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Tudo sobre os bastidores de “A Padroeira”; novela da Globo estreia na TV Aparecida nesta segunda (17)

Duh Secco 11:30 :: 17/04/2017

Cecília (Deborah Secco) e Valentim (Luigi Baricelli), protagonistas de “A Padroeira”.
Cecília (Deborah Secco) e Valentim (Luigi Baricelli), protagonistas de “A Padroeira”

15 anos após a exibição de seu último capítulo, “A Padroeira” está de volta à TV! Curiosamente, não no canal em que foi exibida originalmente. Pela primeira vez em sua história, a Globo cede uma novela “sua” para a concorrência. No caso, a TV Aparecida, comemorando os 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida nas águas do Rio Paraíba com a exibição da trama, em dois horários (19h e 22h30). A estação católica responderá apenas pelo pagamento dos direitos de imagem do elenco e autorais da trilha sonora.

Para celebrar este retorno, o RD1 preparou um “resumão” dos agitados bastidores de “A Padroeira”. Confira!

O autor de “A Padroeira”, Walcyr Carrasco.
O autor de “A Padroeira”, Walcyr Carrasco

“A Padroeira” estreou em junho de 2001, apenas três meses após a conclusão do trabalho de estreia de Walcyr Carrasco (em novelas) na Globo, “O Cravo e a Rosa”. O êxito desta produção, após anos de folhetins cambaleantes em audiência, determinou a escalação do autor neste curtíssimo espaço de tempo. Carrasco tomou como base o romance “As Minas de Prata”, de José de Alencar, que já havia rendido uma produção de mesmo título, escrita por Ivani Ribeiro para Excelsior, em 1966.

Curioso constatar que Paulo Goulart interpretou o “mesmo personagem” nas duas tramas: o pai tirano da mocinha (Regina Duarte/Deborah Secco). Curioso (e triste) constatar também que Walter Avancini dirigiu as duas produções. E se afastou de ambas por motivos de saúde; o diretor faleceu em setembro de 2001, três meses após a estreia de “A Padroeira”.

Norton Nascimento interpreta o escravo Zacarias, figura verídica.
Norton Nascimento interpreta o escravo Zacarias, figura verídica

Todos os milagres atribuídos à Nossa Senhora Aparecida, segundo registros da Igreja Católica, foram apresentados na novela; para encaixá-los à trama, Walcyr Carrasco modificou os perfis dos personagens “reais” e datas. Os grilhões do escravo Zacarias (na ficção, Norton Nascimento) estão expostos até hoje na cidade de Aparecida do Norte, onde está o Santuário Nacional de Aparecida. Para o dia da Padroeira, 12 de outubro, o autor preparou um capítulo especial, no qual a menina Marcelina (Renata Nascimento) voltava a enxergar, por intervenção da santa.

A Igreja Católica, contudo, recebeu a novela com ressalvas. O então reitor do Santuário Nacional de Aparecida, José Ulysses da Silva, disse em nota oficial estar apreensivo com possíveis “distorções da história real e deformações religiosas”, já que a Globo não havia buscado respaldo histórico junto à Basílica. Após a estreia, no entanto, Darci José Nicioli, então administrador do Santuário, declarou à “Folha de S.Paulo” (24/06/01): “Estávamos ansiosos para ver como a Globo iria retratar a história, mas, até agora, a novela superou as nossas expectativas. Pelo menos no que diz respeito ao conteúdo teológico, a novela está muito bem”.

O autor Walcyr Carrasco comentou, à época, um fax que recebeu do Santuário Nacional de Aparecida, com elogios ao folhetim. Cenas do último capítulo foram gravadas na Basílica, com direito a uma apresentação de Joanna, intérprete de um dos temas de abertura, ‘A Padroeira’ – foram 4 ao todo.

Silvana (Laura Cardoso), Atanásio (Jackson Antunes) e Filipe (Isaac Bardavid), protetores da santa.
Silvana (Laura Cardoso), Atanásio (Jackson Antunes) e Filipe (Isaac Bardavid), protetores da santa

Para contextualizar o enredo, a produção contou com o auxílio da historiadora Carla Mucci, encarregada até de substituir eventuais expressões do roteiro que não condiziam com a época retratada; também do mexicano Javier Lambert, que assessorou as cenas de ação. E até uma bruxa, Márcia Frazão, que auxiliou Yoná Magalhães na composição da feiticeira Úrsula.

