“Os Trapalhões” é boa proposta para novo público, mas não dialoga com saudosistas

Quadro de super-heróis foi ponto positivo da estreia de “Os Trapalhões”
Quadro de super-heróis foi ponto positivo da estreia de “Os Trapalhões”

O aviso partiu do Homem-Morcega, super-herói gay interpretado por Dedé Santana: “Cuidado com as piadinhas. Os tempos são outros. Eu te processo!”. Deu para notar. A reedição de “Os Trapalhões”, que estreou hoje no Viva, parece ter sucumbido ao politicamente correto. Estiveram presentes as cenas de briga, de bebedeira, o patrão carrasco, os “travestidos”… Nada, contudo, imbuído no espírito hoje visto como misógino e preconceituoso que consagrou o humorístico nos anos 70, 80 e 90.

A “Escolinha do Professor Raimundo” foi mais feliz neste sentido – de encaixar nos dias de hoje a falta de compostura de décadas passadas. “Os Trapalhões” de agora remete mais ao dominicais de Renato Aragão, “A Turma do Didi” e “Aventuras do Didi”, do que à versão original. O humor soa quase infantil. Isso não é demérito. O erro talvez resida em levar uma proposta mais condizente com as tardes de domingo – horário em que será exibido, em breve, na Globo – do que à noite num canal de cunho saudosista. A nova versão não bateu na memória afetiva. Uma pena.

Bacana a recriação de cenários comuns à primeira versão, como a reunião de super-heróis e o salão do velho oeste. Também reedições de quadros como os dos citados seres com superpoderes e os que colocam o quarteto em profissões diferentes, como barbeiro e contrarregra. As boas ideias, contudo, padeceram por conta do texto inocente. E com piadas desgastadas, como a da cartomante que não adivinha quem toca a campainha ou o rapaz que pede ao gênio da lâmpada para desfazer os desejos dos amigos.

A estreia trouxe bons momentos de Gui Santana, o Zaca. O que não era novidade, já que o ator reviveu o personagem de Mauro Gonçalves em sua participação no “Pânico na Band”. Surpreendente mesmo foi Mumuzinho, praticamente encarnando o lendário Mussum. Espetacular! Lucas Veloso também se saiu bem. Já Bruno Gissoni (Dedeco) é fraquíssimo – talvez por isso, o menos exigido do quarteto. Nego do Borel também não foi feliz em sua tentativa de remeter a Tião Macalé.

Destaque positivo também para as presenças de Renato e Dedé Santana. Principalmente do segundo, que participou de esquetes diferentes, com tipos diversos e mostrou uma versatilidade e uma vitalidade que já não se vê mais no intérprete de Didi. Saldo final: “Os Trapalhões” é uma boa proposta, para um novo público, com produção caprichada e elenco irregular. Não é um programa para saudosista. Estes vão seguir esperando pelas reprises do original.

Duh SeccoDuh Secco
Duh Secco é  "telemaníaco" desde criancinha. Em 2014, criou o blog "Vivo no Viva", repercutindo novelas e demais atrações do Canal Viva. Foi contratado pela Globosat no ano seguinte. Integra o time do RD1 desde 2016, nas funções de repórter e colunista. Também está nas redes sociais e no YouTube (@DuhSecco), sempre reverenciando a história da TV e comentando as produções atuais.
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