Coluna PRIMEIRA PÁGINA aborda o excesso de jornalismo na Record em detrimento de outras áreas

Analisando a atual situação da Record nos deparamos com uma emissora que almeja alcançar o primeiro lugar de audiência, mas que luta para manter-se insolúvel na vice-liderança. Os tempos são outros. Diferente do auge alcançado entre 2007 e 2009 com o slogan “A Caminho da Liderança”.

A Record, ao copiar táticas e produtos das rivais, principalmente da Globo e do SBT, extraiu a erva daninha que excretou o canal de Silvio Santos da segunda colocação: a falta de respeito com o telespectador. Muito mais que buscar uma estratégia de programação, o respeito com o público de casa, aquele que manda no controle remoto, foi deixado em segundo plano.

A emissora do Bispo Edir Macedo se perdeu no interminável “Caminho” que proclamara anos atrás. O slogan mudou. E a paciência do telespectador também. Antes com uma grade fincada em vários gêneros, como dramaturgia, esporte, jornalismo, infantil e linha de shows (reality’s, humorísticos, filmes e talk shows), a Record observou que era mais fácil apostar naquilo que mais atenção do público chamava, o seu jornalismo. Foi então que os demais produtos acabaram perdendo espaço.

A dramaturgia, em decorrência dos macroinvestimentos feitos nos últimos anos, seguiu recebendo modesta atenção. Novelas com duração de um ano, remakes de tramas mexicanas e reprises em pleno horário nobre vão de contra ao planejamento inicial, de brigar de igual para igual com a Globo, com até três novelas brasileiras inéditas e suas substitutas em produção.

A Record viu no seu jornalismo, abusando de um sensacionalismo medíocre e chinfrim, a chance de fazer frente à líder. Não foram raras as vezes que um produto deixou de ser exibido para dar vez aos intermináveis plantões do jornalismo do canal. “Coberturas jornalísticas” sobre casos que chocaram o país, como da pequena Isabella Nardoni e da jovem Eloá Pimentel, ganharam ares de novela. A informação foi deixada de lado, em busca da tão desejada liderança.

Abusando dessa tese, de “falar com o povão”, não sabendo a diferença de popular para popularesco, a Record aposta todas as suas fichas em seu jornalismo. Pela manhã, enterraram o projeto vitorioso do “Hoje em Dia”, criado e implantado por Vildomar Batista. A “revista eletrônica” hoje fica esmagada entre produções jornalísticas, como o “Balanço Geral”, “SP no Ar”, ”Fala Brasil” e “Record  Notícias”. Sem contar com o pseudo programa de variedades “Tudo a Ver”, que não raramente troca uma fofoquinha por uma tragédia. A emissora respira o jornalismo mundo cão, em detrimento de outras áreas.

A Record News, lançada em 2007 com o slogan “Jornalismo 24 Horas de Plantão”, que deveria ter essa demasia de produtos jornalísticos em sua programação, vive a vender horários a religiosos na calada da noite. Ou a reprisar produtos da “mãe”. Afinal, para que serve a Record News mesmo? Seria o primeiro caso de um elefante branco em uma estação de TV? Perguntar não ofende.

Quando não voltar a servir a vários públicos, nas mais variadas áreas e gêneros, fica improvável que o telespectador compre essa ideia de emissora líder. A derrocada do SBT começou quando o canal tentou fazer de tolo aquele que manda no controle remoto. Dar uma banana à Record, do mesmo jeito que o telespectador fez Silvio Santos e companhia engolirem a seco a fruta, não custa nada.

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