Isabelle Drummond é a Julia de "Sete Vidas"
Isabelle Drummond é a Julia de “Sete Vidas”

Experimente instalar câmeras na casa de uma família comum e, sem fornecer-lhes nenhum tipo de roteiro, assista diariamente aos melhores momentos de sua rotina. O resultado não será uma nova edição do “Big Brother Brasil”, mas um capítulo de “Sete Vidas”.

Desde que estreou, a trama assinada por Lícia Manzo abraçou três alicerces: Doçura, profundidade e calor. O folhetim entra diariamente para a história do gênero ao exibir uma coleção de cenas extremamente simples, mas perturbadoramente complexas.

O paradoxo parece ser uma das especialidades de Lícia (autora da igualmente inesquecível “A Vida da Gente”, de 2011), que tem o dom de contar histórias comuns de forma extraordinária. Nelas, não há escadas assassinas, mordomos misteriosos, favelas violentas ou vilões lunáticos. Há apenas seres humanos, e isso basta.

“Sete Vidas” é, em suma, um documentário sobre escolhas passageiras e suas consequências eternas e, por ser assustadoramente real, gera um engajamento ímpar entre seus telespectadores, que se tornam debatedores da trama e intérpretes de seus personagens.

Estes, aliás, são o principal trunfo da produção. Quem nunca conheceu uma Irene, uma Lígia, uma Julia ou um Vicente? Indo além: Quem nunca encontrou um deles ao se olhar no espelho? Tecendo diálogos iluminadores enquanto lutam com sua própria escuridão, eles fornecem ao telespectador a maior de todas as aventuras: a busca pela felicidade.

Para os ávidos por ficção, a novela oferece um belo (e, para alguns, indigesto) retrato da realidade. No capítulo da última sexta, Miguel disse: “Terra firme nunca foi meu forte”.

Nem o nosso, cara.

***

Apesar das láureas à Lícia, não se pode limitar as palmas. “Sete Vidas” parece ser o fruto de esforços conjuntos que englobam direção primorosa, atuações cativantes e um grupo que cuida de cada detalhe.

A novela tem um “tom”, um “cheiro”, e um “gosto” característicos que se expressam em cada sequência, em cada cor, em cada cenário, em cada trilha. É, em suma, uma orquestra que aprendeu a tocar em plena harmonia, cada qual com seu próprio instrumento.

A plateia agradece.

____________________________________________________________

Se você amou ou odiou este texto, não deixe de enviar um e-mail para arthur@rd1audiencia.com. Se preferir, manifeste sua admiração e/ou indignação no Twitter, onde sou o @ArthurVivaqua. Ouvir você será uma honra!

Você está ficando de fora...

Não perca nada!

Saiba tudo o que está em alta no Instagram dos Famosos.

SIGA AGORA