“A maternidade é uma transformação na vida de qualquer mulher”, declara Fernanda Machado

Fernanda Machado abriu o coração sobre carreira e vida nos EUA (Imagem: Divulgação / Cauã Zanin)

Há oito anos morando nos Estados Unidos, em Santa Bárbara, na Califórnia, Fernanda Machado já está adaptada ao país, ao American Way. Casada com Robert Riskin e mãe de Lucas e Léo, a atriz não esconde que a vida passou a ter um novo sentido após a maternidade – um tema que adora falar e trocar experiências.

“Tudo mudou depois da chegada dos meninos. A maternidade é uma grande transformação na vida de qualquer mulher porque nosso corpo, cabeça, vida, tudo muda. As prioridades passam a ser outras…”, diz a famosa em entrevista ao RD1.

No ar com a reprise de Alma Gêmea, no canal Viva; e no Globoplay com Paraíso Tropical, ela conta ter saudade de fazer novelas no Brasil e não descarta a vinda ao país para realizar trabalhos curtos, como seriados e especiais:

“Tenho muita saudade, claro! Mas agora com a minha vida aqui na Califórnia fica mais difícil para voltar e gravar uma novela por um ano no Brasil. Talvez, uma personagem menor numa série ou novela, ou até fazer cinema. Então, projetos mais rápidos são possíveis de serem conciliados com a vida que levo aqui. Ainda tenho à minha casa no Rio e sei que à minha vida uma hora voltará para o Brasil. Estar aqui não é definitivo, mas é um momento da minha vida. Se aparecer um trabalho incrível que eu possa conciliar, eu vou!”.

Confira a entrevista na íntegra:

RD1 – Você está morando há oito anos nos Estados Unidos. Já está adaptado ao país?

Fernanda Machado – Já me acostumei. Não me sinto mais tão estrangeira, apesar de que a gente sempre vai ser estrangeira. Não sou americana (risos), mas não me sinto um peixe fora d’água. Aqui já se tornou mais à minha casa. A gente faz mais amigos, cria uma comunidade; os filhos vão crescendo… Porém, ainda tenho saudade do Brasil e isso nunca passa.

Você mora em Santa Bárbara. Como é o dia a dia na Califórnia?

Moro em Santa Bárbara, que fica a duas horas de Los Angeles. Aqui é um pequeno paraíso porque temos mar e montanha próximos, é parecido com o Rio. Só que é pequeno. Eu já curti muito cidade grande, porém, depois que me tornei mãe e desacelerei o ritmo, prefiro a cidade pequena. Aqui tem vários restaurantes e vida cultural, e tudo sem o trânsito e as filas de Los Angeles (risos). O meu dia a dia é cuidar dos meus dois filhos, dar aula de ioga – algo que faço há uns quatro anos (mas com a pandemia, migramos do estúdio para uma área aberta por segurança por conta do vírus… E isso hoje é algo que faz mais sentido até porque aqui tem uma paisagem linda) – e cuidar de casa.

Você é mãe de Lucas e Léo. O que mudou após se tornar mãe?

Tudo mudou depois da chegada dos meninos. A maternidade é uma grande transformação na vida de qualquer mulher porque nosso corpo, cabeça, vida, tudo muda e as prioridades são outras… A gente vê o mundo de outra forma.

O mundo passa a ter outro sentido após a maternidade?

Você criar outra vida e educar esse ser humano, vê-lo crescer, acompanhar esse ser e fazer parte desse desenvolvimento, isso é algo que nos faz ver a vida de uma forma bem diferente. E acho que sim, hoje entendo melhor o ser humano. A gente entende que o bebê tem instinto e como adulto não percebemos isso. O fato de eu ter e estar assistindo meus filhos passarem por estas fases, realmente, é uma escola que me faz entender melhor o ser humano.

Então compreende melhor seus pais?

Com certeza! Como disse antes, você começa a entender melhor as pessoas, a enxergar melhor o ser humano de forma mais clara. Sempre fui muito grata aos meus pais, mas depois de me tornar mãe… Eu sempre soube de tudo que eles fizeram por mim, porém, uma coisa é você saber e outra é viver aquilo na pele. Ou seja: a gratidão que eu tinha pelos meus pais ficou mil vezes maior! E não é só os entendo melhor, mas como aprecio, admiro e tenho gratidão infinita por eles. Quando estou com eles, literalmente, gosto de parar tudo para curti-los, assim como fizemos ano passado, ainda na pandemia.

Por aqui você está no ar no Globoplay com a reprise de Paraíso Tropical, e no canal Viva com Alma Gêmea. Guarda boas recordações dessas novelas?

Sim! Eu amei faze e a personagem (Joana), em Paraíso Tropical. Ela foi importante na minha carreira. Agora, estou na reprise no Canal Viva com a novela Alma Gêmea. Essa foi à minha segunda novela e primeira personagem com uma história própria. O Walcyr (Carrasco) me deu uma personagem que se transformava ao longo da trama.

A Dalila começou mau-caráter, imatura e com sonhos. Acabou engravidando de um homem casado, porém, a maternidade a transformou numa pessoa melhor. Engraçado é que sempre sonhei em ser mãe e tive paixão por criança… E quando soube que Dalila ficaria grávida e cuidaria da bebê durante a novela, eu amei!

A bebê que foi à minha filha na novela ficava comigo o tempo todo porque na época a mãe dela tinha só 15 anos e eu gostava de ajudar a olhar a bebê.

Seu último trabalho na TV foi em Amor à Vida. Sente saudade de fazer novela?

Tenho muita saudade, claro, mas agora com a minha vida aqui na Califórnia fica mais difícil para voltar e gravar uma novela por um ano no Brasil. As crianças estão pequenas e meu marido trabalha aqui, tem a irmã dele autista e somos nós quem cuidamos dela porque meus sogros já faleceram… A nossa vida, por enquanto, é aqui.

Talvez uma personagem de um tempo menor numa série ou numa novela poderia até ser possível. Ou até fazer cinema. Até já estive no Brasil para rodar o longa-metragem A Menina Índigo durante três meses e fiz as duas primeiras temporadas do seriado Impuros, no canal Fox.

Então, projetos mais rápidos são mais possíveis de serem conciliados com a vida que levo aqui. Ainda tenho à minha casa no Rio e sei que à minha vida uma hora volta para o Brasil (onde mora à minha família). Estar aqui não é definitivo, mas é um momento da minha vida. Se aparecer um trabalho incrível que eu possa conciliar, eu vou!

Tem projetos para este ano?

Sim. Quero escrever um livro sobre maternidade e seguir com meu canal na internet sobre o tema maternidade, que mexe muito comigo. É muito importante a gente falar da saúde mental das mães, especialmente, neste mundo moderno de hoje.

Quero muito falar sobre questões que envolvem a saúde mental maternal (esse é o tema do livro) e tenho um filme pra fazer aqui nos Estados Unidos – que já era pra ter sido rodado no final do ano passado, mas a Ômicron veio e atrapalhou tudo.

Márcio Gomes
O carioca Márcio Gomes é apaixonado pelo jornalismo, tanto que o escolheu como profissão. Passou por diversas redações, já foi correspondente estrangeiro dos títulos da Editora Impala de Portugal como Nova Gente, Focus, Boa Forma, e editor na revista de BORDO. Escreveu para várias publicações como Elle, Capricho, Manchete, Desfile, Todateen, Shape, Seleções, Agência Estado/Estadão, O Fuxico, UOL, entre outros.