“Me senti acolhida, tenho liberdade de criar”, declara Ana Paula Couto sobre RedeTV!

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João Paulo Vergueiro, Ana Paula e Mauro Tagliaferri são os âncoras do “Sem Rodeio”, revista eletrônica da Rede TV!

Foram quase vinte anos de trabalho no Grupo Globo.  Ana Paula Couto, a gaúcha que de estagiária passou a ser apresentadora da RBS – afiliada do canal na região Sul -, aproveitou as férias no Rio para mostrar seu material de trabalho para o alto escalão da maior emissora do pais. Deu certo. Foi contratada pela Globo News, passou pela reportagem, apresentação de jornais, mudou-se pra Brasília, comandou o “DFTV” e, depois, retornou ao principal canal de notícias do país.

Ana ancorou o extinto “Em Cima da Hora”, hoje “Jornal Globo News”, liderou especiais, viajou, ajudou a criar uma versão estendida do “Edição das 10h”, da redação de São Paulo, até que há dois meses sua vida, assim como a da colega Mariana Godoy, também tomou outro rumo. Ela assinou com a Rede TV! para comandar, ao lado dos jornalistas Mauro Tagliaferri e João Paulo Vergueiro, a revista eletrônica “Sem Rodeios”, a partir da próxima de segunda (08) às 18h, no lugar do policialesco “Olha a Hora”. 

Em entrevista exclusiva ao RD1, Ana relembra momentos importantes da carreira e fala da nova casa: “Na Globo, aprendi a fazer jornalismo de qualidade. Na Rede TV! quero continuar a fazer um jornalismo de qualidade e poder criar. Me permitir errar”, afirma a âncora.

Confira:

RD1: No final do expediente, como fica a sua cabeça depois de um dia cheio de informações pesadas que, infelizmente, fazem parte do nosso cotidiano?

Ana Paula Couto: O noticiário não era tão pesado, mas não era tão imediato. Agora, com a internet é punk. É puxado. Se tem notícia e ela é importante, ela será dada. E essa é a ideia do “Sem Rodeios”. Um jornalismo mais leve por conta do horário que tem jornais policiais. A ideia é fazer um contraponto na rede aberta. Levar um programa de qualidade na rede aberta com mais conteúdo.

RD1: É possível ficar indiferente diante dos fatos? 

Ana Paula Couto: Eu não fico. Não fico mesmo. Eu interajo demais com o noticiário político, violência… Quando eu cobri o “Caso Eloá”, fiquei com a imagem do rapaz na cabeça. A Globo alugou uma casa de uma vizinha e da janela dava pra ver a casa da Eloá. Aquilo me deixou mal. Não dá pra ficar indiferente. Hoje temos âncoras, não dá. Tem que saber muito do que está acontecendo. E pra isso tem que saber exatamente o que está acontecendo. O noticiário mudou muito. O público pede muito isso. E com a internet não existe mais esse jornalismo quadradinho. É um desafio para o jornalismo levar a notícia com outro olhar.

RD1: Você é viciada em notícias? 

Ana Paula Couto: Eu sou viciada em notícias (risos). Meu marido [empresário Paulo Correia] é mais viciado do que eu. Durante as viagens, a gente vai e volta ouvindo notícias. Eu quero música, mas aqui em São Paulo as pessoas respiram mais notícias. Com certeza eu sou e isso [a profissão] exige.

RD1: A Renata Lo Prete, Ana Paula Padrão, Fátima Bernardes, entre outras, contam que costumam anotar tudo numa agenda, para não se esquecerem de nada. Como é o seu processo de estudo com tantas informações? 

Ana Paula Couto: Eu anoto tudo desde criança. Papel e caneta tenho sempre comigo. Eu tenho anotado quando aconteceu a Guerra do Kuwait. Eu sempre anoto tudo. Durante os jornais, eu marcava tudo: ‘Hoje transmissão do conselho de ética’. É muita coisa pra decorar. Eu geralmente não consigo decorar o nome das pessoas. É meio aflitivo. Agora, com redes sociais, você precisa saber um pouco de tudo, ver também.

