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O autor Silvio de Abreu

A cada nova decisão do departamento de teledramaturgia diária da Globo, as redes sociais se agitam! Tudo bem que algumas medidas adotadas recentemente, como a estreia dos folhetins das 6 e das 7 numa terça-feira, são questionáveis. Agora, adiamentos, reformulações e cancelamentos de sinopse não devem ser tratados como “absurdos” ou “devaneios” de Silvio de Abreu, hoje responsável pelo setor – até porque ele não bate o martelo sozinho, certamente.

Assim como “O Homem Errado” – trama de Duca Rachid e Thelma Guedes que substituiria “A Força do Querer”, mas acabou preterida em favor de “O Outro Lado do Paraíso” – e “Jogo da Memória” – de Lícia Manzo, adiada indefinidamente e readaptada para um novo formato -, outras novelas, de todas as épocas, enfrentaram situações semelhantes. Algumas como “Despedida de Casado” (1977), proibida pela Censura Federal, nunca mais foram vistas; outras como “Roque Santeiro” (1985), ganharam uma nova chance.

Confira neste especial 12 novelas que ficaram pelo caminho.

“O Acidente” – Tupi, 1977.

E começamos com uma trama escrita por Silvio de Abreu! Contratado pela Tupi pelo então diretor artístico Roberto Talma, Silvio desenvolveu em parceria com Rubens Ewald Filho a sinopse de “O Acidente”, trama sobre um desastre aéreo narrada em três tempos: antes do embarque dos passageiros, durante a viagem e após a queda da aeronave. Quando Talma foi desligado da emissora pioneira, seus substitutos Henrique Martins e Carlos Zara, contrários ao estilo inovador do antecessor, derrubaram “O Acidente” e encomendaram uma trama mais clássica a Rubens e Silvio. Os dois então adaptaram “Éramos Seis”, um dos últimos sucessos da casa.

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Carlos Augusto Strazzer, como Fogaréu em “Maria Nazaré”

“Maria Nazaré” – Tupi, 1980.

Mesmo estando na eminência do encerramento de suas atividades, a Tupi deu o start na produção de “Maria Nazaré”, a história de uma mulher (Maria Nazaré, Eva Wilma) que, na busca por um caminho espiritual, se apaixonava por um dos líderes do cangaço (Fogaréu, Carlos Augusto Strazzer). Teixeira Filho e Cleston Teixeira, pai e filho, se encarregavam do texto, dirigido por Carlos Zara. Uma cidade cenográfica já havia sido construída em Itu e as primeiras chamadas estavam no ar quando a Tupi fechou as portas, em julho de 1980 – deixando de exibir, inclusive, os últimos capítulos de “Como Salvar Meu Casamento”, antecessora de “Maria Nazaré” às 20h00.

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Mira Haar esteve recentemente em “Cúmplices de um Resgate”

“Mariana: A Menina de Ouro” – SBT, 1993.

No início da década de 90, o SBT já ensaiava investir em teledramaturgia para o público infanto-juvenil: contratou então Flávio de Souza, criador de êxitos como “Mundo da Lua”, na TV Cultura, para escrever “Mariana: A Menina de Ouro”, cuja direção caberia a Fernando Meirelles, da 02 Filmes. Tratava-se da história de Mariana, óbvio, pequena que passava o dia com a empregada (Denise Fraga) enquanto os pais (Mira Haar, uma jornalista, e José Rubens Chachá, agente de turismo) brigavam por questões financeiras. Marisa Orth, Nuno Leal Maia, Angelina Muniz, Lucélia Santos e Lilia Cabral foram cotados para o elenco. Mas o projeto, infelizmente, não foi adiante.

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Tereza Seiblitz e Ricardo Macchi em “Explode Coração”

“Mar Morto” – Globo, 1995.

Na fila do horário das oito, “O Rei do Gado” viria logo após “A Próxima Vítima”, em novembro de 1995. Mas a produção atrasou tanto que foi necessário adiá-la para o ano seguinte. A Globo então decidiu transformar a minissérie “Mar Morto”, adaptação de Aguinaldo Silva para a obra de Jorge Amado, em novela – caminho inverso de “Jogo da Memória”. Enquanto o autor reestruturava a trama, as sondagens para o elenco mobilizam nomes como Antonio Fagundes, Glória Pires e Tereza Seiblitz. “Mar Morto”, porém, acabou preterida por “Explode Coração”, que exigia menos tempo de produção, só estreando em 2001, com outro título: “Porto dos Milagres”.

Marília Pêra, quase protagonista de novela do SBT

“A Pantera” – SBT, 1996.

Locações em Roraima, ambientação nos anos 50 e 60, Marília Pêra contratada a peso de ouro para viver a vilã Silvana: custo de R$ 80 mil por capítulo, caro demais para um SBT então reticente com os resultados de sua teledramaturgia. Com isso, “A Pantera”, novela de Vicente Sesso dirigida por Marcos Schechtmann, acabou cancelada – uma produção independente, “Dona Anja”, substituiu “Razão de Viver”. Marília passou um ano no SBT sem trabalhar; após recusar o convite para “Pérola Negra”, produção mais apropriada para os padrões da emissora naquele momento. Para “A Pantera” também foram cotados Suzy Rêgo (a protagonista Cristina), Paulo Autran e Tônia Carrero.

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Adriana Esteves com Wagner Moura em “A Lua me Disse”

“Escândalo” – Globo, 1998.

