha que estar. Sentir que alguém realmente precisava de mim. Mas o estresse estava secando meu leite. Os peitos murcharam e o Miguel, sempre glutão, começou a não querer mais mamar. Enquanto ele virava o rosto, eu inclinava meu queixo pra cima na tentativa de conter as lágrimas. Insisti por um mês naquela luta na cadeira de amamentação. Qdo ele tinha 8 meses, desisti. Pedi para meu marido filmar a última vez que ele estava mamando no meu peito. Era o registro de todo o amor e de todos os medos juntos. Eu tive muita sorte em ter alguém que me orientasse desde o princípio na amamentação. Meus seios quase não racharam, meu leite desceu rápido, ele pegou fácil e, tirando, a dor nas costas, o desconforto físico foi quase nulo. Mas eu tive todos os medos do mundo – medo de não ser suficiente, de não ter leite, de ele não engordar o quanto deveria, de não voltar a tempo da manicure para a próxima mamada, medo de não o ouvir chamar de madrugada, medo de deixa-lo com fome, medo de ele não querer mais. Qdo todos os medos começavam a se equalizar, meu leite secou. Pra mim, a amamentação começou a ficar gostosa depois que ele passou a comer bem a papinha. O leite já não era essencial para mantê-lo vivo, mas era aquele momento mais puro, mais íntimo em que realmente só nós dois existíamos no mundo. O olho no olho. As conversas balbuciadas. O encontro visceral de sons e cheiros de dois corpos encostados. Eu pensei que tudo acabava ali. O luto ficou represado. Não consegui conversar com ninguém sobre o fim da amamentação. Não consegui escrever nenhuma linha sobre o que estava sentindo. Guardei a dor e o medo de a história se repetir.

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Parte 3 Quando o João nasceu, coloquei na cabeça que queria amamenta-lo pelo menos até um ano. Os primeiros dias com ele não foram fáceis. Aparentemente ele era mais preguiçoso pra mamar. Uma enfermeira foi até a minha casa e disse que eu precisava segurar a boca dele, fazer algumas manobras, apertar meu peito enquanto ele sugava para que ele conseguisse mamar mais. As mamadas eram verdadeiros suplícios. Fui ao pediatra e ele não estava engordando o quanto deveria. Não estava perdendo peso, mas também não estava ganhando o tanto ideal. Por um momento pensei em me desesperar. Depois lembrei de tudo. Lembrei, na verdade, de mim. Eu já sabia o que era ser mãe. Simplesmente ser. Não ter que fazer nada. Apenas confiar naquilo que sentia, os meus instintos que me diziam ferozmente que tudo aquilo estava errado, que a amamentação tinha que ser boa para nós dois. Deixei todas as manobras de lado e deixei ele ficar no peito o quanto quisesse, mesmo que dormisse no meio da mamada. Parei de ter vergonha de amamentar em público e, pela primeira vez, entendi que a livre demanda era na verdade, a maior liberdade que uma mãe pode ter. Se o bebê mama quando quer – não há hora marcada – é possível encher a barriga a qualquer momento para poder planejar a depilação ou o sacolão, por exemplo. João demorou mais a engordar que o Miguel. E quem disse que os irmãos têm que engordar igual? Em que manual está escrita esta regra? As mamadas com o segundo filho, especialmente quando o primeiro está em casa, são diferentes. Elas perdem a calma, ganham abraços de urso e também pitadas de ciúmes declaradas ou não. Quando o João dormia no peito, Miguel sempre falava: “Tá vendo, mamãe, ele não quer mais”. Por isso eu fiz questão de voltar muitas tardes pra casa para amamentar o João enquanto o Miguel estava na escola, mesmo depois que ele já tinha completado um ano. Sim, desta vez o estresse não me pegou. Eu já sabia como seria voltar. Mais do que isso, sabia que o mais importante da volta não era o que eu ia encontrar, mas o que eu já tinha encontrado dentro de mim.

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