18:53 :: 23/09/2017

Novo acordo da Globo com o Viva é animador, mas indica guinada perigosa

Duh Secco 14:50 :: 15/07/2017

“Explode Coração”, “Jogo da Vida” e “Sinhá Moça”: próximas novelas do Viva.
“Explode Coração”, “Jogo da Vida” e “Sinhá Moça”: próximas novelas do Viva.

Na escolha da próxima trinca – com estreias entre o fim do primeiro e o início do segundo semestre de 2018 – o Viva poderá recorrer apenas às novelas que a Globo produziu há 20 anos ou mais. Ou seja: tramas veiculadas até 1998, ano de “Corpo Dourado”, “Era Uma Vez…”, “Meu Bem Querer” e do remake de “Pecado Capital”. Segundo informações da jornalista Patrícia Kogut, novelas recentes são prioridade do “Vale a Pena Ver de Novo”. E complicadores jurídicos entravam o resgate de preciosidades como “O Bem-Amado” (1973) no canal fechado.

Tantas informações me causam reações contraditórias. Entusiasmo e receio. Agrada-me o fato do Viva ter de recorrer ao acervo “mais antigo” da Globo, o que pode possibilitar o resgate de tramas pouco lembradas – de autores tarimbados, inclusive –, que eu adoraria ver ou rever: “Te Contei?” (1978, de Cassiano Gabus Mendes), “Sétimo Sentido” (1982, de Janete Clair), “Corpo a Corpo” (1984, de Gilberto Braga), “O Sexo dos Anjos” (1989, de Ivani Ribeiro) e “Cara & Coroa” (1995, de Antonio Calmon), como exemplo.

Por outro lado, me preocupa todo este falatório acerca dos direitos autorais, de imagem, musicais ou seja lá o que for. “Tieta” (1989), em exibição às 15h30, demorou anos para pintar no Viva; “Fera Radical” (1988), no ar às 14h30, idem. Esses complicadores podem implicar em “re-reprises”, tão criticadas por boa parcela do público quando o canal anunciou a segunda exibição de “Por Amor”, veiculada às 23h30? Ou em títulos que não dialoguem com a memória afetiva e, consequentemente, não impliquem em audiência?

O Viva pode, neste caminho, optar por uma linha mais cult que não atenderá ao público acostumado ao perfil mais pop de hoje. Entre os noveleiros, há um consenso de que a missão do canal é resgatar clássicos da TV brasileira. Nem todo clássico, contudo, é garantia de sucesso. A opção por outros títulos menos conhecidos, que provavelmente surgirá após essa medida, idem.

A próxima trinca (“Explode Coração” (1995), “Jogo da Vida” (1981) e “Sinhá Moça” (1986)), aliás, já não possui uma novela forte suficiente a ponto de angariar público para as outras duas, como aconteceu com “Mulheres de Areia” (1993) e “A Gata Comeu” (1985). Números, é fato, só interessam aos executivos. A continuidade do canal, que depende dos índices, interessa a todos nós. E um canal sem identidade dificilmente se sustenta.

Por audiência, aliás, a Globo tem recorrido a exibições de novelas já reprisadas no “Vale a Pena Ver de Novo”. É uma aposta no certo – motivada, sem dúvida, pelo êxito dos repetecos do Viva e de “O Rei do Gado”, reapresentada pela segunda vez em 2015. Mais fácil apostar nos índices certeiros de “Senhora do Destino”, já testada na horário, do que em outra trama que não tenha figurado na faixa da tarde. Novelas das 21h, por sinal, sempre animam os noveleiros. Mas do que vale ter Nazaré Tedesco (Renata Sorrah) no ar se suas maldades são ceifadas pela edição? Prefiro esperar por “Celebridade” no Viva em 2023 do que torcer por um retorno no “Vale a Pena”.

Quando Kogut fala em “novelas recentes” não deixa claro se títulos dos últimos 20 anos serão avaliados pela Globo para ocupar o horário vespertino de reprises – uma trama exibida há duas décadas não parecem combinar com o termo “recente”. É bem possível que boas novelas como “Um Anjo Caiu do Céu” (2001) e “Porto dos Milagres” (2001), sempre aguardadas na faixa, continuem no aguardo da exibição no Viva. Desta forma, o que esperar do “Vale a Pena Ver de Novo”, além das “re-reprises” e de tramas recentes? Como reagir ao torcer por “A Sucessora” (1978) no Viva e ser surpreendido por “Zazá” (1997)?

Ainda não sei o que esperar. No momento, creio que o caminho para o Viva e para o “Vale a Pena Ver de Novo” é a moderação. Por que o canal fechado não aposta num quarto horário, reservando um para cada década (70, 80, 90 e 2000)? Ou em um que atenda ao desejo do público que espera por tramas poucos lembradas? Por que não investir em tramas de 10 anos atrás, apenas, na faixa de reprise da Globo – até para evitar o zoom indesejável das novelas em SD na era da televisão HD – com uma ou outra mais antiga ou uma “re-reprise” de vez em quando? É aguardar o noticiário “novelístico-reprisório” para novas elucubrações…




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