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Guilherme Fontes como Alexandre, em “A Viagem”; clássico das novelas completa 25 anos (Imagem: Divulgação / Globo)

Há 25 anos, a Globo exibia o primeiro capítulo de “A Viagem”. A novela de Ivani Ribeiro entrou para a história como a maior audiência, às 19h, da década de 1990; ganhou três reprises – 1997, 2006 e 2014 (no Canal Viva) –, renovando a força sobre o público da exibição original e “expandindo seus domínios” para outras gerações de noveleiros, tocadas pelo amor transcendental de Dinah (Christiane Torloni) e Otávio (Antonio Fagundes), alvo do ódio, de muitas encarnações, de Alexandre (Guilherme Fontes), irmão dela, levado à cadeia, onde se suicidou, por intermédio dele, promotor – na mente doentia de Alexandre, o cunhado Téo (Maurício Mattar), marido de Dinah, e o irmão Raul (Miguel Falabella) também eram responsáveis por sua “má sorte”.

Como de praxe, naquela época e ainda hoje, a Globo aproveitou o início de abril para repaginar a programação. A estreia de novela no dia 11 veio acompanhada das novas temporadas da “TV Colosso”, da “Escolinha do Professor Raimundo” e dos “Concertos Internacionais”. Ainda, a estreia do “Vídeo Show” diário, que impôs jornada dupla a Falabella, na linha de frente do vespertino e de “A Viagem”. E a reformulação do “Jornal Hoje”, então a cargo de Cristina Ranzolin e William Bonner. Abaixo, resgato, além destas e de outras atrações da grade, as emoções de “Sonho Meu” e “Fera Ferida”, folhetins das 18h e das 19h. Também uma “zapeada” pela concorrência, com programas tão bons quanto os da Globo.

Abrindo os trabalhos, às 6h30, o último ano do “Telecurso 2° Grau”. As aulas, veiculadas desde 1979, perderam espaço para o “Telecurso 2000” em novembro daquele ano. A princípio, o novo módulo – que contava com Marcelo Tas na apresentação e nomes como Luís Melo, Rosi Campos e Zezé Motta no elenco –, foi veiculado apenas aos sábados. Em janeiro de 1995, nos 30 anos da Globo, o “2° Grau” foi definitivamente aposentado. Às 7h, o “Bom Dia Brasil”, então apresentado de Brasília por Luiz Carlos Braga, hoje na Record. Chama atenção do noticiário, hoje recordista de audiência nas manhãs, contar com apenas trinta minutos de duração. Tal qual o “Bom Dia” local, das 7h30 às 8h, atualmente com duas horas.

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A produtora Priscila e o “chefão” JF, estrelas caninas da “TV Colosso” (Imagem: Nelson Di Rago / Globo)

Às 8h, a “TV Colosso” apostava no lançamento do desenho “Animaniacs”, criado por Steven Spielberg – de clássicos do cinema, como “E.T. – O Extraterrestre” (1982) e “De Volta Para o Futuro” (1985), cuja versão animada embalou as manhãs da Globo, no início dos anos 1990. Estrela da estação canina, a produtora Priscila passou a dividir os holofotes com a dupla Provolone e Parmesão, dois “comediantes” da raça Shar-pei. E o então recém-contratado da emissora, Thunderbird, ex-VJ da MTV, ganhou um “sósia” no mundo pet: Thunderdog, responsável pelo quadro “Clip-Cão”. A passagem de Thunderdog pela “TV Colosso” durou mais que a de Thunderbird pela Globo – o “TV Zona”, musical das tardes de sábado, durou apenas um mês.

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William Bonner e Cristina Ranzolin, à frente do “Jornal Hoje” (Imagem: Arley Alves / Globo)

Tão curtos quanto os telejornais da manhã eram o “Globo Esporte”, entre 12h30 e 12h45, e o “Praça TV”, das 12h45 às 13h15. O “Jornal Hoje” voltava a ser exibido para todo o país, às 13h15 – após passar quatro anos fora do ar em São Paulo, substituído pelo “São Paulo Já”. Dois anos antes, a Globo, que então cogitava a extinção do noticiário, formatou a volta do “TV Mulher” (1980) à grade; Lilian Witte Fibe, do “Jornal da Globo”, despontava como possível apresentadora. O projeto, porém, foi para a gaveta. E toda a pesquisa acerca do perfil do público da faixa, e do conteúdo destinado para tais telespectadores, foi “incorporada” ao “JH”, que William Bonner assumiu em 1993, com Cristina Ranzolin, recuperando audiência e prestígio.

