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“Senhora do Destino” está de volta às tardes da Globo

Na última semana, a Globo confirmou “Senhora do Destino” como próxima atração do “Vale a Pena Ver de Novo” e causou enorme alvoroço nas redes sociais. Exibida entre junho de 2004 e março de 2005 na faixa das 21h, a trama escrita por Aguinaldo Silva e dirigida por Wolf Maya já havia sido apresentada na faixa vespertina em 2009, onde voltou a marcar altos índices de audiência.

O RD1 selecionou as maiores curiosidades deste folhetim que marcou toda uma geração. Confira:

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Trama principal de “Senhora do Destino” remeteu ao Caso Pedrinho

Baseada em fatos reais

Aguinaldo Silva se inspirou no caso real de Pedro Rosalino Braule, o Pedrinho, para a construção da trama central da novela. Sequestrado em 1986 por Vilma Martins Costa em uma maternidade, Pedrinho descobriu que não era filho da empresária aos 16 anos de idade, quando a revelação veio à tona e ganhou as manchetes de jornais de todo o país. Com a prisão de Vilma, o garoto foi morar com os pais biológicos. O caso chamou atenção de Silva, que viu na história real a possibilidade de criar uma trama de novela.

“Senhora do Destino” teve ainda referências biográficas do autor, um nordestino que deixou sua cidade natal de Carpina (PE) para viver e trabalhar na região Sudeste do país. O nome da protagonista da trama, Maria do Carmo Ferreira da Silva foi uma homenagem à mãe do dramaturgo. A abordagem da Ditadura Militar na primeira fase da história também remete à carreira de Aguinaldo como jornalista, nos anos 70. O autor ficou preso por 70 dias por escrever o prefácio dos “Diários de Che Guevara”.

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Cotada para interpretar Nazaré, Susana Vieira acabou ficando ‘no lugar’ de Regina Duarte como Maria do Carmo

Substituição de atores e mudanças na escalação

O período que antecedeu as gravações da trama foi de muita tensão nos bastidores. Regina Duarte era a primeira opção para interpretar Maria do Carmo, mas a atriz pediu duas semanas para pensar e exigiu que Gabriela Duarte interpretasse sua filha na ficção. O diretor Wolf Maya recusou o pedido da veterana, já que Carolina Dieckmann estava escalada para o papel de Isabel, e Regina e Gabriela já haviam feito mãe e filha em “Por Amor” (1997).

Com a ‘saída’ de Duarte, houve uma importante troca de personagens. Susana Vieira, até então escalada para interpretar a Nazaré, assumiu o papel de Do Carmo. Com isso, Renata Sorrah foi chamada para dar vida à antagonista da trama e imortalizou sua Nazaré Tedesco. Nos bastidores da Globo, a mudança gerou dúvidas, que foram superadas com a atuação genial e arrasadora de Sorrah.

Outra curiosidade no elenco é que a dançarina Scheila Carvalho chegou a ser cotada para o papel da musa de escola de samba Marinalva, mas a personagem acabou ficando com Tânia Khalil.

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Nazaré tentando entender a passagem de tempo de “Senhora do Destino”

Incoerência cronológica

A primeira fase da trama se passa no final do ano de 1968, durante a Ditadura Militar no Brasil e, após a passagem de tempo, a história possui algumas características do início da década de 90, como foi declarada pelo autor. No entanto, cenas mostravam carros fabricados em 2004, o Real como moeda, além de ações de merchandising de produtos que não existiam nos anos 90. Se a história se passasse nos anos 2000, como aparentava, Isabel teria 36 anos e não “20 e poucos”.

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“Gostosa pra caramba”, a raposa felpuda roubou a cena

Vilã inesquecível

A personagem de Renata Sorrah marcou época e entrou para o time de vilãs inesquecíveis da dramaturgia brasileira. A falta de modéstia da Naza rendeu cenas memoráveis. Não raramente, a personagem olhava para o espelho e rasgava elogios a si mesma. “Gostosa pra caramba”, “raposa felpuda” e “loira linda” eram adjetivos criados pela megera.

Os “apelidos carinhosos” que Nazaré criava para humilhar as pessoas também caíram no gosto popular. Maria do Carmo era chamada de “anta nordestina” pela sequestradora, que passou a se referir aos filhos da rival como “flageladinhos”. Claudia (Leandra Leal) também foi vítima da madrasta:  vez sim, outra também, a personagem de Leandra Leal era chamada de “songa monga”.

