Relembre a trajetória de 7 ‘monstros sagrados’ da TV brasileira

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Fernanda Montenegro comemorou 85 anos nesta semana

A palavra “veterano” vem do latim veteranus e surgiu originalmente para descrever os soldados mais experientes dos exércitos, ou seja, aqueles que haviam conhecido a guerra de perto e ainda estavam vivos para contar a história.

Na milenar “Batalha da Arte” – aquela que é travada diariamente por homens e mulheres dispostos a colorir um mundo cinzento -, um grupo de soldados possui muitas histórias para contar e ainda hoje podem ser vistos nas trincheiras.

O RD1 selecionou sete nomes pertencentes ao batalhão de veteranos que revolucionou a teledramaturgia nacional, lutando incansavelmente para mantê-la acima do ‘óbvio’, o maior inimigo da arte.

Contemplando seu ‘antes e depois’, alguns podem até pensar que o tempo os tem afetado. Suas rugas, porém, parecem meros detalhes quando comparadas à jovialidade de suas almas.

Confira a ficha destes sete guerreiros e alegre-se com uma excelente notícia: eles ainda estão na ativa e não parecem se cansar de lutar.

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Fúlvio Stefanini – 75 anos

Sua estreia na TV ocorreu em 1955 na extinta TV Tupi. Nos últimos anos, Fúlvio acumulou papéis em novelas de Walcyr Carrasco e arrebatou o público com personagens que dosavam drama e comédia com exatidão.

Dono de um grande sorriso e um dos nomes mais queridos da classe artística, Stefanini não teve o seu contrato renovado pela Globo e estreará na TV por assinatura no ano que vem, compondo o elenco de uma das novas séries do GNT.

Dentre seus papéis mais marcantes estão o Tonico da primeira versão de “Gabriela”, o adúltero prefeito Vivaldo de “Chocolate com Pimenta” e o bondoso Osvaldo de “Alma Gêmea”.

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Rosamaria Murtinho – 78 anos

Em seus cinquenta anos de carreira, Rosamaria já encarnou os mais diversos tipos de personagens e sempre impressionou pela intensidade demonstrada em cena.

A TV, porém, é apenas um dos cenários de sua trajetória, que também engloba o teatro e o cinema. Versátil, Rosamaria possui passagem por diversas emissoras de TV, veículo no qual estreou em 1964. Sua última novela foi “Amor à Vida”, na qual interpretou a ardilosa Tamara e demonstrou estar em plena forma artística.

Fora das câmeras, Murtinho é casada com outro veterano da arte, o ator Mauro Mendonça. Seu filho, xará do pai, já é um dos principais diretores da Globo e deve dar continuidade aos grandiosos serviços prestados pela família ao público.

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Glória Menezes – 79 anos

Poucos sabem, mas o verdadeiro nome da atriz que vem encantando inúmeras gerações com seu sorriso é Nilcedes Soares Magalhães Sobrinho, nome grande, mas pequeno diante da trajetória de sua dona.

Glória teve a honra de integrar o elenco de “2-5499 Ocupado”, a primeira novela diária da história da TV brasileira, exibida pela TV Excelsior em 1963. Naquele ano, ela foi premiada com o já existente Troféu Imprensa.

De lá para cá, Menezes acumulou diversos papéis inesquecíveis em tramas como “Irmãos Coragem”, “Guerra dos Sexos”, “Rainha da Sucata”, “Senhora do Destino” e “A Favorita”.

Nos últimos tempos, tem se mantido afastada dos folhetins, mas segue tendo contrato fixo com a Globo. Na vida real, é uma inspiração para os apaixonados graças à união de 51 anos com o ator Tarcísio Meira.

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Tarcísio Meira – 79 anos

O marido de Glória é descendente de Tiradentes, mártir da Inconfidência Mineira. No fim da década de 50, já brilhava no teatro e, poucos anos depois, ingressou na TV.

Teve papel central em praticamente todos os folhetins dos quais participou, além de acumular inúmeros papéis na TV. Assim como a esposa, é conhecido pela versatilidade e já encarnou homens ricos, pobres, bons, maus e até mesmo um vampiro.

Sua última aparição na TV foi em “Saramandaia”, primeira novela da qual não levantou da cadeira durante toda a trama, já que seu personagem possuía raízes de árvore (!) que prendiam seus pés ao chão.

É considerado um dos ‘rostos’ da Globo, emissora da qual é contratado desde 1967.

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Lima Duarte – 84 anos

“Memorável” talvez seja a palavra que mais se aproxima da descrição da carreira de Ariclenes Venâncio, nome real de Lima Duarte, um verdadeiro ‘operário’ da teledramaturgia.

