Coluna PRIMEIRA PÁGINA aborda o atual momento vivido pelo SBT

Cobrar criatividade de uma emissora que se perdeu no tempo talvez seja demais, mesmo assim não custa nada. Junto com a vice-liderança, perdida para a Record em 2008, o canal de Silvio Santos mergulhou numa profunda crise de identidade. Os devaneios cometidos pela direção custaram caro, afugentando o público e comprometendo toda a estrutura construída nos anos anteriores.

Embora recentemente tenha dado sinais de que ainda tem condições de lutar, o SBT demonstra um medo de ousar. Prova disso é que o canal foi o único entre os cinco maiores a não promover uma nova programação. Uma péssima propaganda para o mercado.

Analisando os últimos lançamentos, a emissora ainda não sabe lidar com seu setor de jornalismo e muito menos com o de dramaturgia. Chega a ser constrangedor os produtos apresentados pela rede no segmento, como as novelas “Amor e Revolução” e “Corações Feridos”. “Carrossel”, com estreia prevista para maio, talvez mude este panorama. É o que se espera.

Mas dois momentos da grade em especial chamam a atenção: as tardes de segunda a sexta e as noites de sábado. A estratégia de reprisar três novelas seguidas no período vespertino pode até conquistar alguns pontinhos de vantagem sobre a Record, mas é algo pensado a curto prazo. Além de enfadonho, o SBT não tem um acervo suficiente de boas tramas para garantir três reprises seguidas. O ideal seria manter apenas uma, sucedendo um filme ou a tão cobrada revista eletrônica. É o que se chama de efeito cascata.

Apesar de muito ter sido cobrado no passado, as séries na faixa das 18h seguidos por dois telejornais não buscam o mesmo tipo de telespectador, há, portanto, a quebra de público. É a mais básica das lições. O correto seria transferir o “SBT Brasil” para mais adiante, antecedendo o Ratinho, privilegiando as tramas na faixa das 19h30. A dobradinha “Chaves” e “Carrossel” geraria um resultado interessante para a emissora.

A partir de segunda, às 18h30, o canal leva ao ar o “Roda a Roda”. Não esperem índices maiores que o alcançado pelo “Chaves”. O já batido game show, agora sob o comando de Patrícia Abravanel, não terá força para isso. O programa deveria ser comandado por Silvio Santos, que por si só já é garantia de audiência. A primeira semana deveria ser comemorativa, para convidar o público do horário a trocar o que já assiste pelo “Roda a Roda”. Por que não uma semana com artistas se enfrentando?

O mesmo equívoco se observa nas noites de sábado, faixa que o SBT trata com extremo descaso. Colocar duas sessões de filmes seguidas é atestado de inoperância. O erro começa mais cedo, com o “Esquadrão da Moda” às 20h30. Um verdadeiro suicídio. Na faixa, “O Melhor do Brasil” e o “Jornal Nacional” não dão chance a ninguém.

Recentemente, falaram na volta do “Qual é a Música?”. A atração tem apelo com os saudosistas de plantão. O novo humorístico do canal, de nome “Circo Eletrônico”, ainda é um mistério. Deve substituir o “Cine Belas Artes”. Mas tudo acaba ficando na teoria.

Ao SBT falta a coragem e a malícia de antes. A emissora que tanto incomodou a Globo precisa abandonar esse complexo de inferioridade. É passada a hora de perder esse medo bobo de ousar. O telespectador adora o cheiro do novo.

 

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