Os bastidores do mercado de direitos de transmissão esportivos no país ganharam contornos de uma verdadeira guerra de gigantes.
A TV Globo formalizou uma proposta financeira agressiva à CBF para garantir a renovação dos direitos exclusivos de transmissão da Copa do Brasil para o ciclo de 2027 a 2030.
Atualmente, o grupo da família Marinho detém a exclusividade do torneio de futebol mais rentável do país, sublicenciando parte dos jogos para o Prime Video, da Amazon.
A estratégia desenhada para o novo contrato é idêntica: arrematar o pacote completo da CBF e repassar uma parcela dos direitos de transmissão para um parceiro de streaming de peso, ajudando a custear a operação bilionária.
No documento entregue à confederação, a Globo se compromete a realizar uma cobertura em múltiplas telas.
A emissora deve distribuir as partidas pela TV aberta, canais SporTV na TV por assinatura, Premiere no pay-per-view e na GE TV, seu projeto de entretenimento no YouTube.
A programação deve ganhar ainda mais partidas ao vivo na nova fase.
SBT, ESPN e Amazon entram na briga por fatias do torneio de R$ 1 bilhão
A Globo não terá vida fácil para manter o monopólio do torneio milionário.
O SBT entrou com força na concorrência e fez uma oferta formal à CBF visando tirar da rival a exclusividade das partidas em sinal aberto.
Além do canal da Anhanguera, a ESPN colocou sua proposta na mesa para a TV fechada.
Enquanto a gigante Amazon negocia diretamente com a cúpula do futebol nacional para assegurar as transmissões em streaming de forma independente.
A CBF também chegou a procurar a Record, a TNT Sports e a Paramount para apresentarem propostas. No entanto, o trio preferiu manter a cautela e não formalizou ofertas até o momento.
A meta da confederação é alcançar uma arrecadação histórica de R$ 1 bilhão por ano, uma valorização brutal se comparada aos R$ 700 milhões arrecadados anualmente com o contrato atual que se encerra em dezembro.
Premiação recorde
Os valores envolvidos no contrato de direitos de transmissão alimentam diretamente a premiação em dinheiro distribuída aos clubes ao longo de cada mata-mata.
Atualmente, a CBF retém uma pequena porcentagem do bolo de arrecadação para custos operacionais e repassa todo o restante para as equipes.
Apenas pelo título, o campeão garante um cheque fixo de R$ 78 milhões.
Contudo, somando-se os bônus acumulados de classificação desde as fases iniciais do torneio, o clube vencedor pode embolsar uma bolada que ultrapassa facilmente a barreira dos R$ 100 milhões em premiações esportivas, justificando a corrida desesperada das emissoras pelo projeto.
A Disputa pelo Bilhão
Confira abaixo as propostas apresentadas, as emissoras na disputa e o impacto financeiro da negociação:
| Grupo de Mídia / Emissora | Status da Proposta | Plataformas de Exibição Solicitadas | Meta de Arrecadação CBF | Premiação Máxima do Campeão |
|---|---|---|---|---|
| Grupo Globo | Formalizada (Exclusividade com sublicenciamento) |
TV Globo, SporTV, Premiere e GE TV (YouTube). | R$ 1 Bilhão Anual
(Atual contrato rende R$ 700 milhões ao ano) |
Até R$ 100 Milhões
(R$ 78 milhões fixos pelo título + bônus de fases anteriores) |
| SBT | Formalizada | Foco em jogos exclusivos para a TV aberta. | ||
| Amazon & ESPN | Em Negociação / Formalizada | Streaming de assinatura (Prime Video) e TV Fechada (ESPN). |
Maria Clara é jornalista formada pela Universidade Federal de Pernambuco. Passei por redações de jornais produzindo notícias para os portais, fiz gerenciamento de redes e já fui a campo como repórter de rua em emissoras de televisão aberta. Instagram: @clarajordao_
