Gugu Liberato
Gugu Liberato como professor da Escolinha do Barulho, produzida por ele e exibida na Record (Imagem: Edu Moraes / Record)

Gugu Liberato nos deixou na última sexta-feira (22) sem realizar seu maior sonho: ter a própria rede de TV. O comunicador tentou, por anos, lançar o Sistema Liberato de Comunicação – mesmo desaconselhado pelo mestre Silvio Santos. As atrações realizadas ou pretendidas por sua produtora “entregam” o possível conteúdo da estação de Gugu. Humorísticos, realities e novelas constaram entre os projetos da GGP.

Uma matéria da Folha de São Paulo de 3 de setembro de 1995 narrou a saga de Gugu na busca por seu canal de televisão. Na ocasião, o então apresentador do SBT pleiteava 20 retransmissoras UHF, em capitais como Belo Horizonte (Minas Gerais) e Salvador (Bahia); a ideia, naquele momento, era abrir os trabalhos retransmitindo o sinal da emissora do “patrão”. Os primeiros pedidos dele por uma concessão haviam sido feitos na década de 1980, quando o país estava sob o comando de José Sarney.

Gugu relatou à Folha a opinião de Silvio sobre seu sonho: “Sabe o que ele me disse? Que sou louco. Falou assim: ‘Você nem imagina os pepinos que vai arrumar quando se meter nisso. Veja o meu caso. Eu era muito mais feliz antes, no tempo em que atuava apenas como animador de auditório’“.

Em 12 de abril de 2003, a Folha também revelou a ida de Augusto Liberato à Justiça na tentativa de retomar a concessão de um canal gerador que havia adquirido em Cuiabá, Mato Grosso. A compra foi considerada irregular por ter sido realizada fora do período estipulado para transferência de controle de geradoras – após 5 anos do início das atividades do canal em questão; Gugu havia comprado a empresa que obteve a concessão, Pantanal Som & Imagem, antes mesmo do lançamento da geradora.

Gugu, o produtor

Em 1999, a Record, em parceria com a GGP – então GPM –, lançou a Escolinha do Barulho. Nas fileiras, alunos de outra colégio, o do Professor Raimundo (Chico Anysio) na Globo: Castrinho (Geraldo), Jorge Loredo (Zé Bonitinho), Mário Tupinambá (Bertoldo Brecha), Paulo Cintura e Rony Cócegas (Galeão Cumbica) entre eles; todos membros da cooperativa Artistas Unidos. O próprio Gugu atacava de professor.

No ano seguinte, com a RedeTV! e a Câmera 5, de Sérgio Murad (Beto Carrero), Liberato produziu o humorístico Miguelito, cópia do clássico Chaves, uma das mais longevas atrações do SBT. A GGP respondeu também pelo Fabbrica 5 (2000, Gazeta), que acompanhava a noite paulistana a partir dos eventos da casa noturna homônima, de propriedade de Gugu, Miguel Falabella e Klaus Ebone, o apresentador.

A produtora de Augusto Liberato também arquitetou o Vídeo Show (1983) do SBT. Ao Estado de São Paulo de 3 de maio de 1999, ele adiantou detalhes do Teleshow: “Em comum há o fato de mostrar o histórico da emissora e o SBT já tem muita história para contar. O diferencial é que se trata de um programa com auditório, com três apresentadores [Marcelo Augusto, Márcia Goldschmidt e Otávio Mesquita]”. Ainda, um quadro para Clodovil Hernandes.

O projeto não saiu do papel, assim como os descritos abaixo.

Em 16 de agosto de 2000, a Folha de São Paulo destacou o interesse de Gugu por realities de confinamento, antes mesmo das estreias da Casa dos Artistas (2001) e do Big Brother Brasil (2002) – e em meio à euforia causada pelo No Limite (2000). A ideia, baseada em formato chileno, era confinar uma família em uma casa de vidro na Avenida Paulista, suprida apenas por itens adquiridos na internet.

A mesma matéria focaliza o interesse de Gugu em vender novelas portuguesas para TVs do Brasil. Para tal, o comunicador buscou tramas com DNA brasileiro – como a Band vem fazendo com Ouro Verde. Verão Quente (1993), dirigida por Régis Cardoso e com participação de Betty Faria, constava no “cardápio” da produtora. Os planos também compreendiam a coprodução de folhetins, a partir da reedição de clássicos da Tupi.

A Folha cobriu as negociações da GGP com a NBP, a maior produtora de novelas em Portugal naquele momento. As duas empresas pretendiam adaptar obras do autor Geraldo Vietri adquiridas por Gugu, com gravações nos Estúdios Tycoon, Rio de Janeiro – que já haviam atendido a Globo no início dos anos 1990 – e exibição simultânea no Brasil e em Portugal, através da TVI. O plano incluía até uma parceria com José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, todo-poderoso da emissora dos Marinho.

Em maio de 2003, a Record buscava parceiros para reativar seu núcleo de dramaturgia. A emissora pretendia dividir custos e receitas publicitárias com a GGP, que, por sua vez, preferia produzir toda a novela e vendê-la ao canal sem riscos de obter um retorno financeiro inferior aos gastos com elenco, equipe técnica e gravações. Por conta deste entrave, os remakes não foram adiante…

Dentre os títulos escritos por Vietri que estavam nas mãos de Gugu, e que ele tentou posteriormente vender à Record, destaque para Antônio Maria (1968), Nino, o Italianinho (1969) e Meu Rico Português (1975). As duas primeiras contaram com a colaboração de Walther Negrão. O veterano, contratado da Globo, ameaçou ir à Justiça caso as produções ganhassem forma.

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