Descancelem Paulo Gustavo, por favor!

Paulo Gustavo
Paulo Gustavo (Hermínia), Alexandra Ritcher (Iesa) e Patricya Travassos (Lúcia Helena) em Minha Mãe é uma Peça 3 (Imagem: Divulgação / Globo Filmes)

Confesso que também fiz coro aos irritados quando li as primeiras notícias de que não existiria beijo no casamento entre os personagens Juliano (Rodrigo Pandolfo) e Tiago (Lucas Cordeiro), em Minha Mãe é uma Peça 3. Inclusive, essa cultura do “cancelar” que atingiu Paulo Gustavo é algo que precisa ser combatido, porque apequena a problematização e espanta possíveis aliados.

Em abril de 2013, escrevi um artigo aqui no RD1 defendendo o beijo entre homens (que ainda era classificado pela alcunha de “beijo gay”) nas novelas da Globo. Depois, escrevi outro agradecendo ao autor Walcyr Carrasco pela cena final do casal Félix e Niko, em Amor à Vida.

Muita coisa mudou de 2013 para 2020 e, ao que parece, estamos em uma sociedade que quer soltar novamente monstros enterrados no passado. Ou melhor, esses monstros nunca morreram, na verdade. Estavam apenas acuados e faltava uma voz para os evocar novamente…

Minha Mãe é uma Peça 3 merece ser visto!

É um filme que, sobretudo, fala de amor. Não teve beijo LGBTQIA+, mas vi um enredo bem transgressor na questão. O texto vai mais além no debate (aí vai um spoiler): mostra um menino / criança querendo se fantasiar de Emília, entre outras coisas. E Dona Hermínia tira de letra a saia justa.

Quem se permitir assisti-lo sem ficar na defensiva vai perceber a ousadia do longa em vários momentos. Com leveza, ele traz uma série de questões mais profundas para a causa. E o pano de fundo é lindo.

Aponto como a melhor sequência da trilogia. E eu entendo Paulo Gustavo. Trabalhar com mídia de massa não é uma tarefa fácil (lido com isso todo dia). Atrair um grande público em uma sociedade majoritariamente conservadora é desafiador. Ele tratou a questão da homofobia com muita sensibilidade. Assistam de coração aberto esse filme.
E, claro, ele é, antes de tudo, engraçadíssimo.

CONTINUE LENDO →

Henrique Brinco é baiano, formado em Comunicação Social pela Unijorge, de Salvador. Atua no jornalismo desde 2008, passando pelas editorias de política, cidades, cultura e entretenimento em diversos portais de notícias, locais e nacionais. Foi por cerca de dois anos editor-chefe do site Varela Notícias, de Raimundo Varela, apresentador da Record Itapoan. Já foi colunista do RD1 anteriormente, por seis anos. Atualmente é repórter de política do jornal Tribuna da Bahia e do site BNews.

ALERTAS GRATUITOS