A cidade cenográfica, de 12 mil metros quadrados, contava com duas vilas: a de Guaratinguetá e a dos pescadores – com um rio cenográfico de 30 metros. 47 ambientes foram construídos em estúdio, como salas, cozinhas e senzalas. O figurino contava com cerca de 700 peças, confeccionadas em um mês por uma equipe de dez costureiras, bordadeiras e alfaiates; as mulheres dos núcleos mais abastados vestiam cerca de sete vestes (calçola, camisolão, três anáguas, saia e corselete).

13 réplicas da imagem de Nossa Senhora Aparecida, da forma como ela foi encontrada nas águas do Rio Paraíba, compunham a cenografia de “A Padroeira”; dez delas em gesso e três em resina. Todas confeccionadas a partir de uma imagem adquirida em Aparecida do Norte, onde encontra-se a estátua original.

Fernanda Nobre e Lucélia Santos em cena de “Malhação”, que batia a audiência de “A Padroeira”.
Fernanda Nobre e Lucélia Santos em cena de “Malhação”, que batia a audiência de “A Padroeira”

Tanto apuro, infelizmente, não se converteu em audiência. Apesar do início promissor, acima da meta de 30 pontos, “A Padroeira” logo caiu para um patamar de cerca de 24 pontos, o mais baixo índice das últimas sete tramas do horário: “Estrela-Guia” (32), “O Cravo e a Rosa” (30), “Esplendor” (30), “Força de um Desejo” (25), “Pecado Capital” (28) e “Era Uma Vez…” (28).

No mês seguinte à estreia, diante da saída de Walter Avancini e dos índices alarmantes, Roberto Talma assumiu a direção geral de “A Padroeira”. A trama passou por reformulações, que levantaram os números. Ainda assim, a novela das seis se manteve abaixo de “Malhação”, que a antecedia. Nos primeiros dias de agosto, o placar apontava 27 para a novela teen a 26. Os índices subiram na reta final, em janeiro de 2002 – curiosamente, o período de “esticamento” do folhetim, que ganhou mais capítulos em razão do cancelamento de “A Dança da Vida”, de Maria Adelaide Amaral, e da demora na produção de “Coração de Estudante”, a substituta.

Imaculada, personagem de Elizabeth Savala, teve seu perfil alterado no decorrer da trama.
Imaculada, personagem de Elizabeth Savala, teve seu perfil alterado no decorrer da trama

Sob a batuta de Roberto Talma, “A Padroeira” ganhou mais cor – sim, cenários foram pintados e o figurino repaginado. E também novos personagens, com destaque para a artista mambembe Dorotéia (Susana Vieira) e seu companheiro Faustino (Rodrigo Faro). Também o juiz Honorato (Taumaturgo Ferreira) e sua filha Zoé (Cecília Dassi), padre Gregório (Daniel de Oliveira), Frei Tomé (Felipe Camargo) e o capitão do mato Inocêncio (Jandir Ferrari); mais adiante, Antonieta (Giulia Gam).

Personagens históricos, como os pescadores que encontraram a imagem de Nossa Senhora Aparecida, deixaram o folhetim – Filipe (Isaac Bardavid) e Domingos (Carlos Gregório). Todo o núcleo da hospedaria de Guaratinguetá foi dispensado (Denise Milfont, Jackson Antunes e Maria Ribeiro, entre outros). Também Zuleika (Ida Gomes), cúmplice da vilã Blanca (Patrícia França).

“A Padroeira” também ganhou cenas de comédia pastelão; algumas estreladas pela antes amarga Imaculada (Elizabeth Savala). Também um forte apelo erótico: o galã Valentim (Luigi Baricelli) abriu os primeiros botões da camisa; Diogo (Murilo Rosa) ficou de “bumbum de fora” para seduzir Izabel (Mariana Ximenes); o pretenso padre Luiz (Gustavo Haddad) foi consumido pela tentação simbolizada por Dorotéia. Não se sabe se estas cenas serão editadas ou exibidas na íntegra pela TV Aparecida.

Yoná Magalhães e Stenio Garcia deixaram “A Padroeira” para atuarem em outras produções.
Yoná Magalhães e Stênio Garcia deixaram “A Padroeira” para atuarem em outras produções

Antes do início das gravações, o elenco sofreu sua primeira baixa: Ney Latorraca saiu do projeto, deixando seu personagem (o poeta Manuel) para Otávio Augusto. Dom Antônio, interpretado por Stênio Garcia, morreu num duelo, permitindo a entrada do ator no elenco de “O Clone”. De acordo com a sinopse original, Dom Antônio terminaria a trama ao lado de Imaculada, seu grande amor do passado. A sinopse sofreu uma nova alteração com a saída de Yoná Magalhães, deslocada para “As Filhas da Mãe”. Sua personagem, Úrsula, era a mãe desaparecida de Valentim, que acabou filho de Dorotéia.


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