Thaís Fersoza foi a protagonista da versão nacional de “Os Ricos Também Choram” (Imagem: Divulgação / SBT)

As novelas mexicanas sempre foram parte do DNA do SBT, seja na exibição de tramas enlatadas traduzidas para o português, seja na refilmagem de textos latinos com elenco e produção tupiniquins. Nem sempre essa tendência, porém, jogou a favor da emissora em termos de audiência – especialmente no segundo caso.

Um dos exemplos mais clássicos dessa situação foi “Os Ricos Também Choram”. Produzida em 2005, a trama vinha com a missão de substituir um grande sucesso – a novela “Esmeralda”, também adaptada de um original hispânico – e de fazer jus ao mega êxito internacional da obra homônima realizada pela Televisa em 1979, um verdadeiro fenômeno de popularidade nos mais de 120 países para que foi exportada.

Logo na pré-produção, um desencontro: contratado pelo SBT para adaptar o argumento da cubana Inés Rodena (“A Usurpadora”, “Coração Indomável”, entre outros) para o Brasil dos anos 1920, Doc Comparato acabou demitido pela produção após sucessivos atrasos na entrega dos roteiros. Em seu lugar, Marcos Lazarini foi contratado para escrever o projeto, agora ambientado na década de 30 para evitar possíveis acusações de plágio pelo novelista dispensado.

No dia 18 de julho de 2005, foi ao ar o primeiro episódio da saga de Mariana (Thaís Fersoza), uma jovem camponesa que se envolvia em um triângulo amoroso com dois rapazes ricos – e ainda por cima irmãos -, Alberto (Márcio Kieling) e Bernardo (Felipe Folgosi), sem saber ser, ela própria, herdeira de uma grande fortuna. Bastaram, porém, algumas semanas no ar para que toda a promessa de sucesso viesse abaixo.

A mexicana Verónica Castro estrelou a obra original (Imagem: Reprodução / SBT)

E a grande questão nem foi a sempre discutida qualidade (ou falta dela) do padrão mexicano de dramaturgia, já que “Os Ricos” tupiniquins até caíram no gosto da crítica -todo o contrário de “Esmeralda”, que, embora batesse recordes de audiência, nunca foi vista com bons olhos pelos especialistas em TV brasileira. A trama de Lazarini simplesmente não conquistou o público e viu seus índices descerem ladeira abaixo ao longo da exibição, começando com 17 pontos no primeiro capítulo e registrando apenas 7 no episódio final – em alguns casos, chegou a marcar apenas 3. A média geral foi de 7 pontos, contra 13 da antecessora.

O grande fator-problema foi justamente a “liberdade criativa” do autor. Havia ali uma boa qualidade de texto, uma reconstituição de época respeitável e uma qualidade técnica acima da média para produções do SBT à época, mas as mudanças sobre o enredo mexicano foram tantas que se criou praticamente uma outra história, a qual não possuía o mesmo apelo da versão original – esta sim, um dramalhão de fácil identificação popular – junto à audiência. Se compararmos “Os Ricos Também Choram” made in Brasil com outro remake bastante conhecido da história mexicana – “Maria do Bairro” (1995), também da Televisa -, perceberemos que pouco ou quase nada restou da obra original na trama produzida pelo SBT.

Embora tenha ficado marcada como uma das mais fracassadas tentativas do SBT de “abrasileirar” textos da terra da tequila, “Os Ricos” não foi a última incursão nesse sentido da emissora, que na produção imediatamente subsequente, “Cristal”, daria o mesmíssimo tiro no pé. Mas isso é assunto para outro artigo…

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