Elementos de “Escândalo” foram reaproveitados em outras obras de Miguel Falabella. Caso da disputa pela guarda de uma criança, fruto do romance de uma suburbana (Malu Mader) com o filho de uma poderosa empresária (Marília Pêra), vista em “A Lua me Disse” (com Adriana Esteves e Zezé Polessa). No centro da trama, um tradicional jornal que, para escapar da falência, opta pelo sensacionalismo – vimos o autor retomar este tema em “A Vida Alheia”. Cancelada sem maiores justificativas, “Escândalo” é sempre lembrada pelo manifesto do ator Ricardo Brasil, que espalhou outdoors por todo Rio de Janeiro, apelando: “Falabella, eu quero fazer “Escândalo!””.

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Sônia Braga em “Dancin’ Days”

“Dancin’ Days” – Globo, 1998.

Gilberto Braga sempre afirmou: “Dancin’ Days” correu bem até determinado ponto; desandou na reta final! Vem daí a sua vontade de reescrever este clássico da década de 70 que, por pouco, não foi reescrito na década de 90. A intenção era celebrar os 20 anos do original com uma regravação que traria Malu Mader, Leandra Leal e Glória Pires nos papeis que foram de Sônia Braga, Glória Pires e Joana Fomm (Júlia, Marisa e Yolanda). O remake só não saiu do papel por conta de um impasse entre o autor e a direção da Globo: Gilberto queria a novela às 20h; Marluce Dias da Silva às 18h. Vira e mexe, o assunto volta à tona; Gilberto disse recentemente que hoje escalaria Camila Pitanga para a protagonista Júlia.

Adriana Esteves e Fábio Assunção com Pedro Malta em “Coração de Estudante”

“A Dança Da Vida” – Globo, 2001.

Assim como “A Lei do Amor”, “A Dança da Vida”, também de Maria Adelaide Amaral, padeceu por ter sua exibição programada em um ano eleitoral. Diferente da atual novela das 21h, no entanto, a sinopse prevista para substituir “A Padroeira” não ganhou uma segunda chance. Tornou-se um dos casos mais conhecidos de novela que entra em produção e acaba ficando pelo caminho. Classificada como imprópria para menores de 14 anos, “A Dança da Vida” teve seu roteiro amenizado. O cancelado, contudo, pareceu ser a decisão mais acertada. Os atores já escalados (como Adriana Esteves, Vladimir Brichta, Júlia Feldens e Fábio Assunção) foram remanejados para o folhetim escolhido para a vaga, “Coração de Estudante”.

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Mel Lisboa com Ricardo Pereira e Alinne Moraes em “Como Uma Onda”

“A Outra” – SBT, 2004.

Problemas com direitos autorais impossibilitaram a adaptação de “Os Ricos Também Choram”, então cotada para substituir a versão brasileira de “Canavial de Paixões”. Optou-se então pelo texto de “A Outra”, traduzido por Ecila Pedroso. Mel Lisboa foi contratada para viver as sósias Carolina e Clarice; a primeira desaparecia, enlouquecendo o médico Álvaro, que fascinado com a possibilidade de retomar sua vida do ponto em que parou ao conhecer a segunda. Eis que, por uma questão de custos, o SBT suspendeu a adaptação e levou ao ar a versão original da novela. Mel Lisboa retornou imediatamente para a Globo, para viver Lenita em “Como Uma Onda”.

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O autor Lauro César Muniz

“Machos” – Record, 2008.

Quando a teledramaturgia da Record vivia sob o domínio de Tiago Santiago, apenas tramas com cenas de ação e violência eram aprovadas. A exceção foi “Machos”, novela chilena exibida pela Sony, que acompanha a rotina de Ângelo, um homem capaz de tudo para fazer de seus sete filhos “machos” pra valer. Os rebentos, no entanto, sempre tentam fugir do controle do pai. No entanto, problemas com direitos autorais e o êxito de “Caminhos do Coração” (mas pode chamar de “Os Mutantes”) acabaram atrapalhando a trama. E “Chamas da Vida” entrou no ar enquanto Lauro César Muniz, adaptador de “Machos”, concebia “Poder Paralelo” – bem violenta, como a Record curtia.

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Maytê Piragibe em “Pecado Mortal”

“Vivendo O Amor” – Record, 2010.

O canal de Edir Macedo também já foi parceiro da Televisa, camarada do SBT. Não foi propriamente um acordo feliz. Tanto que a escolha da segunda adaptação deu dor de cabeça para Margareth Boury, encarregada do texto. O primeiro título, “Un Gancho Al Corazón”, foi preterido por “Cuidado Con El Ángel”, vista em versão original no SBT. Margareth já havia escrito 20 capítulos, Ivan Zettel respondia pela direção e a escalação seguia a todo vapor: Roger Gobeth, Edwin Luisi, Cristina Mullins, Juliana Silveira, Lana Rodes, Cacau Mello e Cláudia Alencar. A gravidez da protagonista Maytê Piragibe e a pressão da Televisa, que julgava o texto de Rebelde mais comercial, determinaram a suspensão do projeto.

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João Emanuel Carneiro, supervisor de “O Descobridor dos Sete Mares”

“O Descobridor dos Sete Mares” – Globo, 2011.

Márcia Prates, afastada da titularidade de “Liberdade, Liberdade”, foi encarregada de escrever a substituta de “Ti Ti Ti”. Entregou então a sinopse de “O Descobridor dos Sete Mares”, toda ambienta no interior de um navio. Foi então que começaram os problemas: o custo de produção seria bastante elevado e o supervisor João Emanuel Carneiro, então preparando “Avenida Brasil”, não poderia assumir o texto caso ocorressem problemas como os que derrubaram a audiência de “Tempos Modernos”, última investida mais ousada da faixa. “O Descobridor dos Sete Mares” acabou substituída por “Morde & Assopra”, de Walcyr Carrasco; também escalado para a vaga da sinopse dita “ousada” de Duca Rachid e Thelma Guedes.

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