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Renata Ceribelli, destaque da temporada 1994 do “Vídeo Show”, então diário (Imagem: Arley Alves / Globo)

O “Vídeo Show”, extinto em janeiro último, chegou à grade diária às 13h40; a edição semanal, aos sábados, deu lugar à série “Melrose”, substituída, em setembro, pelos melhores momentos do “VS” diário. Na estreia, Miguelito entrevistou Antonio Fagundes, seu parceiro de cena em “A Viagem”, o grande destaque do dia. Já Cissa Guimarães – a garota que quebra o coco, mas não arrebenta a sapucaia – papeou com o então casal Claudia Raia e Edson Celulari durante uma aula de ginástica. Ainda, Renata Ceribelli, egressa da Cultura, à frente das reportagens de São Paulo. A volta de Ceribelli à Globo, aliás, quase se deu via “Você Decide”, às quintas-feiras; na última hora, o canal decidiu manter o ator Raul Cortez à frente do programa interativo.

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Regina Duarte como Maria do Carmo, em “Rainha da Sucata”, cartaz do “Vale a Pena Ver de Novo” (Imagem: Nelson Di Rago / Globo)

O “Vale a Pena Ver de Novo” passou a entrar às 14h10. Em cartaz, “Rainha da Sucata” (1990), folhetim de Silvio de Abreu, estrelado por Regina Duarte – a empreendedora Maria do Carmo, que, após prosperar no ramo de automóveis e do entretenimento, decide “comprar” seu amor de juventude, Edu (Tony Ramos), descendente dos Figueroa, família que vive sob a sombra do que fora um dia, para tristeza de Laurinha (Glória Menezes), madrasta do rapaz, apaixonadíssima por ele. Acusada de apoiar o Plano Collor em 1990, “Rainha da Sucata” voltou ao ar na esteira do sucesso do Plano Real, que estabilizou a inflação e fez prosperar a economia do país. Os 145 capítulos do repeteco anotaram 26,6 pontos na Grande São Paulo, a segunda maior média da faixa na década.

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Mussum, Dedé e Zacarias, em “Os Trapalhões”; melhores momentos do humorístico nas tardes da Globo (Imagem: Divulgação / Globo)

Às 15h, a “Sessão da Tarde” apostou no clássico “Presente de Grego” (1987), em que Diane Keaton vive uma executiva encarregada de cuidar da fofínea bebê de um parente falecido; o filme estreou na TV aberta no ano anterior, em “Tela Quente”. E se hoje a Globo colhe os frutos da bem-sucedida escalação de “A Grande Família” para a faixa vespertina, em 1994 coube ao quarteto de “Os Trapalhões” (16h55) cobrir o buraco deixado pela extinção do game “Radical Chic” (1993). Nos anos seguintes, os melhores momentos de Didi, Dedé, Mussum e Zacarias “passearam” pela grade. Já a “Sessão Aventura”, exibida entre a “Sessão da Tarde” e as reapresentações do humorístico, saiu de cena com o lançamento do “Vídeo Show” diário.

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Chico Anysio, o inesquecível professor Raimundo, à frente da “Escolinha” (Imagem: Monique Cabral / Globo)

Às 17h30, a “Escolinha do Professor Raimundo” iniciava o ano letivo com a chegada de novos alunos, como o “nada humilde” Zé Modesto (João Neto) e o sambista Abre-Alas (Antônio Pedro). Fafy Siqueira passou a responder pela parte musical da atração, que foi até a década de 1970 resgatar Dirceu Borboleta (Emiliano Queiróz), personagem da novela e da série “O Bem-Amado” (1973 / 1980), após o êxito de uma edição especial, de 1992, apenas como tipos dos folhetins como “estudantes”. O êxito do formato capitaneado por Chico Anysio era tamanho que as noites de sábado também contavam com a “Escolinha”; piadas “mais pesadas”, como as de Costinha, intérprete de Mazarito, dominavam a aula noturna.

