Rachel Sheherazade, Karyn Bravo, Neila Medeiros e Joyce Ribeiro após o festival de tortas na cara
Rachel Sheherazade, Karyn Bravo, Neila Medeiros e Joyce Ribeiro após o festival de tortas na cara

A espetacularização do jornalismo anda em alta. Salvo honrosas exceções, jornalista hoje em dia é um profissional polivalente: humorista, animador de festa infantil, profanador de pitacos, especialista em gracejos e até mesmo palhaço.

A máxima acima foi uma vez mais seguida à risca neste domingo, 14, durante a edição do quadro “Passa ou Repassa”, do “Domingo Legal” (SBT).

Aqui não se critica o expediente adotado pela produção de Celso Portiolli, afoita em cravar as unhas na jugular de Geraldo Luís e sua trupe.

É totalmente compreensível, embora se aproxime do mau gosto, os recursos que atrações do tipo utilizam-se para manterem-se no ar. Nada contra. Muito pelo contrário. E digo mais, ser brega e/ou popular nunca pareceu tão chique. A questão é a linha tênue que delimita o popular e o popularesco.

Mas, vamos ao que interessa. Erra o SBT ao tratar jornalista como artista. E aqui não se proclama a morbidez jornalística, gélida, que até ontem debutava nos telejornais das emissoras.

Refiro-me aos convidados do quadro em questão, uma gincana pueril da década de 80 ressuscitada recentemente pelo diretor Roberto Manzoni, o Magrão. De um lado, a moçada do “The Noite” – Danilo Gentili, Roger Moreira, Léo Lins e Murilo Couto -, do outro, as jornalistas da Casa – Rachel Sheherazade, Karyn Bravo, Neila Medeiros e Joyce Ribeiro.

O quarteto responsável por passar confiança e sobriedade nos telejornais do SBT foi submetido a uma série de provas que intriga qualquer aluno. Por fim, o ápice, um festival de tortas na cara, alinhado a inúmeros pedidos das “garotas” para não sujar o cabelo. Tudo em vão.

Neila, até pelo formato do seu programa, o “Notícias da Manhã” – a profissional chegou a sambar no palco -, pareceu mais à vontade. Compreensível. Porém, vez por outra era possível notar um olhar de incredulidade vindo de Rachel, que um dia antes foi questionada no “Programa Raul Gil”, durante o quadro “Elas Querem Saber”, como tinha sido sua primeira vez. É… Competente e profissional, o quarteto não fez feio. Assim como a equipe de Danilo. Valeu pela fundamentação do espetáculo.

Deixa-se registrado que os convidados devem ser eximidos de qualquer culpa, assim como a direção do “Domingo Legal” e seu apresentador. Agora, não dá para levantar a bola para a direção de jornalismo do canal, sob a pessoa de Marcelo Parada, que autorizou a farra. O que aconteceu neste domingo é algo que não deveria ser motivo de debate. E como não se lamenta o espinho cravado, roga-se para que o expediente não volte a se repetir.

Jornalista não é artista. O SBT tem um casting de inúmeros profissionais para isso. A seriedade da categoria não pode ser corrompida. E isso passa longe de ser um discurso corporativista. É apenas uma preocupação junto à credibilidade dessas profissionais e do veículo.

O SBT não precisa seguir os passos da Record. Nunca foi de bom tom. Um profissional precisa ser reconhecido pelo seu talento, e não por seus contornos curvilíneos que acabam propiciando alcunhas nada ideais ou por um bigode a ser raspado. O jornalismo show, dito de verdade, implantado a fórceps pela Record, não pode e nem deve servir de parâmetro. Muito pelo contrário. O jornalismo não pode acasalar-se com o buzz. Os limites, acima de tudo, devem ser respeitados.

 

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