Christiane Torloni em seu último trabalho, “Velho Chico”

Hoje o dia é todo dela! Christiane Torloni completa 60 anos – com corpinho de fazer inveja em muita “novinha” e uma cabeça feita, de atordoar muito “novinho” que se julga ser pensante. Engajada em causas sociais, com uma história de vida marcada pela perda do filho Guilherme e inúmeros trabalhos na TV, teatro e cinema, Christiane marcou toda uma geração que se acostumou a acompanha-la – e, por que não dizer, endeusa-la? O RD1 lista agora 6 personagens icônicos da atriz, nestas 6 décadas de vida! Parabéns, Torloni!

Com Marilu Bueno em “A Gata Comeu”, novela das seis de maior audiência dos anos 80.

Christiane Torloni nasceu no Teatro de Arena, fundado por seus pais, também atores, Geraldo Matheus e Monah Delacy e amadrinhada por Cacilda Becker. Estreou na TV aos 12 anos, no Teatrinho Trol da TV Tupi, e na Globo em 1975, num “Caso Especial”. A estreia em novelas foi no ano seguinte e, após duas produções, já estava escalada como protagonista, na quase esquecida “Gina”. Voltou a coadjuvar em seguida, com mocinhas engajadas, como a Lia de “Baila Comigo”, ou sensuais, a Cláudia de “Elas Por Elas”. Em 1985, outra chance como protagonista: “A Gata Comeu”. “Foi como se eu refizesse os votos”, comentou em entrevista ao Memória Globo, sobre sua relação com a televisão após a temperamental Jô Penteado, reverenciada por uma legião de fãs por seu cabelo e guarda-roupa fashion e pelas loucuras que cometeu para conquistar Fábio (Nuno Leal Maia). A novela está em reprise no Viva, às 15h30.

Christiane Torloni e Raul Gazolla em Kananga do Japão
A segunda, e melhor, passagem pela Manchete, em “Kananga do Japão”, com Raul Gazolla.

O sucesso de Jô Penteado a credenciou para Fernanda Arruda Campos, a vilã de “Selva de Pedra”, defendida por Dina Sfat na versão original da trama de Janete Clair. Após este trabalho, porém, deixou a Globo para atuar em “Corpo Santo”, da Manchete – seu pai possuía uma estreita relação com a emissora e com seu fundador, Adolpho Bloch. Reza a lenda que Christiane se indispôs com a produção, ainda amadora, da novela e pediu para deixar o elenco; a morte de sua personagem, Simone, registrou recorde de audiência para a trama, 31 pontos. Em 1989, contudo, Torloni voltou à casa, desta vez para estrelar “Kananga do Japão”. Foi a retomada da dramaturgia da Manchete, que sucedeu ao clássico “Pantanal”. Christiane arrasou como a dançarina Dora, apaixonada por Alex (Raul Gazolla), algoz da família de Letícia Viana (Tônia Carrero). Que vem a ser mãe de Danilo (Giuseppe Oristânio), esposo de Dora.

O retorno às novelas após a perda do filho, em “A Viagem”; com Guilherme Fontes e Maurício Mattar.

Mal concluiu “Kananga do Japão” e Torloni voltou à Globo, em “Araponga” – criada para fazer frente a “Pantanal” e exibida no atípico horário de 21h30. Mas uma tragédia familiar a tirou de cena: o acidente que matou seu filho Guilherme a fez mudar-se para Portugal com o outro filho, Leonardo, gêmeos, frutos de sua união com Dennis Carvalho. O retorno ao Brasil se deu com a minissérie “As Noivas de Copacabana”, mas o apreço pela arte Christiane só resgatou com “A Viagem”, trama produzida a toque de caixa para o horário das 19h. Foi seu reencontro com Ivani Ribeiro, autora de “A Gata Comeu”, e com uma das funções de sua atividade: “O trabalho da gente é um consolo”, declarou. Na trama espiritualista, interpretou Dinah, que vivia um amor transcendental com Otávio Jordão (Antonio Fagundes), advogado que incriminou seu irmão.

Christiane Torloni em Cara & Coroa
Como Vivi, sob a identidade de Fernanda, em “Cara & Coroa”: o desafio do papel duplo.

Em “Cara & Coroa”, um desafio duplo: as sósias Fernanda e Vivi, que trocavam de papeis diversas vezes ao longo desta novela de Antonio Calmon: a segunda, chantageada por Mauro (Miguel Falabella), usurpava a identidade da primeira, que voltava para assumir seu lugar justamente quando Vivi saia de cena. Eis que as sósias se descobrem gêmeas e passam a se revezar no papel de Fernanda, para vingarem-se de Mauro. Até que, descobertas, seguem vivendo juntas na paradisíaca Porto do Céu. O trabalho foi recompensador e estafante: Christiane passou mais de dois anos afastada da televisão após o término da produção. Seu retorno ao vídeo se deu em “Torre de Babel”, como a homossexual Rafaela Katz – sua saída da trama já estava certa desde o início, mas diante da rejeição do público ao casal formado com Leila (Silvia Pfeifer), esta também acabou deixando o folhetim de Silvio de Abreu.

Christiane Torloni em Um Anjo Caiu do Céu
A vilã Laila de “Um Anjo Caiu do Céu”, tipo que marca a série “peruas de Torloni”.

Com “Um Anjo Caiu do Céu”, teve início a fase “perua” de Christiane Torloni, com uma série de madames que marcaram sua carreira na última década – inclui-se aí a cleptomaníaca Haydée de “América”, a esteticista Sônia de “Beleza Pura”, a espalhafatosa Melissa de “Caminho das Índias” e a vilã Tereza Cristina de “Fina Estampa”. No entanto, Laila, de “Um Anjo”, foi a única que reuniu características tão díspares em figura tão humana: era ao mesmo tempo maldosa, divertida, carente e apaixonada. Por ciúme da irmã Naná (Renata Sorrah), de quem roubou a maison construída em sociedade, se deitou com o cunhado João Medeiros (Tarcísio Meira), com  quem teve uma filha, Cuca (Débora Falabella estreando na Globo). Acabou como grande destaque do folhetim, o que levou Antonio Calmon a reserva-la, na sequência, para seu próximo trabalho, “O Beijo do Vampiro”, outra vez ao lado de Tarcisão.

Christiane Torloni e José Mayer em Mulheres Apaixonadas
Com José Mayer em “Mulheres Apaixonadas”; escolhida por Manoel Carlos para Helena, uma honra!

Mas Torloni acabou deixando a vampira Mina a cargo de Cláudia Raia. Por um bom motivo: atender ao chamado de Manoel Carlos para viver a Helena de “Mulheres Apaixonadas”. “Ser uma Helena é um prêmio porque o Maneco fica vendo você ao longo do tempo, fica te esperando. […] Foi incrível, ele me contou mais da minha carreira do que eu sabia em detalhes de avaliação mesmo”, contou ao site Memória Globo a respeito do convite para a engrandecedora missão. Muitos acusavam sua Helena de não ter tido “história para contar”: com o casamento em crise, ela reencontra o amor do passado, César (José Mayer), ao mesmo tempo em que descobre que o marido Téo (Tony Ramos) a fez adotar o filho que ele tivera com Fernanda (Vanessa Gerbelli). De certa forma, Helena interagia com todas as “mulheres apaixonadas” da trama, o que a fez figura fundamental no enredo.

 

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