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Leonardo Vieira e Patrícia França, como Lucas e Cláudia, em “Sonho Meu” (Imagem: Divulgação / Globo)

A novela “Sonho Meu” entrava em suas últimas semanas – em maio, estreou “Tropicaliente”, que disputou o horário das 19h com “A Viagem” antes de ser fixada às 18h. Quase às vésperas de seu misterioso assassinato, o médico e monstro Jorge Candeias de Sá (Fábio Assunção) articulava o sequestro da cunhada, grávida, Cláudia (Patrícia França), por quem era apaixonado. No início da trama de Marcílio Moraes, inspirada em obras de Teixeira Filho, Cláudia flertou tanto com Jorge, como com Lucas (Leonardo Vieira), com quem se casou mesmo sendo esposa do violento Geraldo (José de Abreu). A causa da bigamia era nobre: a mocinha precisava de dinheiro para bancar a cirurgia de sua filha, Maria Carolina, a Lalesca (Carolina Pavanelli), em luta contra a leucemia – desesperada com o sumiço da mãe.

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Guilherme Fontes, Christiane Torloni, Yara Côrtes e Cláudio Cavalcanti – Alexandre, Dinah, Maroca e Alberto – em “A Viagem” (Imagem: Divulgação / Globo)

Às 18h50, Alexandre abria fogo contra um de seus colegas de trabalho, após ser flagrado furtando o cofre da firma. Após uma intensa perseguição pelas ruas do Rio de Janeiro, o desajuizado rapaz tenta, sem sucesso, incorrer em fuga, com o auxílio do irmão Raul e do cunhado Téo. Ele até tenta cair na estrada com a namorada, Lisa (Andréa Beltrão); a polícia, porém, o alcança. Cabe a Dinah buscar auxílio para o irmão. Mas o profissional requisitado por ela, Otávio Jordão – reconhecidamente, um dos melhores advogados do país –, opta pelo trabalho junto à promotoria. Remake do enredo de Ivani Ribeiro produzida pela Tupi em 1975, “A Viagem” revitalizou a faixa das 19h; Solange Castro Neves atualizou os capítulos, ao lado da titular, em seu último trabalho. Wolf Maya respondia pela direção-geral.

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Lima Duarte, como Major Bentes, em “Fera Ferida” (Imagem: Bazilio Calazans / Globo)

Após a segunda edição do “Praça TV”, às 19h45, e do “Jornal Nacional” com Cid Moreira e Sérgio Chapelin, às 20h, “Fera Ferida” (20h30). O realismo fantástico de Ricardo Linhares, Ana Maria Moretzsohn e Aguinaldo Silva – que hoje responde por “O Sétimo Guardião” –, baseado em obras de Lima Barreto, chegava ao clímax, com o embate de Flamel (Edson Celulari), o alquimista que busca vingar a morte dos pais, e Major Bentes (Lima Duarte), um dos responsáveis pela tragédia. Flamel, que dizia transformar ossos em ouro, surrupiou o esqueleto da mãe do Major, que partiu sem dó para cima do coveiro Orestes (Cláudio Marzo). Flamel e Orestes, contudo, sequer imaginavam que Bentes andava apoquentado com outro dilema: as aparições de Chico da Tirana (Tonico Pereira), testemunha de seus crimes, alvejado por ele.

