Reynaldo Gianecchini, um dos rostos mais conhecidos da televisão brasileira, revelou em entrevista ao portal Terra os motivos que o levaram a encerrar seu longo contrato com a Globo após 20 anos. O ator, que completa 28 anos de carreira em 2026, demonstrou profunda gratidão ao autor Manoel Carlos, a quem ele considera um “pai” na carreira, e explicou sua decisão de não querer mais fazer novelas.

A trajetória de Gianecchini na TV começou de forma surpreendente. Ao ser convidado para o papel de Eduardo Albuquerque em “Laços de Família” (2001), ele não possuía experiência em audiovisual. Foi Manoel Carlos, o autor da novela, que insistiu para que o ator integrasse o elenco, mesmo com a falta de preparo prévio. Essa oportunidade foi crucial para o desenvolvimento de Gianecchini como artista.
“Eu tinha acabado de estrear no teatro, então eu não sabia o que era nada. Tinha pouco conhecimento do que era o teatro e nada sobre o audiovisual”, relatou o ator. Ele destacou o papel de Manoel Carlos em sua carreira: “Ele que me colocou lá [na Globo], ele bateu o pé, ele me queria naquele papel, ele abriu as portas da televisão e me deu possibilidade de continuar nessa carreira”. Gianecchini também compartilhou a proximidade que desenvolveu com o autor e sua família, considerando-o um “grande pai, não só artístico”.
Ao longo de duas décadas na emissora, Reynaldo Gianecchini participou de diversos sucessos, como “Da Cor do Pecado” (2004), onde interpretou os gêmeos Paco e Apolo, um de seus trabalhos mais desafiadores. Outras novelas marcantes incluem “Belíssima” (2005), “Sete Pecados” (2007) e “Passione” (2010). Em 2021, seu contrato fixo com a Globo chegou ao fim, um momento que o ator descreve como natural e consensual.
A pandemia de COVID-19 foi um período de reflexão para Gianecchini. Ele começou a sentir um desejo de explorar novos formatos e linguagens, afastando-se do ritmo intenso das novelas. “Eu acho que já deu para mim de fazer novela”, confessou. A reformulação financeira da Globo, que passou a priorizar contratos por obra, também contribuiu para o encerramento do ciclo.
Novos horizontes e a gratidão que permanece

Desde que deixou a Globo, Reynaldo Gianecchini tem se dedicado a projetos diversos, incluindo trabalhos no streaming, como o missionário Matias em “Bom Dia, Verônica” (Netflix), e participações em peças de teatro aclamadas, como “Priscilla, a Rainha do Deserto – O Musical” e “Brilho Eterno”. Ele não descarta um futuro retorno à emissora, mas deixa claro que sua preferência atual é por explorar formatos diferentes.
“Eu continuo achando [a Globo] fantástica, gostaria muito de continuar sempre trabalhando lá. Mas realmente não sinto muita vontade de fazer novela”, afirmou. A despedida de Manoel Carlos, ocorrida em 10 de março, emocionou o ator, que, apesar da perda, prefere guardar as lembranças com gratidão e carinho. A decisão de sair da Globo, embora significativa, parece ter sido um passo natural e bem recebido por Gianecchini, abrindo portas para novas aventuras em sua carreira.
Jornalista formada pela Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP). Com experiência em redação, redes sociais e marketing digital. Atualmente, cursando o MBA em Marketing, Branding e Growth pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS).