Já na década de 60, atuava como ator e diretor na TV Tupi, e acabou chamando a atenção da Globo. Na emissora carioca, se consolidou como um dos principais artistas do Brasil ao interpretar tipos como o Zeca Diabo de “O Bem-Amado”, Sinhozinho Malta de “Roque Santeiro”, Sassá Mutema de “O Salvador da Pátria” e Afonso Lambertini de “Da Cor do Pecado”.

Em entrevista recente, Lima declarou estar magoado com a Globo por ter sido preterido nos últimos anos e chegou a afirmar que a emissora está “esperando que ele morra”.

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Fernanda Montenegro – 85 anos

Considerada por muitos como a ‘primeira-dama’ da TV brasileira, Fernanda (que, na verdade, se chama Arlette) foi a nossa única conterrânea a ganhar o Emmy Internacional e a ter sido indicada ao Oscar de Melhor Atriz.

Nos quinze anos iniciais de sua carreira, passou pelas TV Tupi e Excelsior, nas quais acumulou inúmeros papéis de sucesso até estrear em novelas da Globo em 1981 em “Baila Comigo”, de Manoel Carlos.

Na emissora, contabilizou inúmeros papéis inesquecíveis, desde a cômica Charlô de “Guerra dos Sexos” (1983) até a maquiavélica Bia Falcão de “Belíssima” (2006). Foi convidada duas vezes nas gestões dos presidentes José Sarney e Itamar Franco para assumir o Ministério da Cultura, mas recusou ambas as propostas, limitando-se a brilhar nas telas e palcos.

Sua próxima novela será “Rio Babilônia”, trama na qual encarnará uma personagem homossexual que há décadas vive com a parceira, vivida pela atriz e contemporânea Nathália Timberg.

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Nathália Timberg – 85 anos

A liberdade caracteriza a trajetória de Nathália Timberg, que, ao longo das últimas décadas, trabalhou em todas as emissoras de TV aberta que produziram teledramaturgia no país.

Sua expressão facial intensa e voz cortante fizeram com que os seus papéis fossem considerados marcantes, mas, recentemente, Timberg provocou o país em “Amor à Vida”, folhetim no qual viveu Bernarda, uma mulher que ‘ousou’ ter um tórrido romance na terceira idade e que ilustrou a intrepidez de sua intérprete.

Com uma trajetória repleta de mocinhas, vilãs e, mais recentemente, matriarcas, Nathália se prepara para “Rio Babilônia”, trama na qual sua tão amada liberdade novamente estará em pauta.

INVETERADOS

Juntos, os sete veteranos perfazem 565 anos de idade ou, se preferirem, 565 motivos para continuar acreditando numa TV que necessita de apenas um item para fisgar o telespectador: talento.

Curiosamente, o latim veteranus também deu origem à palavra “inveterado”, cujo um dos significados é “fixado pelo tempo”. Eis a melhor definição para este exército dos palcos: eles foram fixados pelo tempo e eternizados pelo público ao qual dedicaram suas vidas.

Para o autor Alcides Nogueira, especialmente convidado pelo RD1 para comentar o assunto, os veteranos são um patrimônio vivo que nunca será desvalorizado. “Eles sempre irão brilhar. São esses atores e atrizes que mostram a excelência de nossa arte cênica e televisiva. Vê-los representando é sempre um privilégio!”.

Mas, e quanto aos ‘soldados’ mais jovens? A presença de tais guerreiros não poderia intimidá-los e fazer com que se sentissem sobrepujados? Para Alcides, não. Segundo o dramaturgo, estar ao lado de um veterano pode ser a oportunidade ideal para um calouro. “Não acho que eles sobrepujem os mais novos, e sim que, generosamente, passam o conhecimento que adquiriram para os que estão chegando agora”.

E é transmitindo conhecimento que tais ícones vão gerando – e treinando – novos, formando uma geração de futuros veteranos que tentarão substituí-los à altura. É, por fim, através de cada cena estrelada por estes gigantes que é possível chegar a uma feliz conclusão: apesar das inúmeras adversidades, ainda estamos vencendo a guerra.

AvatarArthur Vivaqua
Arthur Vivaqua é um apaixonado pela TV, e por Cultura em geral. Ele acredita que pequenas coisas podem gerar grandes reflexões. Arthur já foi editor-chefe e repórter especial do RD1, para onde volta como colunista. Fale com ele através do @ArthurVivaqua no Twitter ou no arthurvivaqua@rd1.com.br.
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