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John Travolta e Kirstie Alley, em “Olha Quem Está Falando Também” (Imagem: Reprodução / IMDB)

A “Tela Quente” exibia, às 21h30, o inédito “Olha Quem Está Falando Também” (1990), com John Travolta e Kirstie Alley; “Instinto Selvagem” (1992, com Michael Douglas e Sharon Stone), “Meu Primeiro Amor” (1990, com Anna Chlumsky e Macaulay Culkin) e “Uma Linha Mulher” (1990, com Julia Roberts e Richard Gere) integraram a temporada 1994 de cinema na Globo. A primeira linha de shows compreendia também a “Terça Nobre” – com a série “Brasil Especial”, o “Casseta & Planeta, Urgente!” e o “Som Brasil” –; “As Novas Aventuras do Superman”, às quartas-feiras; o “Você Decide” às quintas-feiras; e o “Globo Repórter”, com Celso Freitas, às sextas-feiras. Minisséries nacionais e internacionais, com “Catarine, a Grande”, na semana de estreia de “A Viagem”, ocupavam a segunda faixa.

Precisamente às 23h30, o “Jornal da Globo”, com Lilian Witte Fibe. No primeiro “Concertos Internacionais” inédito de 1994, o maestro Herbert von Karajan e a Orquestra Filarmônica de Berlim interpretaram óperas de Rossini e Sibelius em “Concerto Ano Novo 83”. Encerrando a programação, a sessão “Classe A”, com “Glória feita de sangue”, clássico de 1957, dirigido por Stanley Kubrick e estrelado por Kirk Douglas.

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Ofélia Anunciato, em “Cozinha Maravilhosa da Ofélia”, clássico da Band (Imagem: Divulgação / Band)

Na Band, às 10h30, “Cozinha Maravilhosa da Ofélia”, comandado pela culinarista Ofélia Anunciato. As receitas práticas, transmitidas numa linguagem de fácil assimilação pelas donas de casa, antecediam a reapresentação do “Flash”, de Amaury Jr, veiculado nas madrugadas da emissora.

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No “Programa Sérgio Mallandro”, do SBT, a famosa “Porta dos Desesperados” (Imagem: Divulgação / SBT)

Também às 10h30, só que no SBT, o “Programa Sérgio Mallandro”. O infantil, no ar após o “Bom Dia & Cia”, de Eliana, marcou a volta de Mallandro ao SBT, após passagem pela Globo. Em destaque, o quadro “Porta dos Desesperados”, com crianças maluquinhas em busca de um prêmio.

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Silvia Poppovic à frente de seu programa na Band (Imagem: Arquivo / Estadão)

Nas tardes da Band, às 15h15 e 17h15, duas atrações que fizeram história na Band. O “Programa Silvia Poppovic”, de volta à emissora no próximo dia 22, à frente do “Aqui na Band” – com Luís Ernesto Lacombe –, e “SuperMarket”, gincana realizada dentro de um supermercado, com apresentação de Ricardo Corte Real.

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“Casa da Angélica” marcou a mudança da apresentadora, da Manchete para o SBT (Imagem: Divulgação / SBT)

No SBT, às 15h15, Angélica, hoje na geladeira da Globo, abria as portas de sua “Casa”; o infantil deu início à reestruturação da carreira da loira, que, nos anos seguintes, antes de se transferir para a emissora-líder, assumiu o juvenil “Passa ou Repassa”.

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Serginho Groisman, com Alanis Morissette, no “Programa Livre”, do SBT (Imagem: Divulgação / SBT)

Às 21h05, o canal de Silvio Santos – que antes veiculava os icônicos “Aqui Agora” e “TJ Brasil” – exibia o lendário “Programa Livre”, com Serginho Groisman, antecedendo a gracinha de toda segunda-feira, “Hebe”. Após o “Jornal do SBT”, com Eliakim Araújo e Leila Cordeiro, o “Jô Soares Onze e Meia”.

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Anúncio de “74.5 Uma Onda no Ar”; novela da Manchete estreou no mesmo 11 de abril de “A Viagem” (Imagem: Reprodução / Tudo Isso é TV!)

Na Manchete, após o “Jornal da Manchete” com Márcia Peltier (20h30), o primeiro capítulo de “74.5 Uma Onda no Ar” (21h30), produção da independente TV Plus, estrelada pelo então casal Ângelo Antônio e Letícia Sabatella, ambientada na litorânea e fictícia Pedra da Lua. No elenco, Cecil Thiré, Gracindo Jr. e Raul Gazolla.

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