Bom Sucesso
Grazi Massafera como Paloma, no primeiro capítulo de “Bom Sucesso”; bom desempenho em boa estreia (Imagem: Reprodução / Globo)

Em janeiro deste ano, no quadro “Você Por Aqui” do “Fantástico”, Grazi Massafera disse a Vera Fischer que nunca pensou em ser atriz. “Até levar isso a sério, nunca achei que eu fosse capaz“, palavras dela. Ontem (29), Grazi mostrou mais uma vez que é capaz, sim! Foi ela o grande nome do primeiro capítulo de “Bom Sucesso”, nova novela das 19h.

O tipo reservado à atriz é tão ou mais difícil do que a Larissa de “Verdades Secretas” (2015) e a Luciane de “A Lei do Amor” (2016). Paloma é a mulher que faz “das tripas coração” para criar os três filhos. A maternidade na ficção é algo relativamente novo pra Grazi Massafera – mãe de Sofia, de 7 anos. Os conflitos da mulher “quase” madura também.

Grazi, porém, administrou bem todas as emoções que Paloma lhe proporcionou. Da mesma forma que Rosane Svartman e Paulo Halm, os autores, foram hábeis na construção da sinopse, mais “adulta” do que “Totalmente Demais” (2015), primeira empreitada da dupla na faixa das 19h.

Paloma nada mais é do que Eliza (Marina Ruy Barbosa), de “TD+”, embrutecida pelas mazelas da juventude; “domesticada”, porém, pelos conflitos que a maternidade acabou trazendo.

Os autores pincelaram a estreia com referências a clássicos da literatura e memes – “os atrasados do Enem”. Abordaram assuntos em voga, como as leis que obrigaram Eugênia (Helena Fernandes) a regularizar a situação de seus empregados.

E trouxeram o contraponto entre avanços e conservadorismo – na cena em que Alice (Bruna Inocêncio, promete!) fala sobre não ter o filho que acreditava esperar e a possível sogra, Glória (Lana Guelero), católica fervorosa, se coloca contra o aborto.

Rosane e Paulo também traçaram o perfil de Paloma de forma que ela, em nenhum momento, pareceu a otimista abestalhada, como Maria da Paz (Juliana Paes), protagonista troncha de “A Dona do Pedaço”. Com personagens bem alinhavados, todos os atores tiveram boas chances logo de cara – o elenco, aliás, é enxuto, reforçando a velha máxima do “menos é mais”.

Estando já naquela fase em que não precisa provar mais nada a ninguém, Antonio Fagundes surpreende ao conciliar a rabugice e a carência de Alberto Prado Monteiro, o milionário moribundo que reage encantado ao ver Paloma caída em seu colo. E que puxa, sem nenhuma delicadeza, a orelha do filho Marcos, bem defendido por Romulo Estrela – sem a mínima sombra da sisudez do Afonso, de “Deus Salve o Rei” (2018).

Destaque também para David Junior como o frustrado Ramon. Em duas ou três cenas, David atestou sua versatilidade, posta em prova com sucessivos trabalhos – “Pega Pega”, finalizada em janeiro do ano passado, e “O Tempo Não Para”, concluída em janeiro deste ano. O mesmo para Armando Babaioff, o vilão Diogo, mau nas entrelinhas, dispensando as famigeradas caras e bocas de personagens do tipo.

“Bom Sucesso” trouxe ainda o humor de Silvana Nolasco (Ingrid Guimarães) e Lulu (Carla Cristina Cardoso) e a escola pública que conta com a professora Francisca (Gabriela Moreyra). Ainda, o pequeno de talento gigante João Bravo como Peter, caçula de Paloma.

A nova novela das 19h estreou parecendo esbanjar o que faltava em “Verão 90” – e também parece rarear em “Órfãos da Terra” e “A Dona do Pedaço”: bom texto e bons personagens para um elenco de grandes valores.

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