TV Aparecida exibirá “A Padroeira”; pela primeira vez Globo vende novela para concorrente

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“A Padroeira” será exibida pela TV Aparecida

Numa negociação surpreendente, a Globo cedeu os direitos de exibição de uma novela sua para outra emissora brasileira. No caso, A Padroeira, recentemente apontada como possível cartaz do “Vale a Pena Ver de Novo”. A trama de Walcyr Carrasco, exibida originalmente em 2001, deve ser transmitida pela TV Aparecida, canal UHF, hoje entre as sete principais TVs abertas do país.

A informação publicada pelo jornalista Ricardo Feltrin em sua coluna no “UOL” é de que a novela será veiculada pela TV Aparecida em 2017, ano do jubileu de 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida nas águas do rio Paraíba do Sul, atendendo assim ao desejo do canal de recontar a história da Padroeira e o início desta devoção. Não há ainda maiores informações a respeito de data de estreia e horário de exibição.

O diretor de programação da TV Aparecida, padre William Betonio, comentou a negociação na coluna de Feltrin: “A novela é a maneira preferida do brasileiro para assistir às histórias e um presente para os devotos que estarão em festa no próximo ano”.

Conhecida por vender novelas apenas para o mercado externo, a Globo adota, com a cessão de “A Padroeira” para a TV Aparecida, um procedimento já praticado por outras emissoras: a Band vendeu produções suas para canais menores, como a Rede Vida e a TV Diário; a Record já negociou “A Escrava Isaura”, “Essas Mulheres” e “Chamas da Vida” com canais fechados; “O Direito de Nascer”, produzida pela JPO e veiculada no SBT foi reprisada no Fox Life, também da TV paga; o canal de Silvio Santos, por sua vez, reapresentou “Xica da Silva”, “Pantanal”, “Dona Beija” e “A História de Ana Raio e Zé Trovão” da extinta Manchete, que também produziu “Mandacaru”, adquirida pela Band.

Produções da Globo já foram vistas em canais como TVE e Cultura. A primeira versão de “Meu Pedacinho de Chão” (1971), produzida em parceria com a última, chegou a ser reapresentada pela TVE em 1977. O modelo, no entanto, dependia da troca de conteúdo, num esquema similar ao do canal carioca com a Fundação Padre Anchieta, mantenedora da Cultura – a Globo cedeu o “Sítio do Picapau Amarelo” (2001) para que a TV pública de São Paulo consentisse com a exibição do “Castelo Rá Tim Bum” na Globo Internacional.

Convém salientar também que a exibição de “A Padroeira” na TV Aparecida vai ao encontro da estratégia de programação adotada pelo canal de não ofertar apenas conteúdo religioso. Programas como “Santa Receita”, feminino de Claudete Troiano, e “Terra da Padroeira”, voltado para a música sertaneja, atraem anunciantes e bons números; o “Festival Mazzaropi”, com filmes de Amâncio Mazzaropi, exibiu às quartas-feiras, também conquistou uma plateia considerável.

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Duh Secco é “telemaníaco” desde criancinha. Em 2014, criou o blog “Vivo no Viva”, repercutindo novelas e demais atrações do Canal Viva. Foi contratado pela Globosat no ano seguinte. Integra o time do RD1 desde 2016, nas funções de repórter e colunista. Também está nas redes sociais e no YouTube (@DuhSecco), sempre reverenciando a história da TV e comentando as produções atuais.

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