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Quando foi presa por invadir a casa de Do Carmo e confessou seus crimes, Naza também garantiu ao público momentos hilários. Ela teve que lavar privada, enquanto sua maior rival assistia tudo de “camarote”. Em uma das cenas mais memoráveis, a vilã se recusou a tomar banho gelado com sabão de coco porque não queria estragar os seus cabelos, mas o pior viria depois, com a falta de água na cela.

A escada ‘assassina’ da casa de Nazaré também foi um dos pontos altos da história. Logo na primeira semana, a vilã empurrou e matou o marido Zé Carlos (Tarcísio Meira), após ele descobrir que a esposa sequestrou o bebê de Maria do Carmo no passado. Djenane (Elizângela) e Claudia (Leandra Leal) também foram vítimas da escada, mas nos dois casos, as duas se desequilibraram e caíram sozinhas.

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Público teve a oportunidade de escolher final de Maria do Carmo

Você decide

Desde o início da história, Maria do Carmo tinha dois amores. que dividiam a torcida do público: Dirceu de Castro (José Mayer) e Giovanni Improtta (José Wilker). Por meio de uma votação realizada no “Fantástico”, os telespectadores tiveram a chance de escolher com quem a empresária terminaria a história.

Com pouco mais de 50% dos votos, o público decidiu que a mãe biológica de Isabel teria que se casar com Giovanni. E assim foi. A Globo chegou a gravar os dois finais, mas atendeu o pedido da audiência. O autor da trama comentou que o seu desejo pessoal era ver a protagonista ao lado de Dirceu no último capítulo.

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Surra de Maria do Carmo em Nazaré lavou a alma do público

Audiência arrebatadora e surra que parou o país

“Senhora do Destino” monopolizou a audiência do horário nobre da TV em 2004. Com uma impressionante média de 50,4 (50) pontos, o folhetim obteve o melhor desempenho em oito anos: desde “O Rei do Gado” (1996), a Globo não via índices tão altos. Um dos momentos mais importantes da história foi o reencontro de Maria do Carmo e Isabel, que rendeu 55 pontos.

O momento mais aguardado da trama, no entanto, foi a surra em que Do Carmo deu em Nazaré. O capítulo do acerto de contas entre as duas cravou 58 pontos de média. O índice que parecia inatingível foi superado no penúltimo capítulo da história, com insuperáveis 65 pontos.

A primeira reprise da trama, em 2009, também garantiu excelente audiência, com 21 pontos de média geral, chegando a picos de 33 em seu último capítulo, índice que, nos dias de hoje, até o horário das 21h sofre para atingir.

Adaptação para as tardes

Assim como ocorreu em 2009, “Senhora do Destino“ não será exibida na integra no “Vale a Pena Ver de Novo”, e sofrerá alguns cortes, mesmo com alterações que decretaram o fim da vinculação horária atrelada à Classificação Indicativa.

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Telespectadores denunciaram a trama por conteúdo considerado apelativo e violento

Campeã de baixaria

“Senhora do Destino” abordou temas de impacto social, como o mal de Alzheimer, por meio da personagem Laura (Glória Menezes), e a diversidade sexual – com o relacionamento entre Jenifer (Bárbara Borges) e Eleonora (Mylla Christie) – mas muitos telespectadores também enxergaram “apelo sexual e incitação à violência”, tornando a trama recordista de reclamações do “Ranking de Baixaria” divulgado pelo Fórum Social Mundial, por meio de uma campanha que existia na época, o “Quem Financia a Baixaria É Contra a Cidadania”.

A novela superou até mesmo o número de reclamações contra o programa de João Kleber na RedeTV! Em entrevista à Folha na época, Aguinaldo Silva afirmou que a alta audiência da trama contribuiu para o número expressivo de reclamações. “É natural que qualquer acontecimento mais forte na novela tenha mais repercussão que nos concorrentes inteiramente dedicados à baixaria”, comentou.

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“Senhora do Destino” foi a última novela de Miriam Pires e Raul Cortez

Morte e doença nos bastidores

O elenco de “Senhora do Destino” sofreu uma triste perda. A atriz Miriam Pires, a Clementina, cozinheira de Maria do Carmo, faleceu durante as gravações da trama, mas sua personagem continuou sendo citada na história e ganhou várias homenagens do autor, entre elas a de um lançamento de um livro de receitas de pratos nordestinos, que acabou extrapolando a ficção e foi lançado pela Editora Globo.

O ator Raul Cortez teve que se afastar da trama a menos de três meses de seu último capítulo por conta de um câncer. Seu personagem, o Barão, fez uma viagem na história, enquanto o ator enfrentava sessões de quimioterapia. Cortez voltou a gravar uma aparição na trama em sequencias finais. O ator faleceu em junho de 2006.

 

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