RD1: Você trabalhou no Grupo Globo por quase 20 anos. Tudo começou lá no Sul, no canal RBS. Passou pelos jornais locais do Distrito Federal, possui experiência em diversas editorias, depois migrou para a Globo News no Rio, e fez parte da estreia da redação de São Paulo. Mudar do Sul para o DF, e depois para SP, foi fácil? Sentiu alguma diferença?

Ana Paula Couto: Eu era da RBS, fui passar umas férias no Rio de Janeiro, e aí com o meu material levei pra Globo do Rio, que me indicou pra diretora da Globo News. Então, eu fiquei “emprestada” da RBS para a Globo News. Depois, precisei mudar para Brasília. Então, mais uma vez, bati na porta da TV Globo e fui contratada. Em poucas semanas, apresentei o “DFTV”, era substituta, mas passava mais tempo na apresentação do que na reportagem. Depois, voltei para o Rio. Apresentei o extinto “Em Cima da Hora”, apresentei um programa especial sobre o escritor Mario Quintana, fiz algumas viagens, reportagens e outros programas.

Aí a Globo News começou a passar por mudanças, com jornais mais longos, então surgiu a ideia de apresentar um jornal direto de São Paulo. Estou desde o começo mesmo, apresentava o jornal com a Raquel Novaes e o Luciano Cabral. Fiquei durante oito anos.

RD1: Agora, você está na Rede TV!, emissora aberta com um jornal de rede feito em SP. O que muda para você? Como será o formato do “Sem Rodeios”? 

Ana Paula Couto: Estou muito animada. O Mauro, eu o o João Paulo já temos um entrosamento. Hoje (ontem) fizemos um piloto maior. O jornal será apresentado pelos três. Das 18h às 19h15. A ideia é dar uma outra cara. Um jornalismo de qualidade, adequado. Não posso contar muito… A nossa ideia é contar com o factual, debate, abrir com uma matéria de capa, levar convidados no estúdio. Não queremos cair na obviedade, e ter um programa de qualidade no ar. Estamos chegando aqui bem cedo, uma correria. Gravamos alguns pilotos.

RD1: Já encontrou com a Mariana Godoy pelos corredores? O que ela te disse? Acompanha o programa dela? 

Ana Paula Couto: Claro. Mariana é uma querida amiga. Ela ficou muito feliz. Ela deu uma guinada na carreira dela. O programa dela está incrível! As pessoas pedem pra participar, tem fila de espera.

RD1: Mariana Godoy optou deixar a GloboNews para ter mais qualidade de vida, e fazer jornalismo com mais liberdade. Também foi seu caso?

Ana Paula Couto: Eu não estava procurando outro jornal. Ele  [Franz] conseguiu o meu contato, me ligou. Trabalhar na Globo News faz com que a gente fique conhecido pelos colegas. Eu gostei muito da Rede TV!. Aqui, as pessoas têm uma vibe muito boa. Me senti acolhida. E as pessoas diziam isso: ‘Você vai se sentir bem’. Eu tenho isso comigo. Preciso me sentir acolhida. E aqui eu senti isso. Aqui as pessoas são legais.

Vai ter uma liberdade maior. Vamos conversar bastante. Eu, o Mauro e o JP, nós chamamos o João Paulo assim, vamos comentar com os entrevistados, levar informação de qualidade, fugir muito do óbvio. É difícil na televisão e em qualquer lugar. É um desafio. Fazer com que as pessoas parem para nos assistir porque viram e gostaram dessa entrevista, desses apresentadores.  É manter o dinamismo. Teremos entradas ao vivo. Não vamos ficar nos alongando por 15 minutos. As pessoas cansam. Teremos muito material, a ideia é ser dinâmico.

