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Adriana Prado está no ar em “Alto Astral”

Formada em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília, Adriana Prado, a Suzana de “Alto Astral”, integrou o elenco de novelas e especiais na Band/RTP, SBT, Record, HBO, Gloob e Globo em mais de dez anos de carreira. Entre os destaques profissionais estão “Floribella”, “Paixões Proibidas”, “Amigas e Rivais”, “Ribeirão do Tempo”, “A Lei e o Crime”, “Destino Rio” e “Passione”.

Em conversa com o RD1, Adriana fala dos desafios e incertezas que a carreira artística oferece, destaca os anos em que trabalhou na Organização das Nações Unidas, carreira que largou para ser atriz, e da função social que a telenovela desempenha junto à sociedade: “As novelas levantam bandeiras, fazem alertas, convidam para o debate, instigam e fazem tudo isso de forma acessível pra população em geral.”

Confira a íntegra da conversa:

RD1- Como surgiu a oportunidade de trabalhar na ONU? 

Adriana Prado- Me formei em Relações Internacionais na UnB e fui convidada, por um professor diplomata, a trabalhar em outro Organismo Internacional chamado RITLA, depois fui convidada a trabalhar no PNUD, dentro do Itamaraty. Minha área de atuaçao era a cooperação científica e tecnológica entre o Brasil e a Europa.

RD1- As novelas buscam levar ao público o chamado “merchandising social”, casos como os retratados em “Salve Jorge” – tráfico humano, por exemplo – levam ao público uma dimensão maior do problema. Como você sentia a repercussão dos casos à época em que ainda estava na Organização das Nações Unidas? 

Adriana Prado-  Acho muito importante o papel desempenhado pelas novelas, que alcançam todas as classes sociais, no alerta e orientação em inúmeras questões de suma importância na sociedade. A ONU é uma organização extremamente ampla e diversificada, trabalha com inúmeras questões em diferentes âmbitos e esferas. Visa a defesa dos direitos humanos, garantir a paz mundial, progresso social das nações e dá condições para manter a justiça e o direito internacional. Como citei anteriormente, minha área de atuação era a científica e tecnológica e quase não tinha contato com áreas humanitárias, que fazem parte de outra gama de ação do mencionado Organismo Internacional.

RD1- Novela é puro entretenimento, ou pode ser considerada uma forma de contribuir para a formação do público em relação aos seus direitos e deveres como cidadãos?

Adriana Prado- Acredito que a cultura de novelas no Brasil tem deixado claro o papel importante que as mesmas possuem em nossa cultura. Sem dúvida nenhuma sua função primária é e será a diversão e o entretenimento. Mas sabe-se que o alcance de uma boa novela é de tal montante que a mesma pode e deve ser utilizada pra contribuir como fonte de informações. As novelas levantam bandeiras, fazem alertas, convidam para o debate, instigam e fazem tudo isso de forma acessível pra população em geral. Assuntos como racismo, doação de órgãos, barriga de aluguel, homossexualismo, adoção entre tantos outros, foram abordados nas novelas de forma convincente e com ganhos pra população que teve acesso a informações cruciais.

RD1- Como tomou a decisão de deixar um cargo na ONU para seguir carreira em uma área concorrida e instável como a artística? Você é fluente em inglês, italiano e francês. Com toda sua experiência, já participou de testes em outros países?

Adriana Prado- Minha primeira paixão sempre foi artes cênicas e a coragem de assumir a paixão só chegou com a maturidade e com o tempo. Foi uma decisão muito refletida. Amo a correria, a falta de rotina, as loucuras da profissão de atriz. Só não gosto da inconstância da carreira e das incertezas dos caminhos futuros. Já fiz trabalho em inglês, pra HBO. Chama-se “Destino Rio” e foi uma experiência maravilhosa. Adoraria trabalhar em francês ou italiano, mas ainda não tive a oportunidade.

RD1- Em “Alto Astral”, a sua personagem Suzana enfrenta a rejeição por parte da mãe e irmãos – a família não se dá conta de que não tem mais condições de levar uma vida tão confortável como antes. Já a sua personagem é mais pé no chão. Como avalia esse comportamento levando em conta o status que muitos querem manter sem poder?

Adriana Prado- Dentro da família Santana, pior do que nunca ter tido uma boa situação financeira, foi perder as possibilidades e encarar uma nova forma de se viver. Cair de padrão financeiro e social pode ser muito difícil de gerir e não é fácil pra quem não tem preparo emocional. Na família, a Suzana é a que enfrenta a realidade com foco e determinação, talvez porque pra ela nada tenha sido fácil. Existe um despreparo emocional, de uma forma geral, no que consiste o enfrentamento da realidade.

RD1- Suzana pode ser considerada a chefe da família? A quantidade de famílias lideradas por mulheres mais que dobrou nos últimos anos. Como avalia essa questão levando em consideração a sua passagem pela ONU – órgão que defende os direitos de mulheres e crianças, prioritariamente?

Adriana Prado- No que concerne o lado financeiro, Suzana é sem dúvida a chefe da família. As mulheres brasileiras quadruplicaram sua posição como chefes de família no Brasil nos últimos 10 anos.

Não saberia dizer em números qual seria essa representabilidade mundial, mas sem dúvida alguma as mulheres estão no mercado de trabalho de forma extremamente abrangente. O que me desagrada em demasia é o fato das mulheres ainda ganharem menos que os homens ocupando os mesmos cargos. Isso não faz nenhum sentido numa sociedade evoluída, mas que ainda é machista.

RD1- Como foi o processo de criação da sua personagem? Ela não é muito vaidosa, parece que carrega uma grande frustração na vida e isso pode ser percebido pela suas ações e aparência…

Adriana Prado- Suzana foi sempre humilhada dentro de casa. Nunca respeitada e sempre acreditou ser inferior às irmãs, algo que a mãe repete sempre. Abandonada pelo marido, detestada pelo filho. Frustrada e sem sonhos. Uma mulher que não consegue ver seus méritos nem suas qualidades. Todos nós conhecemos alguém amargurado e sem muita perspectiva na vida. Foi nessas mulheres que me inspirei.

RD1- Foram ao ar cenas em que o personagem Emerson Duarte, interpretado pelo ator Sérgio Malheiros, foi acusado de roubar o bazar beneficente. Suzana foi uma das poucas, além da família dele, que o defendeu e não registrou queixa na polícia. O personagem é negro e filho da empregada da família. As injustiças sociais em relação aos negros e mais pobres é um tema recorrente dos folhetins. Os números da violência e discriminação não caíram, o que será necessário para mudar esse comportamento?

Adriana Prado- O comportamento só vai mudar quando a formação dos nossos filhos for diferente. A partir do momento em que as crianças passarem a ouvir dentro de casa, no seio familiar, que a cor da pele e a condição social não tornam alguém pior nem melhor e, se os exemplos forem dados, os mesmos serão seguidos. Não se nasce racista, a pessoa se torna racista dependendo do meio em que se desenvolve e das ações que observa. Tudo começa em casa, na base, na educação e na formação do caráter de nossos filhos.

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