“O Maior Brasileiro de Todos os Tempos” troca personalidades por ídolos de araque

Carlos Nascimento foi um dos destaques positivos; jornalista não fez feio em sua nova função

Após alguns anos de espera – o programa chegou a ser anunciado no início dos anos 2000 -, o SBT estreou nesta quarta-feira, 11, “O Maior Brasileiro de Todos os Tempos”, espécie de concurso “cultural” que elegerá a maior personalidade brasileira, seja ela das artes, ciências ou da política; ou, como a emissora se pôs a divulgar, “aquela que fez mais pela nação, que se destacou pelo seu legado à sociedade”.

Essa explicação caiu por terra ao sermos apresentados aos 60 últimos colocados, de um total de 100 (do 41º ao 100º). Ninguém está a criticar o talento, ou a falta dele, de quem quer que seja, mas é constrangedor ver essa seleção anunciada pelo SBT e não destacar alguns pontos. De antemão deixo claro que não estou discutindo o formato, consagrado em outros países, mas que poderia ser adaptado, e, sim, o conceito, a intenção da emissora ao se propor a realizar um concurso dessa magnitude.

Além de didático, o “Maior Brasileiro” tinha tudo para fazer jus a seu título, mas, à primeira vista, isso ficará apenas na teoria. Se, volto a frisar, a intenção era eleger “aquela que fez mais pela nação, que se destacou pelo seu legado à sociedade”, por que a presença de alguns jovens artistas nessa seleção? Tudo bem, a de se levar em conta a questão dos fã-clubes, que, obviamente, fariam uma campanha maciça para classificar seus ídolos. Mas é exatamente neste ponto que se escancara a inoperância do SBT. A emissora deveria selecionar as 100 maiores personalidades, com base em estudos, e colocá-las ao crivo do público. Seria a forma mais justa, correta e honesta com os nomes envolvidos, visto que se evitaria o que ocorreu, uma votação levada pela emoção (pra ser educado).

Não entro no demérito de discutir a importância desse ou daquele artista para a nação, mas como explicar a presença de Joelma (83ª no ranking), Michel Teló (72º), Dedé do Vasco (63º), Tiririca (48º), entre outros, nessa lista? Ou como reagir ao ver Luan Santana (42º) à frente de personalidades do calibre de Elis Regina (44º), Carlos Drummond de Andrade (52º), Paulo Freire (55º), Monteiro Lobato (57º), Tom Jobim (89º) e Jorge Amado (93º)?

Um detalhe, Silvio Santos, um dos mais célebres brasileiros, foi, a pedido do próprio, assim como todos os artistas do SBT, retirado da votação. Um erro absurdo. Senor Abravanel, o mítico senhor de 81 anos por trás do patrimônio Silvio Santos, não tem o direito de privar seu público de votar nele.

Como disse anteriormente, não podemos desmerecer os votos dos fã-clubes, afinal votam de forma irracional para ver seu ídolo em qualquer disputa. O erro e a falta de cuidado devem ser única e exclusivamente depositados na conta do SBT. Constrangedor.

Clique aqui para ver a lista dos 60 últimos colocados.

João Paulo Dell SantoJoão Paulo Dell Santo
João Paulo Dell Santo consome TV e a leva a sério desde que se entende por gente. Em 2009 transformou esse prazer em ofício e o exerceu em alguns sites. No RD1, já foi colunista, editor-chefe, diretor de redação e desde 2015 voltou a chefiar a equipe. Pode ser encontrado nas redes sociais através do @jpdellsanto ou pelo email jpdellsanto@rd1.com.br.
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