RD1: Como estão os preparativos para a estreia? Quadros? 

Ana Paula Couto: A gente vai ter o “Você Repórter”… Ah, eu não posso contar! Tem pauta bacana. Matérias importantes, uma matéria de capa, uma do que rolou no final de semana, factual, convidados e assuntos bem variados. Nossa ideia é ter comportamento, saúde, violência, trânsito, economia doméstica. São VTs bons, e levantar os assuntos durante a revista com os convidados e o público através das redes sociais.

RD1: Como o Franz Vacek apresentou a Rede TV! para você? 

Ana Paula Couto: Com tudo o que ele falou ele me encantou. Contar com um produto de qualidade no ar já tranquiliza qualquer jornalista. É o que a gente quer. E ter a liberdade de criar, incluir uma crônica, uma coluna…

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Ana e Franz durante a assinatura do contrato

RD1: Você é muito crítica? 

Ana Paula Couto: Muito. Eu sou neurótica. Eu revejo os jornais que apresento. Eu sou muito crítica. É algo que preciso me libertar. É ruim, sabe. É bom por um lado pra fazer algo melhor, mas de outro…

RD1: Como lida com os erros durante o jornal? Nas redes sociais há um vídeo que mostra um erro seu durante a apresentação do “Em Cima da Hora” com a Samantha Mendes…

Ana Paula Couto: O pessoal reunia numa fita VHS os erros dos apresentadores para serem exibidos durante uma festa de fim de ano, aí alguém tirou aquela parte e jogou nas redes… (risos)

RD1: O que você aprendeu na Globo que leva para a vida?

Ana Paula Couto: São 19 anos entre Globo e Globo News, um na RBS. Tudo. Aprendi a fazer jornalismo de qualidade.

RD1: E o que espera da Rede TV!?

Ana Paula Couto: Continuar a fazer um jornalismo de qualidade e poder criar. Me permitir errar, criar, fazer parte da criação de uma revista eletrônica, que é a primeira da Rede TV!. TV é tudo dinâmico. A nossa intenção, a do Mauro também, é acertar.

RD1: Muitas apresentadoras reclamam da patrulha estética na TV. Você se sente pressionada para ter uma imagem perfeita no vídeo? É muito vaidosa?

Ana Paula Couto: Sinceramente, eu não me preocupo não. Eu faço meu trabalho, tento ficar adequada. Eu trabalho com TV, com imagem. O que eu tenho mais medo é não levar a melhor informação. Eu me preocupo realmente é com o conteúdo.

RD1: Qual foi a sua maior cobertura? 

Ana Paula Couto: Não dá nem pra falar. Fiz tantas transmissões. Talvez a cobertura do Papa com o Sergio Aguiar. Ficou bem bacana.

RD1: Fazer plantão é fácil? Lembra de algum que te deixou aflita, tensa?

Ana Paula Couto: Fazer plantão não é fácil, a gente fica longe da família nos finais de semana. É o que eu digo pra quem tá começando.  Faz parte da profissão, a notícia não para.

RD1: Antes, você acordava bem cedo para levar o jornal às 10h ao ar, agora o jornal é às 18h. Já está se adaptando? 

Ana Paula Couto: Chegava às 7h da manhã. O horário é muito bom, 18h. Na semana de estreia, devo chegar às 10h da manhã e vamos embora 21h, 22h. A equipe toda.

RD1: A Rede TV! costuma adotar um cenário virtual em seus programas e jornais. Na Globo News era físico. Como está sendo sua experiência com o virtual? 

Ana Paula Couto: O cenário é virtual, me senti tranquila. A gente não se atrapalhou não.  Me senti bem à vontade.

RD1: E como será a sua agenda daqui para frente? 

Ana Paula Couto: A gente vai no “Melhor Pra Você”, na Sônia Abrão e vamos gravar mais pilotos.

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Ana e os apresentadores do “Edição das 10h”, da Globo News

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